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Primeiras Impressões | As Five

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“As Five” finalmente chegou! O aguardado spin-off de “Malhação: Viva a Diferença” estreou na última quinta-feira aquecendo o coração dos fãs. Depois de um Emmy Internacional e o movimento absurdo do fandom nas redes sociais, a Globo resolveu investir em uma continuação da história das cinco amigas, agora com uma pegada mais adulta, mas sem fugir da essência que fez com que essa temporada fosse uma das de maior sucesso da novela adolescente.

Criado por Cao Hamburger, que também foi o responsável pela temporada de “Malhação”, “As Five” acompanha Benê (Daphne Bozaski), Ellen (Heslaine Vieira), Keyla (Gabriela Medvedovski), Lica (Manoela Aliperti) e Tina (Ana Hikari) seis anos depois do fim de “Viva a Diferença”. Agora elas precisam enfrentar os problemas da vida adulta e lidar com relacionamentos, emprego e a amizade entre elas depois de anos afastadas.

“Viva a Diferença” e o spin-off “As Five”: a representatividade que a gente quer e precisa

A expectativa de manter amizades de infância e adolescência para sempre, na maioria das vezes, é bem diferente da realidade e a série já começa abordando isso. A união entre as cinco foi a coluna vertebral da temporada de “Malhação”, mas seis anos se passaram e cada uma seguiu seu caminho, cada uma em uma outra realidade. Então, obviamente, vai existir atrito. Por mais que a conexão ainda esteja ali, elas são pessoas diferentes, e gostei que a produção já trouxe essas mudanças logo de cara. Em um grande caos em um velório.

“Viva a Diferença” começou com um nascimento que uniu as cinco amigas e agora temos uma morte servindo com o mesmo propósito, em um choque de realidade na mudança entre a adolescência e a vida adulta. Estes primeiros 40 e poucos minutos da nova jornada das meninas serviu para nos mostrar onde cada uma está em sua vida, ao mesmo tempo que já abriu as portas para futuros desenvolvimentos que serão explorados. 

Tina continua sofrendo as consequências da relação conflituosa com a mãe; Keyla, agora sozinha, precisa cuidar do filho e do emprego; Benê, que até então estava com uma vida estabilizada, tem uma ruptura ao descobrir que o namorado é gay; Ellen seguiu com a vida de estudos, agora morando nos Estados Unidos, mas parece questionar algumas decisões de sua vida; e Lica, a eterna adolescente, ainda perdida na vida, sem perspectiva de futuro e claramente ainda não superou a ex-namorada.

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Apesar da Tina ainda manter esse plot do atrativo com a mãe, acrescenta uma nova camada ao chegar no ponto em que a mãe dela morreu. Ao mesmo tempo que pode existir um sentimento de “liberdade”, as marcas ainda estão ali, não é como se tudo fosse mudar da noite para o dia. Será interessante ver como esse fantasma irá influenciar a vida da jovem agora.

Uma outra dinâmica que promete trazer momentos incríveis será a convivência entre Lica e Benê. As duas completamente opostas, mas que tem muito o que aprender uma com a outra. Já neste primeiro episódio tivemos um leve aperitivo disso, com elas conseguindo entrar em um acordo. A presença mais próxima da personagem de Daphne pode ser fundamental nesse momento de transição da Lica.

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E por falar nela, não podemos deixar de falar do casal que conquistou nossos corações: Limantha. A separação entre as duas faz sentido, mesmo que a gente não saiba ainda o motivo disso ter acontecido. Lica e Samantha (Giovanna Grigio) estão em momentos bem diferentes de suas vidas, com uma totalmente sem planos para o futuro e a outra com a vida bem encaminhada. E ainda tenho o termo “sufocada” enfatizado pela mãe da Lica durante este episódio, que pode ser mais um fator para este término.

Mas ficou claro, neste piloto, que ainda existe um respeito e carinho de ambas as partes. A atenção que a Samantha dá para Lica, o nervosismo da Lica na presença da ex. Existe ainda um sentimento ali e ansiosa para ver o desenvolvimento disso.

Enquanto isso, Keyla agora totalmente sozinha e precisando dividir o tempo entre filho e trabalho. Ela é, com certeza, a personagem que tem a realidade mais diferente entre todas as amigas e que me deixou mais tensa durante esse começo e curiosa para saber como ela ficou assim totalmente sem amparo. Em contrapartida, o plot da Ellen foi o que tive menos conexão, acho que só essa situação de casamento não vai ser o suficiente para atrair minha atenção ao longo da temporada e espero que ela não seja deixada mais de lado por causa disso.

Com muitos acontecimentos e a necessidade de recriar uma base para essas cinco amigas, o principal problema deste piloto foi o ritmo como as coisas foram acontecendo. Principalmente na primeira metade, tudo acontece muito rápido. Parece que eles tiraram os primeiros vinte minutos para fazer um grande resumo da vida de cada uma, jogando informações loucamente e ainda criando atritos para serem desenvolvidos ao longo da temporada.

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Mesmo para quem já tem uma base com a MVAD esse começo foi mais informação do que o necessário, imagino então a confusão que deve ter sido para quem caiu de paraquedas nessa produção, sem conhecer essas personagens. Mas ao mesmo tempo, este excesso de informação pode ter ajudado quem ainda não conhece esse universo a estabelecer as conexões entre elas e os outros personagens. Ainda assim, a forma como isso foi entregue poderia ter sido mais suavizada, talvez em um episódio duplo para conseguir trabalhar melhor as situações.

Mas os pontos positivos se sobressaem. Se “Viva a Diferença” já chamou atenção por tratar de temas mais próximos da realidade dos adolescentes e com uma pegada mais crua, “As Five” vai além. Sem a limitação de estar às 17h na TV aberta, a nova produção tem mais liberdade para explorar alguns temas que já estavam presentes nas vidas delas, mas de forma muito tímida. “Malhação” com sexo, drogas e palavrões? É exatamente isso. E eles conseguiram fazer isto de forma bastante orgânica, a mudança não foi forçada. E isto graças a uma produção bastante caprichada em diversos aspectos, desde o texto até as atuações e fotografia.

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A série tem um potencial enorme e eles conseguiram nos mostrar nesse primeiro momento que estão dispostos a explorar ao máximo. Eu não acompanhava “Malhação” já há vários anos até que “Viva a Diferença” caiu no meu colo e acabei me apaixonando por essas cinco amigas. A expectativa era alta para essa continuação mais adulta e eles conseguiram entregar um excelente trabalho. Ansiosa para ver o futuro de “As Five”!

Jornalista nascida no Rio de Janeiro e atualmente morando em Fortaleza. Cresceu assistindo filmes da Sessão da Tarde, Dragon Ball e Xena: A Princesa Guerreira. Constantemente falando coisas aleatórias sobre cinema, televisão e música.

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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

ANNE+: O Filme e o relacionamento de Anne e Sara em uma nova fase

“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

Pro Mundo (Out!) | Um pouco sobre Ilana Prates de “Um Lugar ao Sol”

Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

Review | Heartstopper – Primeira Temporada

A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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Bombando