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Resenha | Arlindo – HQ é um acalento para a comunidade LGBTQIA+

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Ficha Técnica
Livro: Arlindo
Autora: Ilustralu (Luiza de Souza)
Editora: Seguinte
Número de Páginas: 200
Ano de Lançamento: 2021


“Tudo que a gente tem é a gente, Lindo.
A gente não tá errado em existir!
A gente não devia viver com medo de gostar de ninguém, nem de ser a gente mesmo.”

“Arlindo” é um quadrinho, escrito por Luiza de Souza, mais conhecida na internet como Ilustralu. Lançada pela Editora Seguinte este ano, a HQ foi inicialmente publicada como webcomic semanal e alcançou inúmeros fãs que se apaixonaram pela simplicidade e delicadeza da história de Arlindo.

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Ambientada no início dos anos 2000, em que Lan Houses, MSN e videolocadoras ainda eram uma realidade, conhecemos Arlindo, um adolescente cheio de sonhos que vive no interior do Rio Grande do Norte. Enquanto tenta encontrar seu lugar no mundo, ele aluga filmes todo sábado com as amigas, é apaixonado pela dupla Sandy e Junior (sucesso na época) e ainda ajuda sua mãe a fazer doces para vender.

Apesar de todo seu esforço, muita gente não aceita Arlindo do jeito que ele é. Fofocas na vizinha e até mesmo seu pai ser homofóbico, o faz a todo momento lutar para ser quem é e principalmente se entender como um garoto gay. Dessa forma, em cada conflito familiar ou traço feito por Luiza de Sousa, é possível perceber que Arlindo carrega consigo um sentimento muito comum por pessoas LGBTQIA+: o preço da perfeição para compensar algo.

Enquanto o adolescente luta contra seus próprios demônios, ainda existe duas personagens secundárias que foram muito bem exploradas na história: Lis e Mari. À medida que Arlindo desenvolve sentimentos pelo seu novo amigo de escola, ambas as personagens vivem suas próprias histórias, e esse desenvolvimento das duas e descobertas só tornam a narrativa ainda mais fabulosa. A autora soube guiar a narrativa de forma que todos os personagens, principais e secundários, tivessem espaço e relevância na trama.

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Um ponto a destacar da HQ são as cores vibrantes que destacam perfeitamente a mensagem que a história quer passar: sobre amizade, amor, família e, principalmente, sobre não estar sozinho no mundo. Além disso, “Arlindo” apresenta personagens cativantes e uma trama encantadora sobre aceitação de si, mesmo em um ambiente hostil que não te deixa florescer.

Ademais, vale ressaltar que os traços e as expressões dos personagens são bem críveis e existe uma importância da música para a construção do cenário. As letras das músicas de Sandy e Júnior aparecem inúmeras vezes para demostrar os sentimentos de Arlindo, da mesma forma que canções de Pitty exprimem a emoção e envolvem o leitor quando se trata do relacionamento secundário entre Lis e Mari.

A verdade é que Luiza de Souza criou uma história melancólica e, ao mesmo tempo, deliciosa de se acompanhar. Na mesma proporção que você se apaixona pela história de Arlindo e Lis, você consegue sentir cada tristeza que, às vezes, acontece na vida dos dois. É triste perceber que Arlindo não consegue ser ele mesmo pelo medo da rejeição e mais doloroso ainda o fato dele não conseguir se afastar do que o faz sofrer, porque é seu pai, e não é o tipo de amor que simplesmente deixa de existir.

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“Arlindo” é uma HQ que apresenta uma história carregada de sentimento que te faz apaixonar por toda atmosfera criada e te faz ansiar por mais. É uma leitura para guardar no bolso e carregar consigo, pois ela sempre te fará lembrar que você não está sozinho, porque, assim como Arlindo tem sua tia Amanda (que é lésbica) como acalento, você encontrará alguém que vai te amar do jeitinho que você é.


Obs.: livro cedido pelo Grupo Companhia das Letras para resenha.


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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

ANNE+: O Filme e o relacionamento de Anne e Sara em uma nova fase

“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

Pro Mundo (Out!) | Um pouco sobre Ilana Prates de “Um Lugar ao Sol”

Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

Review | Heartstopper – Primeira Temporada

A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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