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No Diário (Out!) | O bicho que pica

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Certa vez peguei carona de Juiz de Fora para Belo Horizonte, em Minas Gerais. No carro havia eu, duas mulheres e um cara. Em determinado momento do trajeto o garoto disse que tinha namorada e as duas meninas, que também tinham namorados, começaram a falar que jamais aceitariam que o boy viajasse no carro sozinho com três mulheres.

Fala Potcha – websérie brasileira que encanta com sua autenticidade

Oi?
Dei pane.

– Então quer dizer que o boy teria que pegar outra carona, em outro horário, talvez em outro dia ou valor porque vocês não dão conta de lidar com o fato dele passar quatro – fucking – horas no mesmo veículo com outras três mulheres que ele acabou de conhecer? – perguntei.

–  É… – uma delas me respondeu.

Contei que uma vez assisti um documentário sobre a monogamia e um rapaz disse algo que anotei no bloco de notas: “É preciso entender porque você sente o ciúmes, porque não é bem um sentimento. Geralmente ele nasce de alguma outra coisa”. Antes da escrita deste texto, nunca recorri a anotação, mas a cada dia que passa faz mais sentido para mim. É daquelas frases que todo mundo que me conhece já ouviu alguma vez.

O ciúme é uma máscara.

Raiva.
Insegurança.
Medo do abandono.
Vulnerabilidade.
Desconfiança.
Ego.
Dependência.

Se a gente procurar bem, sempre acha um desses por trás do tal.

Resenha | À Primeira Vista – um romance para se apaixonar

O ciúme é uma forma de dizer que aquilo é “só meu”, enquanto na verdade só “eu sou meu” e isso já dá um baita trabalho.

O ciúme é uma expectativa infantil de que o outro se responsabilize e mude para que eu me sinta mais segura.

O ciúme é uma ferida narcísica.

O ciúme não é prova de amor.

Toda vez que eu digo que acredito que o amor é livre ou que a monogamia é tão frágil quanto a heterossexualidade a conversa acaba caindo, inevitavelmente, no clichê:

– Para mim não é possível, sou muito ciumenta.

Por isso, senhoras e senhoras, vos faço a grande revelação: eu também sou muito ciumenta.

A verdade é que todo mundo, sem exceção, vai sentir ou já sentiu ciúme pelo menos uma vez na vida. Além de ser um mecanismo de defesa, ele também tá aí o tempo todo nos motes da literatura, no cinema, na tv. O bicho é um velho conhecido nosso. Não se trata de sentir ou não ciúmes. É sobre estar aberto ao diálogo e a descoberta de formas honestas de ser, sentir e existir.

O ponto é: como lidamos com o ciúme?

LesB Indica | Acima das Nuvens – um drama repleto de tensão

Para mim, é uma emoção em constante observação. Sempre que ele me pica, faço – ou pelo menos tento – o movimento de olhar para dentro, me acolher e me observar. Até porque, para levar algo pro outro, a gente precisa se entender primeiro.

O autoconhecimento vem de dentro.
Infelizmente ou felizmente ninguém nos dá.
A gente conquista.
Ou segue na luta.

Rebeca Figueiredo é atriz, comunicóloga (UFMG) e aspirante à escritora. No universo das câmeras, é uma das idealizadoras do coletivo audiovisual Grilla! e vive a personagem Raphaela na websérie independente Magenta, da Linha Produções. A mineira, de Belo Horizonte, é apaixonada por séries, astrologia e política.

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LesB Indica | Meu Bem – documentário conta uma linda história de amor

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O documentário “Meu Bem”, de 2022, mostra o dia a dia de Hetty e Jeanne, um casal de senhoras que vivem na Holanda, e que, apesar de toda fofura e cuidado, mostra a vivência das duas através do diagnóstico de Alzheimer de Jeanne. Desde pequenos gestos como comer até tomar banho e outras questões, Hetty é a responsável pelos cuidados de Jeanne, sendo muito reticente quanto à trazer um cuidador, pois sente como se estivesse traindo a confiança da esposa.

É possível notar, dentro dos diálogos, sutis pedidos para lembrança de Jeanne por parte de Hetty, através de músicas, livros, lugares e momentos. As duas estão juntas há 21 anos e na época do filme, Jeanne tinha 90 anos e Hetty 75 anos. A perda de memória e mobilidade inevitável faz com que as duas sempre estejam se declarando sobre estarem juntas até o último momento, mesmo que isso signifique estágios diferentes para as duas.

As músicas são os pontos importantes da história, desde “Non, je ne regrette rien”, de Edith Piaf, ou “She”, de Elvis Costello, onde as duas se lembram de histórias e dançam. É basicamente um terceiro personagem na história. Há momentos em que Jeanne também toca piano.

LesB Indica | Paixões Entrelaçadas – um filme sobre explorar sentimentos e se permitir senti-los

É palpável toda preocupação de Hetty em cuidar de Jeanne, que além do diagnóstico de alzheimer, também possui um tumor que está em tratamento. Podemos notar os momentos em que a memória escapa de Jeanne, mas, também, os de lucidez momentânea.

Vemos poucas produções que contam histórias de pessoas LGBTQIA+ na terceira idade e com vivências reais. O documentário de Eva van Barneveld foi lançado em 2022 e tem todo o cuidado de colocar quem está assistindo como um telespectador de uma linda história de amor e cuidado de duas senhoras muito resilientes.

O documentário “Meu Bem” está disponível no Globoplay e na Apple TV.

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LesB Indica | Paixões Entrelaçadas – um filme sobre explorar sentimentos e se permitir senti-los

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“Paixões Entrelaçadas” é um filme francês de drama e romance que se passa no interior da França. Conta a história de Bertie (Idella Johnson), Lene (Hannah Pepper) e Fred (Lucien Guignard), um trisal que viveu uma história significativa de amor, mas que ficou no passado. Lene amava Bertie e Fred amava Bertie, uma relação que, de certa forma, funcionava e ficava de pé, até o dia que não se sustentou mais. Então, o presente desse amor ficou apenas entre Bertie e Fred que se casaram e formam uma dupla famosa que canta pela cidade.

Depois de perder a mãe, Bertie entra em depressão e Fred acredita que a presença de Lene pode tornar as coisas um pouco melhores. O que ele não desconfiava é que, apesar de terem vivido um relacionamento, o tempo muda muito as coisas, fazendo com que ninguém mais tenha controle do que sente e do que pode acontecer. O reencontro das duas não sai como esperado por Fred e nem mesmo como esperado por elas.

Com roteiro e direção de Marion Hill, “Paixões Entrelaçadas” flerta com o drama, os ciúmes e a briga de egos. Quando Bertie provoca Lene e depois recua, faz com que Lene comece a se interessar por outra mulher e o clima na pequena cidade se torna difícil de sustentar, assim como a relação entre Bertie, Fred e a arte que eles compartilham.

Resenha | Temporada relativa – uma boa leitura de fim de tarde

O longa é ambientado entre a casa de Bertie e Fred e a vida noturna. Entre a desilusão com a vida, com a arte, com o amor e com a música, o longa retrata, em pouco mais de uma hora e meia, alguns aspectos do poliamor sem necessariamente responder perguntas, mas sim, levantar mais questões entre o trisal que existiu um dia e entre Bertie e Lene que, apesar de tudo, se amavam em dupla.

“Paixões Entrelaçadas” é sobre explorar sentimentos e se permitir senti-los. Vale a pena ser visto por tratar de um assunto complexo de forma casual, aproximando os personagens principais das questões que de fato existem em cada telespectador que assiste o filme. A produção estreou em agosto de 2021 e está disponível no Brasil pelo canal streaming Looke.

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LesB Indica | Jane The Virgin – série com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes

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Já imaginou uma mulher latina e virgem, de uma família católica, de repente, aparecer grávida? Essa é a premissa de “Jane The Virgin”.

LesB Cast | Temporada 3 Episódio 14 – séries canceladas pt. 1

Jane Gloriana Villanueva (Gina Rodriguez), que era virgem, acaba engravidando por uma inseminação por acidente e como se não bastasse o erro médico, ela agora estava esperando um bebê do seu chefe e ex crush de uns anos antes, Rafael Solano (Justin Baldoni). Jane, que tinha um namorado, Michael (Brett Dier), e que estava tudo bem para o casamento dos dois, tem sua vida virada de cabeça para baixo por conta desse “acidente”, além de todas as outras tramas que estão acontecendo ao seu redor.

A responsável pela inseminação incorreta é Luísa Alves (Yara Martinez), irmã de Rafael e ginecologista. Luísa estava em um relacionamento sério com uma outra mulher até que na noite anterior a inseminação, ela descobre que estava sendo traída. Ela é consolada por Rose (Bridget Reagan), sua “madrasta” , mas segue extremamente abalada.

No dia seguinte, ela vai trabalhar completamente aérea, sem prestar atenção no que a enfermeira falava. Em uma das salas estava Jane, para uma consulta de rotina e na outra estava Petra (Yael Grobglas), sua cunhada, esperando pela inseminação. Mas Luísa só percebe o erro após o atendimento de Jane, e aí já era tarde.

Luísa é processada por negligência médica e Rose vira sua advogada. Elas tinham uma história antiga e mesmo com todo envolvimento de Rose com seu pai, elas continuam uma relação de várias idas e vindas.

Review | Sem Resquícios – Primeira Temporada

Outra personagem relevante para a história é Petra Solano, a mulher que deveria ter sido inicialmente inseminada. Petra, então casada com Rafael, tem na gravidez a única oportunidade de salvar seu casamento e ainda se manter segura financeiramente. Seus esquemas eram em parceria com sua mãe, mas Petra tinha um passado que nem Rafael conhecia, envolvendo sua identidade.

Gina Rodriguez, em 2014, ganhou o “Globo de Ouro” de Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical e a série chegou a ser indicada como Melhor Série de Comédia ou Musical. As cinco temporadas atingiram 100% de aprovação no Rotten Tomatoes e estão disponíveis na Netflix.

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Bombando