Fala Potcha – websérie brasileira que encanta com sua autenticidade

Fala Potcha” (2021), websérie lançada no dia da Visibilidade Lésbica, foi criada e dirigida por Camilla Pedroza e Jéssica Maria Araújo. A produção acompanha a motorista de aplicativo Joana (Elze Valois), uma profissional bastante comunicativa, que adora interagir e se conectar com as pessoas, além de abrir espaço para as histórias das passageiras que encontra nas viagens. Em seus cinco episódios, é possível perceber que ela é uma boa ouvinte, disposta a aprender com as histórias contadas por quem viaja em seu veículo.

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O início de cada episódio marca também o começo de uma viagem de uma nova passageira. A partir disso, o público se conecta com a história de Andrezza Reis, Elenice Damáceno, Jessyca Batista, Lidiane Drapala e Maria Tereza. Os relatos retratam experiências pessoais das personagens, o que resulta em diversas reflexões sobre a vivência de mulheres LGBTQIA+ na sociedade atual. Todas elas dividem um pouco de sua história com Joana, contando momentos bons e também incômodos. A websérie é caracterizada por uma ambientação bastante intimista, que provoca uma sensação de proximidade e identificação.

Joana, ao longo da primeira temporada, para além da profissão, se mostrou uma ouvinte interessada em estreitar os laços, aprender com outras vivências e  deixar suas passageiras à vontade em suas viagens. Ao se deparar com alguma angústia vindo de uma fala, buscava contornar a situação, oferecia ajuda ou até mesmo um momento de distração. É notável, além disso, que a motorista deseja, no meio daquelas conversas, trazer algumas respostas pessoais.

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O cenário das corridas de aplicativo é marcado por uma grande presença de homens, por isso, se deparar com mulheres motoristas nessas viagens torna-se um diferencial. “Fala Potcha” evidencia como são raros momentos como esses, já que fica claro como as passageiras tiveram poucas experiências confortantes como aquela. Encontraram ali, no que deveria ser só mais uma viagem, um lugar de desabafo e confiança.

Diversos assuntos são tratados de forma espontânea, informal e descontraída pelas personagens. Conversas sobre descoberta da sexualidade, desafios que mulheres LGBTQIA+ encontram, adversidades na profissão, heteronormatividade e imposições da sociedade são destacadas. Abrir portas para o diálogo de vivências de mulheres é necessário para que outras possam se identificar e se reconhecer nas falas, além de gerar conhecimento para outros públicos.

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A websérie sergipana, ao longo dos cinco episódios, trouxe diversas histórias reais, que dialogam com a atualidade. Aqueles que curtem narrativas mais intimistas, que relatam sobre assuntos que perpassam por temas como traição até as descobertas da sexualidade, podem apostar nessa produção. Criado, roteirizado e dirigido por mulheres, a produção evidenciou a presença feminina dentro e fora de cena.

Fala Potcha” está com a primeira temporada disponível no YouTube.

Carol Souto

Carol Souto é capixaba, estudante de jornalismo e viciada em ficções seriadas. Assiste um pouco de tudo, mas o que ela não dispensa é um bom drama.

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