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Resenha | Todos os meus humores – poesias para serem lidas mais de uma vez

Primeiro livro literário da poeta e historiadora cearense Dia Nobre, “Todos os meus humores“ é uma obra híbrida, intercalando poesia e prosa (…)

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Ficha Técnica
Livro: Todos os meus humores
Autora: Dia Nobre
Editora: Penalux
Número de Páginas: 112
Ano de Lançamento: 2020


Primeiro livro literário da poeta e historiadora cearense Dia Nobre,Todos os meus humores é uma obra híbrida, intercalando poesia e prosa, característica marcante na escrita da autora, que em maio de 2021 publicou seu segundo livro de caráter literário, “No útero não existe gravidade“.

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“Todos os Meus Humores” é baseado na teoria humoral da medicina galena, em que a saúde humana era mantida em equilíbrio entre o sangue, a fleuma, a bílis amarela e a bílis negra, cada qual com qualidades e características próprias. Quando esses humores estão em desequilíbrio, surgem então as doenças e a febre, como uma reação do corpo, para eliminar os excessos e reestabelecer o balanceamento e o equilíbrio do organismo.

Dividida em quatro partes: sanguínea, fleumática, colérica e melancólica, a obra de Dia Nobre é repleta de textos e poesias que exploram essas oscilações de humores, que permeiam o dia-a-dia, não só do eu-lírico, como no da autora e das leitoras, afinal, quem nunca se sentiu triste, alegre, eufórica, melancólica, tudo no mesmo dia?

“em cada pedaço de mim

 grita uma voz

de mulher

 das mulheres que fui

 em outras vidas 

talvez

(…)

nem santa nem doida, uma boneca russa”

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Através da poesia, uma das linguagens literárias mais poderosas, Dia Nobre transborda e passeia entre os corpos e espaços marginalizados. As faces da mulher lésbica, nordestina, taxada de histérica, louca, vítima dos abusos duma sociedade machista e excludente, mas que ainda insiste em ser ela mesma e em ser livre para amar, se encontram em sua poética de (r)existência, potencializando a coletividade dessas experiências.

“prefiro me curvar à palavra

do que à vontade de deus

não carrego mala ou cruz

não me importam as pedras 

as transcendo na ponta de minha caneta.

sou eu que escrevo minha história

que um dia minhas filhas hão de ler

e saber que eu fui uma mulher

que driblou o destino.

– quando a bruxa escapa da fogueira”

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Em “Todos os Meus Humores” nos deparamos com um eu-lírico feminino, que poderia ser qualquer uma de nós, sobrevivendo ao enfrentamento cotidiano de violências de gênero e sexual enquanto vivemos nossas “paixões proibidas”. No geral, um livro para se ter ao alcance dos olhos a qualquer momento do dia, porque, acredite, uma só leitura não será suficiente!

Caririense com orgulho, é graduanda em Letras pela Universidade Regional do Cariri, mas "com diploma de sofrer de outra universidade". É amante de séries, livros, música e poesia. E o que lhe dá prazer é estudar literatura nordestina, ouvindo Belchior e tomando um delicioso suco de manga.

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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

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“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

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Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

Review | Heartstopper – Primeira Temporada

A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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Bombando

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