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Resenha | Garota, mulher, outras – uma verdadeira aula sobre identidade, raça e classe

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Ficha Técnica
Livro: Garota, mulher, outras
Autor: Bernardine Evaristo
Tradução: Camila von Holdefer
Editora: Companhia das Letras
Número de Páginas: 496
Ano de Lançamento: 2020


Vencedor do Booker Prize, em 2019, “Garota, mulher, outras” não é um livro que agradará todo mundo, mas deveria. Ambientado em Londres, logo após a votação do Brexit, uma conjectura opressora que as pessoas lutam para sobreviver, aqui, somos apresentados as histórias de 11 mulheres e uma pessoa não-binária de origens africanas ou caribenhas.

“a vida é uma aventura para se acolher com mente aberta e coração amoroso”

O texto é formatado em versos livres, nada convencional e sem a presença de pontos-finais. O livro é dividido em cinco partes, sendo a última um “encontro” entre algumas das personagens da história e um epílogo. De início, quem não está acostumado com esse tipo de estrutura, demora a se adaptar e se envolver com a narrativa, mas após esse primeiro momento, Bernardine Evaristo, com toda certeza, vai te fisgar.

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A primeira parte foca na vida de Amma, uma dramaturga e militante lésbica que está às vésperas da estreia de sua peça no National Theatre; Yazz, uma jovem de 19 anos, filha de Amma concebida por inseminação artificial, feminista inquieta e sempre questionadora sobre o tratamento da sociedade em relação as minorias e Dominique, melhor amiga e ex-sócia de Amma, que passou por um relacionamento abusivo e se mudou para os Estados Unidos na tentativa de se reencontrar.

Na segunda parte, somos apresentados a Carole, uma mulher vítima de um abuso sexual na juventude, e a partir desse momento, sua vida muda totalmente; Bummi, sua mãe, que tenta seguir os padrões culturais e não ferir os sentimentos de sua família e por fim, La Tisha, ex-amiga de infância de Carole, que se tornou mãe solteira com apenas 21 anos e luta para sustentar seus filhos e ajudar sua família.

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A terceira parte mostra a história de Shirley, uma professora idealista no inicio da carreira, porém que foi “perdendo” a força e era conhecida como “Cara de Cu” pelas versões adolescentes de Carole e La Tisha; Winsome, sua mãe, imigrante e que possui um caso amoroso proibido e Penelope, amiga de trabalho de Shirley, uma mulher com diversos problemas internalizados e utiliza de vícios para amortecer seus sentimentos.

“de qualquer forma, nem sua negritude nem sua homossexualidade resultam de decisões políticas conscientes, a primeira é determinada geneticamente, a segunda é uma predisposição psíquica e psicológica”

Por último, conhecemos a história de Megan/Morgan, Hattie e Grace; a primeira desde a infância fugia dos padrões heteronormativos e após muitos problemas na adolescência se identifica como gênero neutro, tornando-se Morgan. Hattie é bisavó de Morgan e por muitas gerações morou em uma fazenda que pertenceu a sua família e aceita Morgan sem preconceitos, apesar de não entender completamente os termos “técnicos”. Grace, mãe de Hattie, perdeu a mãe muito cedo e teve que aprender a viver, casou-se com o dono da fazenda e apresenta sintomas de depressão pós-parto, dificultando seu relacionamento com sua filha no início.

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“Garota, mulher, outras” não é uma obra para ser lida de uma vez só, é para ser absorvida aos poucos. Cada parte mostra uma realidade diferente e te leva a uma experiência única. Cada personalidade do livro compartilha com você uma história que precisa ser ouvida, que acontece em diversas casas e com milhares de mulheres ao redor do mundo, histórias tristes recheadas de racismo e discriminação quanto seu gênero, sexualidade e classe.

Amma, Yazz, Dominique, Carole, Bummi, La Tisha, Shirley, Winsome, Penelope, Megan/Morgan, Hattie, Grace são personagens construídas brilhantemente e Bernardine Evaristo utiliza dessas vozes para dar uma verdadeira aula sobre identidade, raça e sexualidade. Além disso, cada entrelace entre as histórias é fundamental para entender o que é ser mulher, e acima de tudo, o que é ser uma mulher negra e o como a ancestralidade de cada uma influencia em toda sua vida.

“não tem a ver com sentir alguma coisa ou com palavras ditas
tem a ver com estar
juntas”

“Garota, mulher, outras” aborda a “mesma história” através de diferentes perspectivas, por meio de diversas gerações e em épocas mais hostis que outras. O livro é definitivamente uma história impactante e envolvente que consegue expressar o sentimento de cada mulher de forma singular.

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Obs.: livro cedido pelo Grupo Companhia das Letras para resenha.


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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

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“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

Pro Mundo (Out!) | Um pouco sobre Ilana Prates de “Um Lugar ao Sol”

Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

Review | Heartstopper – Primeira Temporada

A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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Bombando

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