LesB Indica | O Uivo da Gaita – longa-metragem nacional que vale a pena ser assistido

Com direção de Bruno Safadi, “O Uivo da Gaita” é um filme de 2013 que conta a história do relacionamento de Pedro (Jiddú Pinheiro) e Antônia (Mariana Ximenes).

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Apesar de não ser um longa-metragem muito antigo, “O Uivo da Gaita” faz parte da lacuna “escassez” de filmes com a temática LGBTQIA+ no cinema brasileiro, mas é uma história que chega para colaborar no sentido de diminuir essa falta. A produção é mais do que um conto de amor entre duas garotas, porque ele se destaca por outros motivos além daqueles vistos em cena.

A história é simples. Pedro e Antônia estão juntos há algum tempo, e por mais que tenham se acomodado um com o outro, Antônia demonstra sinais de insatisfação com a relação dos dois. Mas tudo muda quando Luana (Leandra Leal) aparece. Ela é uma amiga do casal sobre quem pouco sabemos a respeito. O que fica evidente desde o princípio, no entanto, é a atração entre Luana e Antônia. E com o andar da carruagem assistimos as duas ficarem juntas, deixando Pedro para trás. Ele que acreditava tê-las em suas mãos, veja só, termina sozinho.

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“O Uivo da Gaita” foi o primeiro longa resultante da Operação Sonia Silk. Ao todo foram feitos três filmes, além deste, há também “O Rio nos Pertence” (2013) e “O Fim de uma Era” também de 2013, todos realizados de forma coletiva e de modo simultâneo.

Ximenes e Leal, assim como Pinheiro, estão nos três longas do projeto e são bem entregues às personagens, e a cena de sexo que protagonizam é ousada na medida certa, ainda que funcione mais como catalizador da atenção da audiência e menos como elemento de importância narrativa. A produção nos mostra muitas alegorias e pouca objetividade, o que é uma pena, mas seu valor enquanto exercício é real e não pode ser desprezado de forma leviana.

“O Uivo da Gaita” tem apenas 70 minutos, mas vale a pena ser conferido porque se traduz pela metáfora do concreto implícito. A narrativa de “suspensão do tempo” capta o tédio, o desencontro social, os arquétipos do amor contemporâneo, místico, clandestino, sem limites, livre, fugaz, passageiro, fluído, universal, tântrico e platônico na real essência.

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O filme pode ser assistido no Brasil pelo canal de streaming Looke.

Maria Izabelly Lopes

Maria Izabelly Lopes, é ex estudante de jornalismo (grande coisa) e atualmente é quase psicóloga. Viciada em Grey’s Anatomy, sabe bem o que é ser trouxa por séries. Feminista, esquerdista e sem terra de carteirinha. Recifense com muito orgulho e fã de muita coisa.

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