LesB Indica | Uma Boa Menina – o fim de um relacionamento, o luto e uma comédia ácida

“Uma Boa Menina” é um filme de origem estadunidense e não se propõe a ser um filme sobre amor ou feliz. É um longa-metragem sobre sentir o luto por algo e alguém ainda em vida, porém já não faz mais parte dos seus dias e não se encaixa mais na personalidade que você construiu. É um drama bastante misturado com comédia (em alguns momentos bem ácida).

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A protagonista é Shirin (Desiree Akhavan), uma jornalista, bissexual, muito bem resolvida, apesar de expressar, as vezes, certa insegurança. Ela nota que seu relacionamento com Maxine (Rebecca Henderson) já tinha fracassado há muito tempo, e por mais que seu medo da solidão mandasse ela insistir na relação falida, em um dado momento ela precisou começar a aprender a lidar com o fim desse ciclo.

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A história mostra para o espectador a reconstrução de Shirin após o término do relacionamento. O que não é uma narrativa muito bonita. Como todo término, a personagem passa pela situação de não aceitar o fim da relação e tentar reconquistar a amada que de alguma forma ainda ocupa espaço no coração dela entre as outras fases que compõe o luto. “Uma Boa Menina” tem uma trama que se entrelaça com cenas da atual situação da protagonista e de tempos em que o relacionamento com Maxine ainda existia.

Desiree Akhavan, além de ser a protagonista, também é a diretora do filme e consegue trazer uma discussão sobre ciclos e como é importante se colocar em primeiro lugar (as vezes de uma forma egoísta) porque ninguém vai estar naquele lugar a não ser você mesma. Ademais, existe em paralelo, ao desenvolvimento da personagem, uma discussão sobre a sexualidade de Shirin e sua origem persa, pois, apesar de ser uma mulher adulta e muito bem resolvida em relação a isso, ainda existe um receio não superado sobre como sua família iria se comportar e como isso se encaixaria em suas origens.

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“Uma Boa Menina” vale a pena ser conferido por sua capacidade de fazer com que o espectador realmente mergulhe na história de construção e reconstrução de si da protagonista, ao mesmo tempo em que alivia a narrativa com um humor mais ácido. O filme teve sua estreia mundial em 2014 e pode ser assistido no Brasil pelos canais de streaming Looke e Now.

Monica Teixeira

Monica Teixeira é pedagoga e muito apaixonada pelo universo literário. Amante de séries de médico, viciada em tudo que envolve super-heróis e não perde um episódio de Legends Of Tomorrow. Ela vive na Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro.

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