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FLIPOP 2020 | Resumo do segundo dia que contou com Ibi Zoboi, Natalia Borges Polesso e mais

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No segundo dia (10) da FLIPOP – Festival de Literatura POP, que aconteceu online no canal da editora Seguinte no YouTube, ocorreram quatro mesas que debateram questões de representatividade negra, diferentes etnias e suas (in)visibilidades na sociedade brasileira, como também realidades distópicas e a democratização do conhecimento.

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A primeira mesa, intitulada “(In)Visibilidade Brasileira”, teve como participante Julie Dorrico, pesquisadora da literatura indígena e autora de “Eu sou macuxi e outras histórias”; Leo Hwan, cineasta e criador de conteúdo no canal do YouTube “Yo Ban Boo”; Sérgio Motta, escritor no site Resistência Afroliterária e autor de “Spider” e mediação de Mayra Sigwalt, produtora de conteúdo e curadora do Turista Literário. A conversa girou ao redor das vivências de cada um e como foi o processo de identidade indígena, amarela e negra.

Durante o bate-papo, os participantes falaram sobre a falta de representatividade dessas etnias em produções audiovisuais (no caso do Brasil, as novelas) e na literatura, e como este imaginário está coberto de estereótipos e distante da realidade desses povos. Julie Dorrico, inclusive, criticou a universalização das categorias de raça, de sujeito e sexualidade, e ainda a perversidade de algumas obras literárias nacionais ao tratarem deste assunto.

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A segunda mesa, chamada “Saberes e resistências compartilhados”, teve a participação de Elizandra Souza, poeta, jornalista e fundadora do coletivo mjiba; Mateus Santana, comunicador e idealizador da Bienal da Quebrada; Winnie Bueno, ativista do movimento negro e criadora do projeto winnieteca e a mediação de Andreza Delgado, uma das criadoras da Perifacon. O objetivo da conversa foi falar das desigualdades do país e principalmente, a dificuldade das pessoas negras acessarem a literatura.

Para iniciar o assunto, a mediadora fez a provocação: “O que é saber?”. Os palestrantes discursaram sobre o conhecimento ser circular (do mais velho e do mais novo– e vice versa) e o quanto existe uma multiplicidade de saberes ao redor do mundo. Além disso, falaram da invisibilidade do povo negro na literatura e que muitas vezes, o caminho é publicação independente. Eles ainda disseram que é necessário o protagonismo negro nos diferentes espaços sociais (fora de assuntos como resistência e dificuldades) e o como lutam pela democratização da literatura.

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Na terceira mesa, intitulada “Terrores e Distopias”, teve os seguintes participantes: Natalia Borges Polesso, autora de “Controle” e “Amora”; Raphael Montes, autor de “Dias Perfeitos” e “Suicidas”  e mediação de Beatriz D’Oliveira, editora do Grupo Companhia das Letras. Infelizmente, Alec Silva, escritor e editor baiano, um dos criadores do movimento sertãopunk teve problemas na conexão e não conseguiu participar.

Enquanto acontecia a conversa sobre livros de terror no Brasil, as conexões muitas vezes caíam (a única vencedora foi Natalia Borges que permaneceu do início ao fim), transformando a live em divertida e considerada amaldiçoada (risos). Os autores trataram sobre a relação entre ficção e realidade, e como é trazer histórias de terror para a vivência brasileira quando a maioria das referências que existem são estrangeiras.

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Além disso, debateram a importância da representatividade LGBTQIA+ em histórias de ficção, e como mesmo que os livros abordem imaginários que fogem do habitual, existe a possibilidade do erro, pois estão falando de dramas humanos e as pessoas ainda não estão preparados para os colapsos que podem nos alcançar (ninguém esperava uma pandemia em pleno século 21). Natalia e Raphael ainda demonstraram alto conhecimento político e fizeram diversas críticas ao governo atual.

Por último, a quarta mesa, teve uma entrevista com a autora Ibi Zoboi para falar de sua última obra “Orgulho”, uma adaptação contemporânea do clássico “Orgulho e Preconceito”. A conversa foi mediada por Isa Souza (“Vozes Negras”), estudante de ciências sociais e co-criadora do Instagram literário @blogparenteses. Em sua releitura, Zoboi escreve uma história com protagonismo negro e “equilibra identidade cultural, classe e gentrificação com a mágica do primeiro amor”.

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Durante o bate-papo, a autora destacou as diferenças entre seu livro e a obra de Jane Austen, e ainda disse que o seu principal objetivo na narrativa era mostrar o Brooklyn como realmente é, mais do que se passa na mídia. Ainda diz a importância da literatura negra e como espera que sua escrita sirva de inspiração para jovens negras.

Assim, o segundo dia da FLIPOP chegou ao fim, com debates referentes a diversidade cultural, representatividade e vivências na atualidade.

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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

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“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

Pro Mundo (Out!) | Um pouco sobre Ilana Prates de “Um Lugar ao Sol”

Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

Review | Heartstopper – Primeira Temporada

A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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Bombando

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