O mundo da música vem sendo palco parar tratar de temas de gênero e sexualidade já há bastante tempo, mas a cada dia que passa, mais representantes da comunidade LGBTQIA+ utilizam este espaço para contar suas histórias e assim conquistar nossos corações. Nomes como King Princess e Hayley Kiyoko falam abertamente das relações com outras mulheres em suas músicas e abraçam a comunidade para construir suas carreiras.
Por isso, o LesB Out! resolveu iniciar uma nova série, trazendo artistas e bandas que vem utilizando a música para tratar sobre questões sobre sexualidade, relacionamentos e temas que são tão próximos da gente. Este espaço está aberto para enaltecer mulheres que já amamos, assim como conhecer novas caras do cenário queer.
Rizha
Nascida na Argentina, Tamara Luz Ronchese começou a carreira musical ainda na adolescência, no mesmo período em que se mudou para a Espanha, onde mora atualmente. Com o nome artístico de Rizha, a cantora traz uma sonoridade mais para o electropop, meio alternativo e utiliza suas músicas para falar constantemente sobre relacionamentos, em faixas que variam entre o inglês e o espanhol. Recentemente, ela lançou o EP “XX”, apenas com músicas em espanhol.
Além da música, Tamara também vem trabalhando como atriz. Ela já participou de alguns filmes como “Teen Spirit“, protagonizado por Elle Fanning, mas um dos seus trabalhados de maior destaque atualmente é a versão espanhola do sucesso teen “Skam“. Ela entrou na segunda temporada da série, dando vida à Joana, interesse amoroso de Cris (Irene Ferreiro).
Dope Saint Jude
Direto da Cidade do Cabo, na África do Sul, a rapper Catherine St Jude Pretorius, conhecida como Dope Saint Jude, vem conquistando o mundo com a sua música que traz um mix entre o pop e o hip-hop, abordando temas como igualdade racial, sexual e social.
Antes da carreira musical, Catherine começou a performar e fundou o primeiro grupo de Drag King da África do Sul. Poucos anos depois, ela decidiu investir na música, lançando o EP “Reimagine” em 2016, desafiando a cultura do hip-hop e trazendo temas pouco abordados na cena local.
Um dos maiores sucessos da carreira, a música “Grrrl Like”, do EP “Resilient”, ganhou grande notoriedade, fazendo parte da trilha sonora de séries como “Dickinson” e “Kipo and the Age of Wonderbeasts”.
Pvris
Pvris é uma banda de Massachusetts, nos Estados Unidos e é formada por Lynn Gunn, Alex Babinski e Brian MacDonald. Em seu primeiro EP lançado no começo de 2013, a banda trazia uma sonoridade voltada para o pop punk, sempre com destaque para a potente voz da vocalista. No processo de construção do primeiro álbum, lançado em 2014, a banda sofreu algumas alterações tanto na formação como no estilo de música, indo mais para o alternativo com elementos do electropop, mas tudo isso abordado com um toque mais dark e melancólico.
A música “St. Patrick”, primeiro single desta nova fase da banda, aborda uma época da vida da vocalista Lynn e a namorada naquele momento, a também cantora Alexa San Roman. Todo este primeiro álbum explora temas sobrenaturais, envolvendo fantasmas e espíritos, mas isto conectado com conflitos internos da vocalista, incluindo a própria sexualidade.
Atualmente eles estão prestes a lançar o terceiro álbum, “Use Me“, que sairá no dia 28 de agosto.
Heirsound
O duo formado por Alexa San Román e Dane Petersen teve início após o fim da banda “Love, Robot“, que ambos fizeram parte. O projeto começou em 2015 e teve um curto período de vida, porém conseguiu trazer uma nova vertente da dupla que até então tinha uma base voltada para o rock e pop punk. Neste recomeço, eles abusaram do eletrônico, trazendo uma mistura marcante influenciada também pelas origens de ambos, mas com uma nova roupagem.
Durante os dois anos de atividade, a dupla lançou o Ep “Merge” e a trilogia chamada “Layers”, sempre trazendo letras fortemente baseadas nos altos e baixo de relacionamentos passados. Apesar do fim prematuro, vale a pena conhecer o som do Heirsound!
G Flip
Georgia Flipo, conhecida artisticamente como G Flip, é uma cantora, produtora e baterista de Melbourne, na Austrália. Com uma vibe voltada para o indie pop, ela começou a chamar atenção na cena musical local já com o primeiro single “About You”, lançado em 2018. No ano seguinte, chegou o álbum de estreia, um diário confessional com letras sobre relacionamentos, entre términos e reconciliações.
A cantora aposta em uma sonoridade cativante e viciante, sendo impossível parar em apenas uma música. O último lançamento da G Flip foi a música “Hyperfine”, que teve o clipe divulgado em maio deste ano. Agora ela trabalha no sucessor do primeiro ano, que ainda não tem data para sair.
A Mixtape LesB Out! é um espaço para conhecer novos artistas, mas também para divulgar para ainda mais pessoas as cantoras que vocês amam. Por isso, precisamos da ajuda de vocês! Deixem nos comentários sugestões de nomes que gostaria de ver aqui e vamos construir esta playlist juntas.
Jornalista nascida no Rio de Janeiro e atualmente morando em Fortaleza. Cresceu assistindo filmes da Sessão da Tarde, Dragon Ball e Xena: A Princesa Guerreira. Constantemente falando coisas aleatórias sobre cinema, televisão e música.
Assumir que há competitividade entre as mulheres LGBTQIA+ é perceber que, infelizmente, essa realidade existe entre as mulheres da comunidade, mas enfrentar isso nos dá uma chance de entender e repensar essa atitude, de como estamos lidando com a companhia das outras, por que isso acontece e como afeta nossa saúde mental.
Quando falamos de saúde mental, na maioria das vezes a associamos a processos individuais, mas saúde mental é muito mais do que isso, como estamos trazendo em vários textos aqui na coluna de Saúde Mental do LesB Out!. Pensando na saúde mental de mulheres LGBTQIA+, há temas específicos que surgem diante das nossas vivências e que dificilmente estão em revistas científicas ou são temas de estudos feitos na área acadêmica, mas que estão sendo discutidos e percebidos por quem vive essa realidade.
Quem nunca frequentou um espaço (o famoso rolê) em que estejam outras mulheres da comunidade LGBTQIA+ e em que, mesmo antes de trocarem palavras (e de chegarem a fazer isso, pois, muitas vezes, as conclusões são tiradas por meio de olhares), acaba se criando um espaço de competição? Essa guerra silenciosa que é armada evidencia alguns fatores que resultam no fortalecimento de estereótipos que tanto lutamos para extinguir.
Nessa disputa presencial entram tópicos como: quem está gastando mais dinheiro, quem está acompanhada da mulher mais bonita (e, se for uma mulher — por exemplo, se for um homem acompanhando uma mulher bissexual —, essa mulher pode sofrer até silenciamento por causa disso) e até questões sobre quem está vestindo o melhor look. Então, quando comparações financeiras e físicas são feitas, cria-se uma situação que abre espaço para que pequenas violências sejam cometidas umas contra as outras, mesmo que de forma velada.
Consequentemente, isso deixa explícito o quanto essa competitividade é um empecilho para o fortalecimento de nós, mulheres LGBTQIA+, tanto de forma coletiva quanto individual. Temos o direito de sentir afeto e acolhimento umas com as outras e, enquanto grupo, politicamente falando. Afastar-nos desse lugar de afeto que merecemos reforça as ações estereotipadas que nos agridem. Desse modo, é importante reforçar a importância de não reproduzir essas atitudes que influenciam nossa saúde mental, para, assim, gerar acolhimento de todas as formas enquanto comunidade.
“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.
No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.
Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.
O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.
A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.
A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.
Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.
Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video“The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?
Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?
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