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Resenha | O suave tom do abismo (absorção) – uma história para além do amor

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Ficha Técnica
Livro: O suave tom do abismo (absorção)
Autor: Diedra Roiz
Editora: Vira Letra
Número de Páginas: 270
Ano de Lançamento: 2015


O livro “O suave tom do abismo (Absorção)” é a primeira parte de uma história que traz em suas páginas um triste e escuro futuro fictício, e conta a vida de duas garotas vivendo em realidades sociais completamente opostas. A autora nos apresenta Alexandra, uma menina de família humilde que mora na parte baixa da cidade e sobrevive com o básico. Alex, como é chamada carinhosamente por todos que a amam, é uma pessoa misteriosa, repleta de anseios, medos, inseguranças e traumas, e por isso ela se fecha como o quanto pode para qualquer tipo de afeto.

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Por outro lado, temos Sofia, uma jovem de família rica, nunca ousou tocar em um prato para lavar ou em uma vassoura para varrer a casa, mas atreveu-se em ter objetos proibidos consigo: livros. Naquela sociedade, livros como fonte de conhecimento e distração eram restritos, mas ela possuía uma coleção deles todos muito bem escondidos e muito bem aproveitados. A moça aprendeu sobre coisas do mundo que a faziam diferente dos outros e queria mostrar para todos a maravilha que era poder ler um livro.

Apesar de separadas por mundos opostos, as moças carregam algo em comum: uma dor tão profunda que a impressão que dá é que jamais será curada. Alex perdeu alguém, de uma maneira brutal e traumatizante. Sofia também. E é na perda da segunda que as jovens se encontram. A moça da cidade alta está jogada no chão com um corpo sem vida em suas mãos quando Alex, em um ato repentino de empatia, resolver ajudá-la e a partir daí as vidas delas se cruzam para sempre.

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A autora descreve com intensidade o primeiro encontro delas, como se fossem alma gêmeas atravessadas pelo drama. E a intensidade só aumenta a cada dia que elas precisam conviver lado a lado. As duas se encantam, mas construíram tantos muros ao redor de seus sentimentos que qualquer tipo de ligação mais intensa sinaliza perigo, que é bem maior para Alexandra.

Diedra traz no enredo da história, além de amor, drama e tentação, os segredos mais profundos que Alex carrega que podem ser gatilhos para muita gente. Ela descreve o estupro coletivo em que a menina foi submetida ao ter sua orientação sexual exposta para a cidade inteira. Além de ter passado pela mais cruel situação imaginável, Alexandra se torna uma vergonha para a família por ter se deitado com outra mulher.

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Aos poucos as jovens vão cedendo a tentação de se relacionarem de alguma forma. Alexandra tenta, pouco a pouco, se tornar gentil com Sofia que por outro lado começa a gostar da situação em que se encontra. Só que aquela sociedade em que viviam jamais permitiriam que o que sentem uma pela outra seja de fato real, então antes mesmo de se machucarem ou de Alex ter que passar por tudo de novo, Sofia toma uma decisão drástica e muda o rumo dela e daquela família. E assim, a autora termina a primeira parte de sua história.

Monica Teixeira é pedagoga e muito apaixonada pelo universo literário. Amante de séries de médico, viciada em tudo que envolve super-heróis e não perde um episódio de Legends Of Tomorrow. Ela vive na Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro.

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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

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“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

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Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

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A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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Bombando

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