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Harley Quinn – queda, ascensão e liberdade

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Harley Quinn ou Arlequina, como preferir chamá-la, é hoje um dos principais pilares do universo da DC, mas não era para ser exatamente assim. Harley foi criada por Paul Dini e Bruce Timm, em 1992, por motivos puramente machistas. Rumores estavam crescendo de que Batman e Coringa poderiam ter uma espécie de relação platônica em que eram apaixonados um pelo outro e para desfazer essa história, foi introduzida em “Batman: A Série Animada”, em 1992, uma suposta namorada para o vilão, a Harley.

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Criada para aparecer somente uma vez, a personagem não tinha uma história, ela simplesmente apareceu como parceira e capacho do Coringa, mas sem muitas explicações. O que mudou tudo foi o sucesso que a palhaça fez. Na época ela atingiu o público de uma maneira que ninguém esperava, então começou a ser introduzida também nas HQs do universo do Batman.

A origem –  de Dra Harleen Quinzel à criminosa Harley Quinn

“Não me chame de burra. Eu tenho PHD”

Com o nome de Harleen Frances Quinzel ela teve sua origem como uma menina que foi criada em uma família difícil. Sua mãe, seu pai e seus irmãos tinham um caráter relativamente duvidoso, e Harley, escapando da linhagem de criminosos, foi fazer faculdade de Medicina se tornando uma psiquiatra sendo a melhor da turma. Porém, em uma outra origem, Harley não era exatamente inteligente e entrou para o curso de Medicina se aproveitando da sua beleza e de seu poder de sedução para se formar.

Independentemente de qual das origens é abordada, o foco de pesquisa dela permanece o mesmo, criminosos. O que muda em relação a isso, dependendo de onde e por quem a história é contada, é a sua paixão pelo Coringa. Em alguns momentos é abordado que a psiquiatra já era obcecada pelo vilão mesmo antes de começar a trabalhar no Arkham, em outros é dito que, por ser nova no asilo, ela foi colocada para trabalhar com ele e acabou sendo seduzida e manipulada.

Sem ter como escapar do seu novo caso, Harley se apaixonou definitivamente pelo palhaço ajudando-o com êxito a fugir da prisão. Coringa precisava de um capacho, que se arriscasse mais do que ele e que estivesse disposto a dar a vida por ele, assim, machucou a psiquiatra física e psicologicamente utilizando de diversos meios de tortura, sendo um deles, o seu famoso ácido (história contada em “Esquadrão Suicida”). Assim, os dois começam uma vida de crimes infernizando Gotham e o próprio Batman.

Queda e ascensão: o amor por uma mulher salvou a vida de Harley?

Depois de ser deixada para morrer e depois de muitas (muitas mesmo) agressões físicas e psicológicas do Coringa, Harley encontrou apoio na Mulher-Gato e na Hera Venenosa, trio que mais tarde se tornou as Sereias de Gotham, grupo de vilãs que aterrorizam a cidade. O que a ex psiquiatra não esperava, era que ia se apaixonar, de verdade por Hera, a menina das plantas.

As duas engataram uma relação em que Harley teve a sua ascensão e melhor fase. Depois de um relacionamento horrível, a palhaça encontrou suporte nos braços de uma mulher que a salvou, pois não iria demorar muito para ela morrer nas mãos do ex. Ela ainda vive uma vida de crimes por Gotham, aterrorizando como quer e sempre escapando das mãos dos justiceiros, pois, apesar de ter sido salva, ela ainda é uma vilã.

Hoje Harley e Hera protagonizam um dos casais sáficos mais famosos do mundo dos super-heróis, tendo recentemente ganhado uma mini-série nas HQs “Harley Quinn: The animated series” que corresponde a um spin-off da série animada da personagem. Mas, é importante ressaltar que as personagens tem foco nesse spin-off e na série animada (até então). No que diz respeito ao universo regular do Batman, elas estão separadas.

A série animada Harley Quinn: um importante ponto de crescimento

Como citado, hoje temos uma série animada totalmente focada na personagem. Com a dublagem de Kaley Cuoco, “Harley Quinn”, desenvolvida por Justin Halpern e Patrick Schumacker, é uma animação adulta disponível no canal de streaming da HBO Max. É um ponto importante na evolução da personagem, pois mostra a sua emancipação, deixando bem claro que ela não vai mais aturar o namorado abusivo, ao mesmo tempo em que ela tenta construir a sua imagem de vilã solo.

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Em alguns momentos a produção faz referência às Sereias de Gotham, porém a ideia de Harley é ser conhecida como uma vilã independente, que não precisa de uma equipe, mesmo que, ironicamente, ela precise de uma equipe para se afirmar assim.

É nesse momento em que o relacionamento de Harley e Hera (Lake Bell), casal conhecido pelo nome de Harlivy, fica mais explícito. As duas se envolvem romanticamente na segunda temporada e terminam fugindo juntas.

Universo cinematográfico: Esquadrão Suicida x Aves de Rapina x O Esquadrão Suicida

No cinema, Harley teve sua primeira apresentação em “Esquadrão Suicida”, de David Ayer, em 2016, através da atuação de Margot Robbie. Neste longa-metragem, a personagem ainda está presa ao Coringa, em uma vida totalmente dependente das ações do criminoso, inclusive, é ele quem supostamente a salva de morrer. É possível perceber que enquanto a personagem está nesse relacionamento, ela é totalmente submissa ao namorado, usando roupas curtas, rasgadas e uma gargantilha como a personificação de uma coleira com o apelido que chama o amado “PUDDIN”.

Já em 2020, em “Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa”, de Cathy Yan, como o título do próprio filme já traz, é quando Harley finalmente se sente forte o suficiente para sair da vida que havia dedicado ao palhaço. Com Robbie reprisando o papel, a produção fala sobre crescimento pessoal e emancipação. Porém, não bastava Harley dizer para o mundo que não era mais “a namorada do Coringa”, ela tinha que provar, a partir disso, ela começa sua própria jornada de crimes. No longa-metragem, é mencionado por alto a relação de Harley com Hera que não teria dado certo.

 

Este ano (2021) a DC lançou o novo filme do Esquadrão Suicida, inicialmente nomeado como “Esquadrão Suicida 2”, contudo, quando lançado ficou apenas “O Esquadrão Suicida”, este tendo a direção de James Gunn. Margot, novamente, reprisa o papel de Harley, agora completamente emancipada, sendo convocada para mais uma missão suicida, que heróis jamais seriam capazes de fazer (ou apenas não seria ético que fossem). Sem mencionar relacionamentos durante o longa, a personagem segue na trama como uma forte mulher e com todas as suas características de vilã bem destacadas. Esta é uma boa produção para lembrar que, apesar de em “Aves de Rapina” Harley ter agido, inicialmente, como algo mais parecido com uma justiceira, aqui é nítido o espírito vilanesco da personagem, porque é exatamente o que ela é e como foi construída para ser, e isso independe de não estar mais com o Coringa.

Depois de uma trajetória de queda e sofrimento, Harley hoje se apresenta como uma importante representatividade bissexual no universo dos quadrinhos, série e cinema. Ela não é a representação perfeita, pois sua história foi e muitas vezes ainda é escrita em cima de estereótipos arcaicos sobre a bissexualidade, porém, ela ganha importância por ser uma das poucas personagens com o direito de ser aberta com a sua sexualidade em todos os meios de distribuição em que aparece (quadrinhos, séries e filmes) e que conseguiu se destacar atualmente. Uma parte dessa vitória atual foi também graças a própria Margot, que segue reforçando a bissexualidade da sua personagem publicamente e ainda segue em busca de juntar Harley e Hera Venenosa no cinema de alguma forma.

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Se por um lado temos a Mulher-Maravilha como parte do pilar heróico da DC, por outro lado temos Harley Quinn como parte do pilar de vilões da produtora. Com inicio da reconstrução do universo cinematográfico da DC, a vilã se tornou a única a ser conhecida e reconhecida como vilã mais de uma vez no universo, compondo, como citado acima, três filmes em que se destaca como protagonista.


Obs.: Todos os filmes citados acima estão disponíveis no Brasil pelo canal de streaming HBO Max.

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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

ANNE+: O Filme e o relacionamento de Anne e Sara em uma nova fase

“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

Pro Mundo (Out!) | Um pouco sobre Ilana Prates de “Um Lugar ao Sol”

Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

Review | Heartstopper – Primeira Temporada

A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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Bombando

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