LesB Indica | Ammonite – longa-metragem importante e necessário

Passado em 1840 e dirigido por Francis Lee, os primeiros minutos de “Ammonite” já ditam o ritmo para o restante do filme: acompanhamos a vida pacata e solitária da introspectiva Mary Anning (Kate Winslet), que prefere a companhia dos fósseis a pessoas. A morbidez de seu cotidiano só é interrompida com a chegada de Charlotte (Saoirse Ronan), que, tendo de ficar sob os cuidados de Mary, muito aos poucos, passa a se aproximar dela.

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Com seus dias de fama ficados para trás, Anning agora procura por fósseis comuns para vender para turistas, com intuito de sustentar a si mesma e a sua mãe doente. Quando um homem rico lhe oferece um trabalho, ela passa a criar laços com a esposa dele que é a Charlotte.

O roteiro é bem-sucedido ao usar a trama central para tecer pertinentes observações sobre o papel social feminino no século XIX e mesmo com tanto sendo explorado nas entrelinhas, é uma pena que o romance que ancora “Ammonite” seja tão morno e insosso, jamais transcendendo as amarras educadas do filão de filmes de época. De certa forma, o longa-metragem revisita temas do excelente “Retrato de uma Jovem em Chamas” através de um prisma decididamente britânico, com muita atenção sendo dada ao choque de classes e à vida profissional.

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As ondas do mar, os sons da praia e das rochas, que muitas vezes se sobressaem aos poucos diálogos, contribuem para a imersão no cotidiano da produção e, ao criarem uma atmosfera sensorial, ajudam, inclusive, na construção da intimidade entre as protagonistas. Procurando os pequenos detalhes e simbologias, o longa cria uma atmosfera intimista que quase compensa a falta de toque ao tentar retratar um relacionamento entre mulheres.

Apesar das diversas críticas (minhas inclusive), “Ammonite” é uma produção importante e necessária para debatermos assuntos importantes. E nos lembrar como o amor entre duas mulheres sempre foi e, infelizmente, continua sendo um tabu em produções cinematográficas. O longa teve sua estreia em 13 de novembro de 2020 e você pode assistir pelo Youtube e pelo Google Play Filmes ambos no esquema gostosinho de locadora.

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Maria Izabelly Lopes

Maria Izabelly Lopes, é ex estudante de jornalismo (grande coisa) e atualmente é quase psicóloga. Viciada em Grey’s Anatomy, sabe bem o que é ser trouxa por séries. Feminista, esquerdista e sem terra de carteirinha. Recifense com muito orgulho e fã de muita coisa.

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