Resenha | É assim que se perde a guerra do tempo – um romance que não tem nada de épico

Ficha Técnica
Livro: É assim que se perde a guerra do tempo
Autores: Amal El-Mohtar e Max Gladstone
Tradução: Natalia Borges Polesso
Editora: Suma
Número de Páginas: 192
Ano de Lançamento: 2021


O novo livro da Suma, “É assim que se perde a guerra do tempo” é um romance que não agradará a todos.

Apresentado como uma grande história de amor entre inimigas em um futuro desconhecido e em ruínas, a trama acompanha duas agentes de fações rivais, Red e Blue, batalhando uma guerra através do tempo e espaço com o objetivo de assegurar o melhor futuro para seus respectivos lados. Então, quando Blue deixa uma carta com os dizeres “Queime antes de ler”, entre cinzas, a soldada Red prontamente se sente tentada a ler.

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Entre correspondências recheadas de desconfianças e modos muito criativos de se relacionar, Red e Blue desafiam seus superiores e suas vidas ao começar a desenvolver sentimentos uma pela outra. Afinal, esse romance só tem um destino possível: a morte, pois, mesmo no meio de palavras bonitas, a guerra continua e alguém precisa vencer.

“Mas se você tem fome, eu me dilato. Você me fez observar pássaros, e embora eu não saiba seus nomes, como você sabe, tenho visto pequenos cantores cintilantes inflarem-se antes de cantar. É assim que eu me sinto. Eu canto a mim mesma para vocês, e minhas patas agarram galhas, e fico exausta até que sua próxima carta me dê fôlego, me encha até estourar.”

“É assim que se perde a guerra do tempo” é dividido em partes: a visão de Red e a visão de Blue, e cada final de capitulo é acompanhado de uma carta.  Apesar das cartas serem poéticas e carregadas de emoção, os capítulos são completamente o oposto ao apresentar, em sua maioria, palavras desconexas e frases sem objetivos nenhum a não ser demonstrar como uma das agentes encontram as “cartas”.

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O livro escrito por dois autores, Amal El-Mohtar e Max Gladstone, não cria vínculo com o leitor ao não descrever os personagens e nem mesmo o futuro que vivem. Tudo fica a par de quem está lendo, entretanto, não é possível entender um mundo completamente novo apenas através de cartas ou capítulos curtos, em que Red e Blue sempre estão no meio de uma guerra. Além disso, a história não possui ordem cronológica, tornando-se impossível identificar quanto tempo as personagens se relacionaram.

A narrativa de “É assim que se perde a guerra do tempo” só se torna minimamente interessante a partir de mais da metade do livro, o que é realmente difícil conseguir avançar tanto até lá. A trama tinha tudo para ser perfeita, porém, foi mal construída, confusa e não entrega nada de romance, sendo que nem conseguimos saber se as personagens são realmente humanas, uma espécie evoluída ou mutantes.

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De modo geral, não vá com muita sede ao pote. Você pode gostar de ficção e romance, mas lembre-se: esse livro não vai te entregar um “romance épico” como a sinopse vende, o máximo que você vai receber são poucas palavras bonitinhas e um “casal” que nem ao menos se encontram de verdade.

“Amor é o que temos, contra o tempo e a morte, contra todos os poderes dispostos a nos aniquilar.”


Obs: livro cedido pelo Grupo Companhia das Letras para resenha.

Bruna Fentanes

Baiana, designer e estudante de jornalismo. Acredita que vive em seu próprio conto de fadas e se divide entre suas duas obsessões: livros de romance e séries teen.

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