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LesB Indica | Carmilla: websérie singular para a comunidade LGBTQ+

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Vocês já podem ter ouvido falar de “Carmilla” em diferentes âmbitos e em diferentes segmentos da mídia. Primeiramente, “Carmilla” é uma história do autor J. Sheridan Le Fanú, publicada originalmente em 1872 na coletânea de contos “In a Glass Darkly”, 25 anos antes do vampiro Drácula, que sem dúvidas é a maior referência quando o assunto são essas criaturas míticas.

Le Fenú criou um livro realmente muito importante no sentido histórico pois, se uma referência de romance homoafetivo desperta o pior entre as pessoas intolerantes nos dias de hoje, imagine isso em meados do século XIX? E mesmo assim não é tão lembrada e citada quanto a obra de Bram Stoker.

O livro apresenta uma das primeiras interações lésbica aberta na literatura, se tornando um pioneiro em dois grandes e importantes quesitos. Talvez por isso, o livro de Stoker, que traz um homem hétero como protagonista, tenha feito muito mais sucesso pelo mundo do que a vampira que seduzia mulheres. E, infelizmente, entende-se, até mesmo pela época em que a história foi lançada, o porquê disso.

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Em 2014, o livro de Le Fenú ganhou uma adaptação de mesmo nome no canal Kinda TV no YouTube, uma websérie que apresentava Laura Hollis (Elise Bauman), uma jovem universitária da Universidade Silas, localizada em um lugar pitoresco na Áustria, onde coisas estranhas sempre acontecem. O que começa com a busca da colega de quarto desaparecida, e o aparecimento de outra, Carmilla Karnstein (Natasha Negovanlis), que surge cheia de segredos, se transforma em um mistério que atormenta toda a universidade há anos.

Originalmente a websérie estava programada para ter somente uma temporada, porém com o grande sucesso e apelo dos fãs, “Carmilla” ganhou um especial de natal, duas temporadas e mais uma bônus, um filme, um livro que será lançado no ano que vem e ainda circulam rumores por aí de uma série em horário nobre. Além de tudo isso, as protagonistas ganharam por dois anos consecutivos o CSA Fan Choice Award e a série foi nomeada ao Brand Content of the Year Award, em Cannes.

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Carmilla”, seja o livro original, a websérie ou o longa-metragem, carrega muita importância e representatividade, e isso se reflete em todo o sucesso que ela faz, sendo exibida em 193 países e vista por mais de 71 milhões de pessoas. Além de trazer um casal homoafetivo como protagonista, o elenco também é cercado de diversidade pois temos no núcleo principal uma atriz assumidamente pansexual, outra bissexual e uma pessoa não-binária. E não para por aí, além de trazer representatividade para dentro e fora das telas, a produção ainda possui uma leva de atores que se dedicam a lutar pelos diretos da comunidade LGBTQ+.

Carmilla” pode até ser uma história de vampiros, mas ela não é só isto, ela traz uma forte mensagem que nos incentiva a nunca desistir mesmo quando tudo parece impossível. Nunca desista da sua verdade, não importa o que.

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Se você ainda não assistiu a websérie, confira o trailer abaixo e se apaixone.

Myrella Oliveira é a co-criadora do LesB Out!, estudante de Publicidade, designer e sonha mais do que pode realizar. Acumula livros que não tem tempo pra ler e séries que não tem tempo para assistir. Feminista, bissexual e orgulhosa, além de ser esquecida e absurdamente dramática. Enxerga o mundo de um jeito bem singular. Mora no litoral ensolarado do Rio de Janeiro.

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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

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“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

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Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

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A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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