Muitos de nós já passamos pela experiência de reencontrar pela primeira vez, após o termino, o ex ou a ex. É estranho encontrar alguém com quem você compartilhou diversas histórias e sentimentos, e perceber que vocês não têm a mesma ligação, até um abraço que antes era algo tão comum, se torna estranho. Por outro lado, o reencontro traz à tona sentimentos familiares, afinal aquele indivíduo te conheceu profundamente. É desta experiência que se trata a websérie “Control”.
A websérie nasce após o sucesso do curta-metragem de mesmo nome. Escrito e dirigido pela polonesa Natasza Parzymies, “Control” é uma história de amor ambientada em uma verificação de segurança do aeroporto. O curta de dois minutos ultrapassou mais de oito milhões de visualizações no Youtube, fazendo com que a diretora percebe-se que havia muito mais a ser explorado daquelas personagem, e assim o curta se torna uma produção para a web.
Em seis episódios somos levados a conhecer a história de Natalia (Ada Chlebicka) e Majka (Ewelina Pankowska). Natalia é segurança no aeroporto de sua cidade, e seu trabalho faz ela reencontrar Majka. A personagem de Ewelina, ao passar pela área de segurança precisa ser revistada, é então que Natalia surge para cumprir sua função. A situação gera um desconforto não apenas nas personagens, mas em nós que assistimos a cena. Apesar de agirem como estranhas, é visível que aquelas mulheres possuem ou possuíram uma grande intimidade, e aquele reencontro produz diversos sentimentos.
Para entender o que se passa com Natalie e Majka, a série nos apresenta diversos flashbacks ao longo da temporada. Este recurso é utilizado para nos mostrar como elas se conheceram, como eram as coisas enquanto estavam juntas, o que as separou. Sim, no início da série elas não estão mais juntas, mas será que até o fim da temporada o romance será reatado?
A produção polonesa se assemelha a outros enredos já conhecidos e muito utilizados em filmes e séries LGBTQIA+: personagem “A” namora com o personagem “C”, mas percebe que está apaixonada pela personagem “B”, e assim inicia-se os conflitos internos e as dúvidas para saber quem é e com quem quer estar. Apesar deste plot bastante desgastado, a websérie é maravilhosa, principalmente por causa de dois fatores: o visual, que é muito agradável, e a química entre as protagonistas.
Apesar do final da temporada não ter agradado a todos, a finalização foi coerente para a história e as atitudes daquelas personagens. A série tem seus altos e baixos, mas acredito vale muito a pena conferir, principalmente por ser tratar de uma produção que foi desenvolvida num contexto e país tão diferente do nosso.
Assumir que há competitividade entre as mulheres LGBTQIA+ é perceber que, infelizmente, essa realidade existe entre as mulheres da comunidade, mas enfrentar isso nos dá uma chance de entender e repensar essa atitude, de como estamos lidando com a companhia das outras, por que isso acontece e como afeta nossa saúde mental.
Quando falamos de saúde mental, na maioria das vezes a associamos a processos individuais, mas saúde mental é muito mais do que isso, como estamos trazendo em vários textos aqui na coluna de Saúde Mental do LesB Out!. Pensando na saúde mental de mulheres LGBTQIA+, há temas específicos que surgem diante das nossas vivências e que dificilmente estão em revistas científicas ou são temas de estudos feitos na área acadêmica, mas que estão sendo discutidos e percebidos por quem vive essa realidade.
Quem nunca frequentou um espaço (o famoso rolê) em que estejam outras mulheres da comunidade LGBTQIA+ e em que, mesmo antes de trocarem palavras (e de chegarem a fazer isso, pois, muitas vezes, as conclusões são tiradas por meio de olhares), acaba se criando um espaço de competição? Essa guerra silenciosa que é armada evidencia alguns fatores que resultam no fortalecimento de estereótipos que tanto lutamos para extinguir.
Nessa disputa presencial entram tópicos como: quem está gastando mais dinheiro, quem está acompanhada da mulher mais bonita (e, se for uma mulher — por exemplo, se for um homem acompanhando uma mulher bissexual —, essa mulher pode sofrer até silenciamento por causa disso) e até questões sobre quem está vestindo o melhor look. Então, quando comparações financeiras e físicas são feitas, cria-se uma situação que abre espaço para que pequenas violências sejam cometidas umas contra as outras, mesmo que de forma velada.
Consequentemente, isso deixa explícito o quanto essa competitividade é um empecilho para o fortalecimento de nós, mulheres LGBTQIA+, tanto de forma coletiva quanto individual. Temos o direito de sentir afeto e acolhimento umas com as outras e, enquanto grupo, politicamente falando. Afastar-nos desse lugar de afeto que merecemos reforça as ações estereotipadas que nos agridem. Desse modo, é importante reforçar a importância de não reproduzir essas atitudes que influenciam nossa saúde mental, para, assim, gerar acolhimento de todas as formas enquanto comunidade.
“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.
No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.
Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.
O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.
A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.
A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.
Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.
Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video“The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?
Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?
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