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As melhores séries com personagens femininas LGBTQIA+ de 2022

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O ano está terminando e vocês já sabem o que vem por aí, né? Ela mesma, o clássico ranking com as melhores séries do ano! Esse é um momento muito esperado pela equipe e espero que por vocês também!

O ano de 2022 foi mais um com uma diversidade enorme de produções com personagens sáficas, passeando por todos os gêneros e streamings, produções nacionais e de diversas partes do mundo. Mas o ano também ficou marcado por mais uma onda de cancelamentos.

Apesar de termos mais espaço para mais conteúdo LGBTQIA+, principalmente nesse momento de ascensão dos serviços de streamings, ambiente que proporcionam mais liberdade para os seus criadores, infelizmente, muitas das produções tem vida curta, e isso vem se tornando cada vez mais recorrente.

E isso reflete também na nossa lista. Apesar da qualidade dessas produções, já que elas estão entre as nossas dez séries preferidas do ano, algumas do nosso ranking, infelizmente, foram canceladas bem mais cedo do que deveriam. Mas, apesar do clima melancólico, é importante enaltecer essas produções e principalmente, assisti-las!

Assim como nos semestres anteriores, a equipe do LesB Out! fez uma grande curadoria das séries do ano, e através de uma votação interna, fechamos uma lista com as dez melhores séries com personagens femininas LGBTQIA+ de 2022.

Falem sobre essas produções, assistam e divulguem!

Confira o nosso TOP 10:

10º: The Sandman – 1ª temporada | por Carol Moreno

Uma das séries mais aguardadas do ano da Netflix, “The Sandman” é baseado na história em quadrinhos de Neil Gaiman, publicadas pela DC Comics inicialmente entre 1988 e 1996. A produção conta a história de Morpheus (Tom Sturridge) (também chamado de Sonho ou Sandman), que é um perpétuo, juntamente com seus seis irmãos: Destino, Morte, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio, entidades responsáveis pela ordem e coesão da realidade. A série se inicia quando humanos, em busca da imortalidade e do retorno de entes queridos mortos, tentam capturar a Morte, mas acabam capturando Morpheus, que fica preso por um século.

Por mais que ainda tenha apenas uma temporada lançada, a série já apresentou mais de um arco da história dos quadrinhos, o que possibilita a apresentação de mais personagens diferentes, e assim, também, mais diversos, juntamente com a escolha nítida da produção da série para que essa diversidade existisse (em termos raciais, de gênero e de sexualidade). Temos nesta temporada algumas personagens femininas sáficas, começando por Johanna Constantine (Jenna Coleman), uma versão de John Constantine, descrita como uma detetive do oculto, sua ex-namorada, Rachel (Eleanor Fanyinka), que acaba presa em seus sonhos ao tentar fugir da realidade, e Judy (Daisy Head), moradora de uma cidade pequena e visitante frequente de uma lanchonete.

Na série também temos Mazikeen (Cassie Clare), aliada de Lúcifer (Gwendoline Christie), que talvez muitos já conheçam da própria série Lúcifer (nos quadrinhos as séries são do mesmo universo), que apesar de não ter sua sexualidade descrita em “The Sandman”, ela é bissexual nos quadrinhos.

9º: Stranger Things – 4ª temporada | por França Louise

“Stranger Things” voltou para sua quarta temporada com tudo. O site da Netflix chegou a ficar fora do ar no dia da estreia. A série só perdeu o posto de maior estreia do ano para “Wandinha”, mas ainda sim, é de longe um dos carro-chefes do streaming.

Nesta temporada, existem três núcleos: Hawkins, Rússia e Califórnia. Boa parte da temporada toda não houve interligações entre os núcleos, mas foi interessante ver como se desenvolveram. O núcleo de Hawkins com certeza roubou a cena com Max (Sadie Sink), Lucas (Caleb McLaughlin), Dustin (Gaten Matarazzo) e companhia, além da adição de Eddie (Joseph Quinn), já que eles basicamente tinham mais internações com o mundo invertido, mesmo sem a presença de Eleven (Millie Bobby Brown). Já com ela, voltamos no passado e tivemos algumas respostas para questões que estavam em aberto desde a primeira temporada.

Uma das coisas mais interessantes foi ver o desenvolvimento da amizade de Robin (Maya Hawke) e Nancy (Natalia Dyer), esperamos que na próxima temporada tenhamos mais dessa dupla, e além disso, vimos um crush para Robin (finalmente) que mesmo tendo sido pouco desenvolvido, cria uma certa esperança de que na próxima temporada aconteça algo mais.

8º: Paper Girls – 1ª temporada | por Carol Moreno

Divulgada como a versão do Prime Video de “Stranger Things”, “Paper Girls” conta a história de quatro meninas adolescentes muito diferentes entre si, Erin (Riley Lai Nelet), Mac (Sofia Rosinsky), Tiffany (Camryn Jones) e KJ (Fina Strazza), que são entregadoras de jornal em 1988. Durante a sua rota de entrega no Dia do Inferno (o dia após o Halloween), situações estranhas acontecem e as garotas acabam viajando no tempo para 2019, onde encontram a versão adulta de Erin (Ali Wong) e ficam envolvidas na luta entre facções do futuro que querem controlar a viagem no tempo. A série é baseada nos quadrinhos de Brian K. Vaughan.

Apesar da divulgação, a série não é como a da plataforma de streaming concorrente, focando na vivência das meninas descobrindo o que crescer e se tornar uma pessoa diferente do esperado (por elas mesmas e pelos outros) significa, tudo isso envolto na temática da viagem no tempo. Dentre outras tramas, acompanhamos KJ, que apesar de ser a menina vista como privilegiada entre as amigas, por ser de uma família com dinheiro, não parece se sentir confortável com tudo aquilo e não se sente pertencente. Ao encontrar no futuro a sua versão adulta, a adolescente descobre que tem uma namorada, o que a coloca no caminho de entender sobre seus sentimentos. Além disso, é subentendido que KJ sente algo por sua amiga Mac.

Infelizmente, a produção não terá uma segunda temporada, se juntando às muitas séries com personagens sáficas canceladas esse ano. A história já está completa nos quadrinhos, lançado em seis edições, e podem ser encontrados nas livrarias.

7º: Home Economics – 1ª e 2ª temporada | por Grasielly Sousa

“Home Economics” poderia ser apenas mais uma comédia familiar da fórmula que o canal americano ABC aperfeiçoou nos últimos anos. E ela realmente usa bastante dessa fórmula de sucesso, que já trouxe nomes como “Modern Family” e “Black-ish”, mas ao longo da primeira e segunda temporada, que chegou ao Brasil este ano no Prime Video, a série vai construindo a sua própria identidade, com um elenco competente e carismático e um roteiro que sabe aproveitar ao máximo do potencial de cada um. A produção acompanha a relação de três irmãos (interpretados por Topher Grace, Caitlin McGee e Jimmy Tatro) e a situação financeira de cada um: um pai solteiro, recentemente divorciado e extremamente rico; um escritor tentando escrever um novo best-seller depois do fracasso do último livro, classe média com três filhos; e a irmã desempregada, vivendo em um apartamento minúsculo com a esposa e duas crianças.

O casal formado por Sarah (personagem da McGee) e Denise (Sasheer Zamata) trazem uma representatividade que ainda é difícil ver nos dias de hoje: um casal já de longa data, com filhos, em uma outra fase da vida, e isso no palco principal, não como secundárias. Em tantos anos com comédias familiares em alta, é ótimo poder ver finalmente a nossa realidade sendo retratada e de uma maneira tão bem feita e cheia de coração.

6º: Warrior Nun – 2ª temporada | por Pollyelly Florêncio

Após dois anos de espera, finalmente tivemos a segunda temporada de “Warrior Nun”, na Netflix. Uma série que desde o seu inicio apresentou uma premissa interessante, a existência de um grupo secreto de freiras guerreiras que luta contra demônios, e que é comandado por uma irmã que possui um objeto divino capaz de lhe dar poderes (o halo).

A segunda temporada superou todas as expectativas, principalmente no quesito de efeitos especiais, algo pelo qual havia recebido muitas críticas no primeiro ano. Além disso, tivemos novamente cenas de luta incríveis e muito bem coreografadas, com excelentes planos sequência, e a melhor parte, arco de desenvolvimento de todos os personagens que conhecemos, nos apresentado novos lados dessas personagens, e acrescentando camadas interessantes em suas personalidades.

Mas não vamos esquecer do maravilhoso desenvolvimento do casal formado por Ava (Alba Baptista) e Beatrice (Kristina Tonteri-Young), essencial para o desenvolvimento dessas duas personagens, para o amadurecimento de Ava, e para que a Bea pudesse se permitir superar algumas questões que envolviam a sua sexualidade, até mesmo seu jeito rígido.

Infelizmente, mesmo com uma temporada incrível, e uma história que tinha espaço para mais desenvolvimento, a Netflix anunciou o cancelamento da série, deixando mais uma vez o mundo sáfico em prantos.

5º: Gentleman Jack – 2ª temporada | por Shirley Pinheiro

Na 5ª posição do nosso ranking temos “Gentleman Jack”, a série que conta a história real de Anne Lister (Suranne Jones) e Ann Walker (Sophie Rundle), baseada nos históricos cadernos de Lister, que registrou seus casos amorosos e questões latifundiárias em códigos por ela criados.

Em sua segunda temporada, a série nos apresenta uma Anne Lister ainda mais ambiciosa, na tentativa de expandiu seus negócios e suas prioridades, ao mesmo tempo em que concilia a relação com Ann Walker, após a cerimônia não oficial de casamento. Já sua esposa, enfrenta a família e os próprios conflitos de consciência ocasionados pela sua relação condenada pela sociedade.

É indispensável exaltar a química entre as atrizes Suranne Jones e Sophie Rundle, vê-las em cena é sempre prazeroso e encantador. Mas, infelizmente, a série foi cancelada pela HBO após o encerramento da segunda temporada.

4º: Heartstopper – 1ª temporada | por Carol Moreno

Lançado na Netflix em abril deste ano, “Heartstopper” é a adaptação dos quadrinhos de Alice Oseman, e mostra a vida dos adolescentes Charlie (Joe Locke) e Nick (Kit Connor) durante o ensino médio, juntamente com seus amigos, e o desenvolvimento do romance entre eles.

A produção mostra, mesmo que com percalços, uma experiência leve de ser um adolescente LGBTQIA+, e a diferença que faz ter apoio, tanto de amigos quanto família. Além dos protagonistas, que são um garoto gay e outro bissexual, a série também traz representatividade feminina LGBTQIA+, com Ellie (Yasmin Finney), uma das melhores amigas de Charlie que é uma garota transgênero, e Tara (Corinna Brown) e Darcy (Kizzy Edgell), duas garotas que foram melhores amigas por anos e agora vivem as novas experiências de serem um casal.

3º: A Vida Sexual das Universitárias – 2ª temporada | por Grasielly Sousa

“A Vida Sexual das Universitárias” rapidamente conquistou o público e se tornou uma das queridinhas da atualidade e com muito razão. Com um texto leve e sagaz, a comédia consegue tirar boas risadas de qualquer situação. E nesse segundo ano eles conseguiram se superar ainda mais! O quarteto Kimberly (Pauline Chalamet), Whitney (Alyah Chanelle Scott), Bela (Amrit Kaur) e Leighton (Reneé Rapp) já provou desde seu início entregar uma química contagiante, que sempre é garantido bons momentos para os telespectadores com as amigas em cena. Mas, para além disso, a produção da HBO Max consegue entregar personagens cativantes e bem construídos, e isso também fora do núcleo principal.

Na segunda temporada, Leighton ganhou mais destaque, e com a liberdade de ser quem ela realmente é, agora fora do armário, rendeu momentos incríveis, tanto na “pegação” como também em reflexões sobre esse momento único em sua vida (até o momento), de poder agir sem se esconder e sem medo. Não é sempre que vemos uma produção acertar tão bem no desenvolvimento de uma personagem lésbica, e quando isso acontece é necessário que seja reconhecido.

A produção usa de clichês para distorcê-los ou tirar piada deles, e trazer temas importantes de uma forma descontraída e obviamente com muito humor. Mindy Kaling, criadora da série, acertou mais uma vez a mão nessa segunda temporada. Por mais que o final possa dividir opiniões, isso não tira o brilho de uma das comédias mais divertidas do ano. E no meio de tanto cancelamento, é um respiro ver uma série inclusiva e tão boa como essa conseguindo se salvar e já ser renovada.

2º: Hacks – 2ª temporada | por Karolen Passos

Esta não é a primeira vez que a produção criada por Lucia Aniello (“A Noite é Delas”), Paul W. Downs (“Broad City”) e Jen Statsky (“The Good Place”) entra em nosso Top 10 (ou 9) de Melhores do Ano. Durante o ano passado, a primeira temporada da série ficou em sétimo na matéria da metade do ano e terceiro na do final do ano. E este ano, ela brilhou em nosso primeiro lugar na metade do ano e agora conquista o segundo.

A trama conta a história de Deborah Vance (Jean Smart), uma lendária comediante de Las Vegas, e Ava (Hannah Einbinder), uma escritora de 25 anos, que acabou de perder um contrato. O segundo ano da produção foi o que podemos classificar como um primor da comédia norte-americana. Os roteiristas souberam utilizar do que há de melhor em seus personagens e permitiu que suas trajetórias tivessem um crescimento espetacular.

Para além disso, a química entre o elenco, em especial, Smart e Einbinder, é palpável, e conforme o espectador assiste se sente parte da família de “Hacks”. A representatividade LGBTQIA+ está em dia, principalmente, no episódio “The Captain’s Wife”, o quarto da segunda temporada.

A premiada “Hacks” é tudo isso que você está pensando e muito mais, por esta razão, merece o segundo lugar da nossa lista. A série está disponível na HBO Max.

1º: A League of Their Own – 1ª temporada | por Grasielly Sousa

Baseado no filme de mesmo nome, “A League of Their Own” veio não apenas com a missão de agradar os fãs dessa obra tão marcante dos anos 1990, mas também para corrigir alguns problemas datados do longa. A produção da Prime Video tem como base uma liga que de fato existiu nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, e apesar do seu antecessor ter escondido pontos como a sexualidade das participantes dessa liga, nessa nova versão esses fatos são abraçados e enaltecidos.

Criada por Will Graham (“Mozart in the Jungle”) and Abbi Jacobson (“Broad City”), a série conseguiu em seus oito episódios trazer um retrato de como era a vida dessas mulheres em um período onde falar sobre sexualidade era algo extremamente difícil. E a forma como essa questão é trabalhada, com diálogos importantes e extremamente bem feitos, que ficam presos na mente do telespectador e nos faz refletir.

Com um texto afiado, personagens cativantes e com personalidades tão distintas e reais, e um capricho singular na parte técnica, a produção foi um dos grandes destaques de 2022 e conseguiu com louvor o ponto mais alto do nosso pódio. “A League of Their Own” é uma série necessária e feita com todo o carinho que merecemos. Agora só precisamos da renovação. Prime Video, por favor não nos decepcione.

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5 séries médicas com representatividade sáfica

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Se você gosta de séries médicas e ainda procura histórias com personagens LGBTQIA+, essas cinco produções merecem a sua atenção. Algumas colocam o romance em destaque, outras exploram mais o desenvolvimento das personagens, mas todas têm algo em comum: entregam boas histórias dentro do universo da medicina.

Nurses

Diferente da maioria das séries do gênero, “Nurses: Plantão Enfermagem” deixa os médicos em segundo plano e acompanha o dia a dia dos enfermeiros. Isso faz com que a narrativa apresente um lado da profissão que raramente ganha destaque na televisão. Além dos casos médicos, a série também traz representatividade LGBTQIA+ de forma natural. Infelizmente, foi cancelada após apenas duas temporadas, deixando a sensação de que ainda tinha muito potencial para explorar.

SkyMed

Se você já cansou dos corredores de hospital, SkyMed” oferece uma proposta diferente. A trama acompanha uma equipe de resgate aéreo que presta atendimento em comunidades remotas do Canadá, combinando muita ação, emergências e paisagens incríveis. O elenco conquista rapidamente e a série também inclui personagens sáficas entre suas histórias.

DOC

Uma das produções mais recentes da lista, “DOC” acompanha uma médica que perde parte da memória após um acidente e precisa reconstruir sua carreira e sua vida pessoal praticamente do zero. A série equilibra muito bem os casos médicos com o drama emocional das personagens, além de incluir representatividade LGBTQIA+ ao longo da narrativa.

New Amsterdam

“Hospital New Amsterdam: Toda Vida Importa” vai além dos diagnósticos e cirurgias ao discutir um sistema de saúde mais humano e acessível. Entre tantos personagens marcantes, a Dra. Lauren Bloom (Janet Montgomery) se destaca por sua complexidade, seus desafios pessoais e sua trajetória ao longo da série. Sua história é uma das mais envolventes da produção e contribui para a representatividade sáfica presente na trama.

Grey’s Anatomy

É impossível falar de séries médicas sem mencionar Grey’s Anatomy. Ao longo de mais de duas décadas, a série apresentou diversos casais LGBTQIA+, incluindo alguns dos romances sáficos mais marcantes da televisão. Entre perdas, reviravoltas, dramas e personagens inesquecíveis, continua sendo uma referência quando o assunto é série médica e representatividade.

E agora fica a pergunta: qual série médica com representatividade sáfica você incluiria nessa lista? Tem alguma que merece entrar na próxima maratona do LesB Out?

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Francesca Bridgerton e o desconforto de romper estereótipos

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Francesca Bridgerton (Hannah Dodd) começou a ganhar mais destaque na produção da Netflix na terceira temporada, quando decide se casar com John Stirling (Victor Alli). A única exigência da personagem era se unir a alguém gentil e, ao conhecer John, o relacionamento dos dois causa certo estranhamento pelo longo período em que permanecem em silêncio na presença um do outro.

Na história original dos livros, após se casar com John, Francesca vive alguns anos de matrimônio até que ele falece, e ela acaba se envolvendo com seu primo, Michael Stirling. A série, no entanto, seguiu outro caminho: o interesse amoroso da personagem é apresentado no final da temporada como Michaela Stirling (Masali Baduza), uma mulher. Isso gerou um verdadeiro caos na internet, especialmente entre os fãs da obra original.

Mas por que a mudança na sexualidade da Francesca incomoda tanto?

Ela incomoda porque confronta uma fantasia muito específica que o público construiu sobre nós, mulheres que amam mulheres, e sobre como essa história deveria ser contada. Existe uma expectativa quase automática de que a personagem óbvia fosse Eloise. Afinal, interpretada por Claudia Jessie, Eloise é questionadora, verbal, crítica das normas sociais e desconfortável com o casamento. Quando essa leitura se impõe, ela revela mais sobre quem assiste do que sobre a narrativa: ainda esperamos que a mulher lésbica seja aquela que rejeita a feminilidade, o romance tradicional e a delicadeza; a que se opõe e rompe de forma explícita. O que muitos se esquecem é que essa possibilidade já está fora de cogitação, já que o interesse amoroso de Eloise foi apresentado ainda na primeira temporada.

Francesca Bridgerton faz o caminho oposto e é exatamente por isso que incomoda. E também por isso que ela é perfeita para esse papel. Ela performa a feminilidade com maestria: é discreta, educada, elegante, cuidadosa com as palavras e dona de um humor astuto e subversivo. Cumpre o roteiro esperado: casa-se, tenta, insiste, ocupa o lugar que lhe foi destinado. Ela segue tudo o que a sociedade impôs sobre o que uma lady deveria ser. E, ainda assim, algo não se encaixa. Não por falta de afeto, não por trauma, não por rebeldia. Francesca ama John profundamente, isso é perceptível. Mas existe a ausência de desejo no casamento, ou talvez eles simplesmente não se encaixem na cama, o que é totalmente possível. Essa é uma narrativa que desestabiliza os fãs da história de Francesca, que recorrem a justificativas rasas para tentar apagar uma história entre duas mulheres, uma história que pode, sim, carregar o desejo intenso que “Bridgerton” costuma entregar em suas temporadas.

Resenha | Cupidos não se apaixonam – o melhor livro da Clara Alves (até agora)

Ao deslocar essa descoberta para uma personagem como Francesca, “Bridgerton” toca em um ponto sensível: a ideia de que mulheres femininas, silenciosas e aparentemente “bem ajustadas” também podem viver a heterossexualidade compulsória e que, muitas vezes, só conseguem nomeá-la depois de cumprir todas as expectativas colocadas sobre elas e ainda assim sentir que algo falta. Esse sentimento só nasce quando existe desconforto. E mudança exige desconforto. Ninguém nasce sabendo sua sexualidade, nem mesmo em uma história ambientada no século XIX.

Não se trata de “mudar” a sexualidade da personagem, mas de revelar algo que nunca teve espaço para existir antes. Isso confronta uma lógica narrativa muito comum: a de que mulheres sáficas precisam ser anunciadas cedo, de forma clara e quase pedagógica, para que sejam validadas.

E talvez seja isso que mais incomode: essa história não está ali para ensinar, justificar ou tranquilizar o público. Ela simplesmente existe e lembra que nem toda mulher que ama mulheres é visível, óbvia ou fora do padrão. Algumas só descobrem quando percebem que viver o roteiro certo ainda pode significar viver a vida errada.

Review | Olympo – Primeira Temporada

Uma adaptação sempre será uma adaptação. Se você quer a história original, o livro continua lá, intacto. Se você quer decidir por nós qual é a personagem ideal para ser lésbica ou bissexual, por favor, não faça. Aceite sua insignificância. E, para finalizar, não diga que já existem inúmeras produções com personagens sáficas se amando e que há espaço em outros lugares, porque não há. Ou essas produções são constantemente canceladas, ou suas personagens são mortas, ou terminam sozinhas, sem explicações óbvias (sim, estou falando de Robin (Maya Hawke) em “Stranger Things”).

Nós vamos, sim, ver em “Bridgerton” uma mulher se envolvendo com outra mulher e explorando o desejo. E, se você não gosta, simplesmente não assista. O que vocês não têm é o direito de decidir o que é melhor para nós.

No fim, o desconforto não é com Francesca. É com a quebra de um estereótipo que muita gente ainda não está pronta para abandonar.

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5 séries que lançaram temporadas esse ano (e talvez você não tenha assistido ainda)

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Com tanta série estreando e voltando em 2025, é fácil deixar passar algumas histórias incríveis, especialmente aquelas que escondem personagens femininas que merecem todo o nosso carinho. Então, se você está procurando algo novo para maratonar, segura essa lista com cinco produções que ganharam temporada nova esse ano e que podem ter passado batido no seu radar.

LesB Indica | O Ultimato: Queer Love – realidade, drama e amor entre mulheres

1. Os Bucaneiros (Apple TV+)

Um drama de época cheio de vestidos pomposos, festas e intrigas sociais, mas com uma pitada de rebeldia. Mabel (Josie Totah) não apenas desafia as regras da época: ela também vive um romance proibido com outra mulher, trazendo representatividade sáfica para a trama.

2. Motorheads (Prime Video)

Entre corridas, adrenalina e muita paixão por carros, quem rouba a cena é Caitlyn (Melissa Collazo). Irmã gêmea de Zac (Michael Cimino), ela é uma gênia da mecânica e não tem medo de meter a mão na graxa. Sua mudança para a cidade natal dos pais é também uma busca pessoal: descobrir o paradeiro do pai desaparecido. Uma pena que a série tenha sido cancelada com apenas uma temporada, mas ainda vale conferir pela personagem.

3. Silo (Apple TV+)

Na distopia de “Silo”, cada detalhe importa para a sobrevivência. Marta (Harriet Walter) é responsável pela oficina de eletrônica no nível Mecânico e se tornou quase uma mãe substituta para Juliette (Rebecca Ferguson), desde quando ela ainda era aprendiz. É uma daquelas figuras que mostram como laços afetivos podem se formar até nos lugares mais sombrios.

4. SkyMed (Paramount+)

Drama, adrenalina e emoção marcam “SkyMed”, que acompanha uma equipe de jovens pilotos e enfermeiros em missões de resgate aéreo no Canadá. Lexi (Mercedes Morris) é uma mulher forte, inteligente e determinada, que luta pela vaga de piloto-chefe na equipe. Entre adrenalina, dilemas pessoais e intensidade emocional, ela dá ainda mais brilho à série.

5. Olympo (Netflix)

Nada de mitologia: aqui o drama é real. “Olympo” acompanha jovens nadadores em um centro de alto rendimento, enfrentando rivalidades, treinos pesados e muita pressão emocional. Zoe (Nira Osahia) é, de cara, uma personagem difícil de gostar, mas com o tempo conquista o público. Carrega a dor da perda de sua melhor amiga em um acidente de carro e, enquanto lida com o luto, precisa decidir se vai ou não usar seu talento esportivo.

LesB Cast | Temporada 4 Episódio 03 – Nossos pitacos sobre a quarta temporada de “Hacks”


Agora me conta: qual dessas personagens te deixou mais curiosa?

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