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Resenha | Rainhas Geek – obra literária recheada de nerdices

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Ficha Técnica
Livro: Rainhas Geek
Autora: Jen Wilde
Tradução: Débora Isidoro
Editora: Planeta
Número de Páginas: 252
Ano de Lançamento: 2018


“Rainhas Geek” é o único livro da autora Jen Wilde publicado no Brasil. Narrado em primeira pessoa, nas perspectivas de duas garotas, a obra conta a história de três amigos, Charlie, Taylor e Jamie, que juntos sobrevoam o oceano que separa a Austrália dos Estados Unidos, para participar de uma convenção de cultura pop, a SupaCon.

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Charlie é uma atriz em ascensão, assumidamente bisexual e com orgulho, é conhecida por seu canal no YouTube, e está no evento para divulgar o novo filme que protagoniza, The Rising. Para ela, a convenção é sua chance de desassociar sua imagem à do relacionamento que tiveram com Reese Ryan, o outro protagonista do filme e metido a galã.

Já Taylor é uma garota fora dos padrões socialmente impostos às mulheres. É gorda, usa roupas compradas na seção masculina, arrota, fala palavrões, não faz as unhas e de quebra ainda tem um undercut. Mas nada em sua imagem lhe incomoda. O que lhe aflige de fato é sua timidez elevada ao extremo; é se sentir num pânico profundo toda vez que pensa na possibilidade de mudar de país para fazer faculdade, ou ainda pior, não ser aceita na UCLA e não conseguir acompanhar os melhores amigos na nova fase de suas vidas. E ainda tem sua paixão não tão secreta, porém carregada de insegurança, pelo seu melhor amigo Jamie. Para Taylor, a SupaCon é a chance de conhecer sua escritora favorita e a partir daí, ter coragem para enfrentar todas as mudanças que estão por vir.

“A ansiedade não é um ataque que explode de dentro para fora em mim; não é um vulcão que permanece inativo até ser despertado por um evento que sacode a terra. É uma companheira constante […] Minha ansiedade é invisível para os outros, mas muitas vezes é o foco da minha mente”.

Mas os planos das protagonistas de Jen Wilde vão por água abaixo num instante. Os de Taylor, quando Skyler Atkins, autora de sua série preferida, precisa deixar o evento mais cedo, antes que a garota tenha a chance de conhecê-la. Os de Charlie, quando Reese Ryan aparece para fazer a divulgação do filme ao seu lado, o que gera margem para rumores que os dois reataram o romance se espalhem. No entanto, mesmo nas adversidades, as duas enfrentam suas próprias inseguranças. Taylor se vê num concurso de cosplay que pode ser sua única chance de ainda conhecer Skyler; e Charlie tem que superar os traumas de seu relacionamento anterior ao se entregar a uma nova paixão pela atriz e também Youtuber, Alyssa Huntington.

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Uma das coisas mais interessantes em “Rainhas Geek” é a naturalização que a autora aborda a bissexualidade de Charlie, sem marcação, drama, nem peso social tão presentes em outras obras. Jen Wilde aborda temas sensíveis como ansiedade, ataques de pânico, relacionamentos abusivos, autismo, pressão estética, todos de forma delicada e cuidadosa. A amizade e parceria do trio Taylor, Jamie e Charlie é fascinante. Uma relação de suporte e apoio, amigos que ficam felizes pelas conquistas uns dos outros, que não se julgam e sem ciúmes. Garotas que se apoiam é outra temática recorrente.

A estética do livro, com o corte das folhas arredondados, é quase tão perfeita quanto as referências geek que aparecem nos diálogos das personagens (“Indiana Jones”, “Batman”, “Star Wars”…), afinal, o que esperar de um livro chamado “Rainhas Geek”, senão “nerdices”?

Caririense com orgulho, é graduanda em Letras pela Universidade Regional do Cariri, mas "com diploma de sofrer de outra universidade". É amante de séries, livros, música e poesia. E o que lhe dá prazer é estudar literatura nordestina, ouvindo Belchior e tomando um delicioso suco de manga.

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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

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“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

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Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

Review | Heartstopper – Primeira Temporada

A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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Bombando

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