“Caçadoras de Recompensas” é uma série mista de humor e mistério que acompanha duas irmãs adolescentes, Sterling (Maddie Phillips) e Blair Wesley (Anjelica Fellini). As duas jovens pertencem a uma família extremamente católica e estudam em uma escola religiosa, algo que as impede de fazer algumas coisas que elas gostariam como todo adolescente.
A vida das meninas dá uma virada quando, de repente, elas se veem trabalhando como caçadoras de recompensas ao lado de um novo amigo, um experiente nesse ramo. A partir disso, as duas irmãs começam a ver o mundo com outros olhos e enxergar as pessoas e suas responsabilidades de diferentes formas, entretanto, muitos conflitos internos nas duas ainda são, em sua maioria, causados pela religião em que foram criadas.
Ao longo de “Caçadoras de Recompensas” são apresentados outros personagens importantes para a trama como April Stevens (Devon Hales), algo perto de uma arqui-inimiga das gêmeas, mas principalmente de Sterling, com quem trava uma disputa de inteligência dentro e fora da escola. O embate entre as duas se torna intenso, ao ponto de surgir um desejo oculto, construindo um interessante enemies to lovers.
Criada por Kathleen Jordan, a série gira em torno do despertar da sexualidade de Sterling, levantando alguns questionamentos e desejos que ela não conhecia. Além disso, traz algumas implicações da vida amorosa de Blair e em relação a sua própria visão sobre o mundo. A história também se destaca pelos personagens secundários, além de ter uma ponta de drama adolescente.
“Caçadoras de Recompensas” possui dez episódios e foi lançada em 2020 pela Netflix no Brasil sendo cancelada dois meses depois. Apesar disso, é uma produção que vale a pena ser conferida, pois é uma história divertida que consegue cativar a atenção do telespectador. Além disso, ela apresenta novos atores para o público adolescente e possui personagens bem desenvolvidos e interessantes, apesar do pouco tempo que teve.
Monica Teixeira é pedagoga e muito apaixonada pelo universo literário. Amante de séries de médico, viciada em tudo que envolve super-heróis e não perde um episódio de Legends Of Tomorrow. Ela vive na Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro.
“Três Graças” acompanha a história de três gerações de mulheres unidas por laços familiares complexos e marcadas por escolhas que atravessam o tempo. Entre segredos do passado, disputas por poder, amores proibidos e conflitos que parecem se repetir de mãe para filha, a novela constrói uma trama repleta de reviravoltas, explorando como traumas, expectativas e ambições moldam o destino de uma família inteira. É uma história sobre herança emocional, mas também sobre a coragem de romper ciclos e escrever um futuro diferente.
A produção chama atenção justamente por equilibrar o melodrama clássico com discussões mais atuais sobre identidade, pertencimento e liberdade afetiva. Ao mesmo tempo em que acompanha romances turbulentos, traições e embates familiares, “Três Graças” também se preocupa em mostrar como os vínculos podem servir tanto como prisão quanto como acolhimento. E é nesse contexto que a história de Juquinha e Lorena ganha ainda mais força.
Lorena, interpretada por Alanis Guillen, vive o peso de crescer em uma família conservadora, especialmente por conta da relação complicada com o pai. Sensível e emocionalmente contida, ela passa boa parte da trama tentando equilibrar quem é com o que esperam dela. Já Juquinha, vivida por Gabriela Medvedovsky, surge como o oposto: segura de si, espontânea e completamente confortável com a própria sexualidade. A dinâmica entre as duas funciona justamente porque nenhuma tenta apagar a outra, Juquinha entende os medos de Lorena, mas também deixa claro o quanto viver escondida pode machucar.
O relacionamento delas cresce aos poucos, entre mensagens trocadas, encontros discretos e uma tensão romântica que rapidamente conquistou a internet. O casal, apelidado carinhosamente de “Loquinha” pelos fãs, ganhou força justamente pela naturalidade com que o romance foi construído. Não há exageros nem discursos artificiais: existe carinho, desejo, apoio e, principalmente, a sensação de que as duas encontraram um espaço seguro uma na outra.
Um dos pontos mais bonitos da trajetória de Lorena e Juquinha é perceber como o amor entre elas também se transforma em acolhimento. Juquinha apresenta Lorena a uma família sem preconceitos, enquanto Lorena finalmente encontra coragem para falar sobre quem ama. Entre beijos roubados, conversas sinceras e planos para o futuro, a novela entrega momentos simples, mas muito significativos para quem acompanha histórias sáficas há anos na televisão brasileira.
“Três Graças” pode até seguir a estrutura clássica de uma novela, mas Juquinha e Lorena conseguiram transformar sua história em algo especial para o público LGBTQIA+. Um casal que nasceu devagar, ganhou força pela química e acabou se tornando um dos grandes assuntos da novela, provando que romances entre mulheres também podem ocupar espaço no horário nobre e mobilizar fãs apaixonadas.
Assumir que há competitividade entre as mulheres LGBTQIA+ é perceber que, infelizmente, essa realidade existe entre as mulheres da comunidade, mas enfrentar isso nos dá uma chance de entender e repensar essa atitude, de como estamos lidando com a companhia das outras, por que isso acontece e como afeta nossa saúde mental.
Quando falamos de saúde mental, na maioria das vezes a associamos a processos individuais, mas saúde mental é muito mais do que isso, como estamos trazendo em vários textos aqui na coluna de Saúde Mental do LesB Out!. Pensando na saúde mental de mulheres LGBTQIA+, há temas específicos que surgem diante das nossas vivências e que dificilmente estão em revistas científicas ou são temas de estudos feitos na área acadêmica, mas que estão sendo discutidos e percebidos por quem vive essa realidade.
Quem nunca frequentou um espaço (o famoso rolê) em que estejam outras mulheres da comunidade LGBTQIA+ e em que, mesmo antes de trocarem palavras (e de chegarem a fazer isso, pois, muitas vezes, as conclusões são tiradas por meio de olhares), acaba se criando um espaço de competição? Essa guerra silenciosa que é armada evidencia alguns fatores que resultam no fortalecimento de estereótipos que tanto lutamos para extinguir.
Nessa disputa presencial entram tópicos como: quem está gastando mais dinheiro, quem está acompanhada da mulher mais bonita (e, se for uma mulher — por exemplo, se for um homem acompanhando uma mulher bissexual —, essa mulher pode sofrer até silenciamento por causa disso) e até questões sobre quem está vestindo o melhor look. Então, quando comparações financeiras e físicas são feitas, cria-se uma situação que abre espaço para que pequenas violências sejam cometidas umas contra as outras, mesmo que de forma velada.
Consequentemente, isso deixa explícito o quanto essa competitividade é um empecilho para o fortalecimento de nós, mulheres LGBTQIA+, tanto de forma coletiva quanto individual. Temos o direito de sentir afeto e acolhimento umas com as outras e, enquanto grupo, politicamente falando. Afastar-nos desse lugar de afeto que merecemos reforça as ações estereotipadas que nos agridem. Desse modo, é importante reforçar a importância de não reproduzir essas atitudes que influenciam nossa saúde mental, para, assim, gerar acolhimento de todas as formas enquanto comunidade.
Se política e comédia parecem uma mistura improvável, “Veep” prova que juntas elas podem ser brilhantes. A série, disponível na HBO, acompanha Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus), uma vice-presidente dos Estados Unidos ambiciosa, sarcástica e completamente despreparada para lidar com o caos da política americana e com o próprio ego.
Ao longo das temporadas, “Veep” se consolida como uma das sátiras políticas mais inteligentes já feitas. O roteiro é rápido, ácido e sem piedade: ninguém é poupado, muito menos Selina, que tenta desesperadamente deixar sua marca enquanto tropeça nas próprias decisões. É o tipo de série que te faz rir de situações absurdas que, por vezes, lembram demais a realidade.
Mas o que coloca a série aqui no LesB Out! vai além das risadas. É nesse cenário totalmente disfuncional que conhecemos Catherine Meyer (Sarah Sutherland), a filha de Selina. Sensível e frequentemente ignorada pela mãe, Catherine começa como uma figura tímida, à sombra do brilho político (e egocêntrico) de Selina. No entanto, conforme a série avança, ela se torna um dos pontos-chave da produção, sendo completamente oposta à mãe.
O arco de Catherine é marcado por autodescoberta. Ao longo da história, ela percebe que seus relacionamentos com homens nunca deram certo porque, na verdade, ela não se sentia atraída por eles. Essa jornada culmina em um dos momentos mais sinceros da série: quando Catherine se apaixona por Marjorie (Clea DuVall), agente do Serviço Secreto designada para proteger Selina.
O romance das duas nasce de forma inimaginável, o que contrasta com o meio carregado de cinismo que domina o universo de “Veep”. A relação entre Catherine e Marjorie é sutil, mas significativa. Enquanto Selina vive obcecada por poder e validação pública, Catherine busca algo mais genuíno: conexão e afeto.
Outro destaque é o espaço que a série dá para personagens femininas complexas. A série não idealiza suas mulheres: elas são falhas, contraditórias, cínicas e, por isso mesmo, profundamente humanas. Entre escândalos, discursos improvisados e egos inflados, vemos o quanto o poder pode corromper, mas também revelar o melhor (e o pior) de quem o busca.
Com sete temporadas disponíveis na HBO, “Veep” continua sendo uma das comédias políticas mais afiadas já feitas e, de quebra, entrega representatividade sem forçar o riso. Catherine Meyer pode não ocupar o Salão Oval, mas definitivamente conquista o público. Se você ama diálogos afiados, personagens moralmente questionáveis e uma boa dose de ironia, essa é a pedida perfeita.