Comic-Con@Home 2021 | Rua do Medo – uma celebração do sucesso da trilogia da Netflix

A trilogia “Rua do Medo” foi um dos grandes acertos da Netflix neste ano. E esse fenômeno não poderia ficar de fora da Comic-Con@Home. O painel foi ao ar nesta sexta-feira (23) e foi o primeiro evento do elenco após o lançamento dos três filmes na plataforma de streaming.

O painel da produção contou com a diretora e roteirista Leigh Janiak, as atrizes Kiana Madeira, Olivia Scott Welch, o ator Benjamin Flores Jr. e o autor dos livros de terror que foram usados como base para a trilogia R.L. Stine. O evento serviu como uma grande celebração do sucesso da trilogia e um momento para conversar sobre essa ousada jornada.

Um dos fatores que tornaram “Rua do Medo” um grande sucesso foi a forma de lançamento, entrando na onda do fenômeno de grandes maratonas que os serviços de streaming implantaram nos últimos anos. Mas, inicialmente, o filme foi criado para ter lançamento no cinema. Leigh Janiak falou que a ideia surgiu com o intuito de lançar os longas-metragens ao longo de um ano, mas eles não tinham a mínima ideia de como isso iria funcionar. A trilogia iria chegar aos cinemas em 2020, com um pequeno intervalo entre cada um. Porém, com a pandemia da Covid-19, os planos de lançamento foram alterados e a trilogia encontrou a casa perfeita na Netflix.

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R.L. Stine enfatizou também o apelo dos fãs, que desde sempre clamavam por filmes baseados em suas obras. Para ele, a melhor parte disso tudo foi a respostas do público, as primeiras reações ao trailer e a empolgação das pessoas falando com ele que esperaram a vida inteira por esse momento, um tipo de empolgação que ele não costumava ver apenas com os livros.

Leigh, fã assumida dos livros de “Rua do Medo”, disse que se sentiu assustada com a ideia de adaptá-los para o cinema, mas ela queria passar para a tela o mesmo sentimento que ela tinha quando era adolescente, “Uma das coisas para mim foi me apoiar na memória que tinha da experiência de ler os livros e o que isso significou para mim”. Leigh também afirmou que algo que era muito importante para ela durante esse processo era manter o elemento de diversão da saga criada por R.L. Stine.

Mortes

Uma parte importante em filmes de slasher é a criatividade nas mortes dos personagens. E em “Rua do Medo” isso foi bastante explorado. Leigh enfatizou a importância do longa ter classificação para maiores de 18 anos na hora da criação das mortes. “Quando você faz um slasher, você precisa de sangue e dessas mortes loucas”, afirmou a diretora, e a classificação da produção deu a liberdade necessária para trabalhar o gore e não poupar sangue na trilogia.

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Ao citar as mortes preferidas entre os três filmes, a de Kate (Julia Rehwald), em 1994, foi quase unanimidade entre os convidados do painel. Outra lembrada também pelo elenco foi a da cena inicial do primeiro longa-metragem, com a atriz Maya Hawke. Leigh falou da clara referência a “Pânico”, com a clássica cena de Drew Barrymore, e também das referências aos slasher e outras produções dos anos 1990 no primeiro.

A diretora ressaltou que apesar disso, o público consegue rapidamente captar e entender o tipo de produção que elas estão assistindo, existe sempre um twist: “Para mim, a parte mais importante dessa sequência é quando ela tira a máscara do assassino. Conseguimos ver nesse momento a conexão dos dois, a confusão da personagem ao ver alguém que ela conhece tentando matá-la. É nesse momento que eu espero que a audiência perceba que estamos em um jogo completamente diferente”.

Representatividade em filmes de terror

Apesar de “Rua do Medo” trazer tropes clássicos de filmes de terror, a proposta da produção é apresentar mudanças no gênero e não apenas visitá-las. Kiana Madeira enfatizou a importância de ter um romance entre duas mulheres como centro da história, algo que não estamos acostumados a ver em longas do gênero e quando acontece, normalmente os personagens LGBTQIA+ são os primeiros a morrer. “Eu acho isso tão revigorante! Elas são realmente o coração de toda essa jornada”, afirmou.

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Kiana também destacou a importância de ter pessoas negras como principais em produções de horror, personagens que também costumam ser os primeiros a morrer e que, em “Rua do Medo”, ganham protagonismo. A atriz usou como exemplo a própria cidade de Shadyside, composta por pessoas excluídas e que aqui se tornam os heróis de suas próprias histórias.

Os filmes da trilogia “Rua do Medo” já estão disponíveis na Netflix.

Grasielly Sousa

Jornalista nascida no Rio de Janeiro e atualmente morando em Fortaleza. Cresceu assistindo filmes da Sessão da Tarde, Dragon Ball e Xena: A Princesa Guerreira. Constantemente falando coisas aleatórias sobre cinema, televisão e música.

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