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80 anos da Mulher-Maravilha – uma jornada de emancipação e força feminina

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Esse ano a Mulher-Maravilha completa 80 anos de existência, quando criada em 1941, pelo psicólogo William Moulton Marston, ela veio para revolucionar não só o mundo dos quadrinhos, que era totalmente dominado por personagens masculinos até então, mas em uma tentativa de mudança social. Diana Prince não era (e não é até hoje) apenas mais uma super-heroína com poderes, ela significa a luta incansável das mulheres por emancipação. A década de 40, em que a personagem surgiu, foi uma época marcada pelo forte patriarcado em que a única função das mulheres era a de dona de casa e mãe. De repente, surge uma personagem rompendo com todos esses estereótipos. Uma mulher forte, que bate em criminosos e os faz pagar por seus crimes. Uma personagem que não está sendo dona de casa, nem mesmo mãe ou esposa. Ela está na rua, trabalhando e lutando por um mundo mais justo.

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Assim, Marston criou uma Mulher-Maravilha independente e revolucionária em todos os aspectos, inclusive, sexual, e graças a essa audácia, ele sofreu uma forte censura e o resultado disso foi sua carreira, enquanto acadêmico e escritor, ter sido questionada, e a história da personagem ter sido reconstruída algumas vezes durante essas oito décadas.

Criação de Zeus: Diana é Deus?

Diana é uma amazona que vive em uma ilha apenas de mulheres chamada Temíscera. Todas que lá residem são treinadas para serem guerreiras e foi assim que ganhamos a Mulher-Maravilha, uma das melhores lutadoras que conhecemos nos quadrinhos. Porém, no que diz respeito a sua criação, tivemos duas versões principais. Originalmente a personagem foi esculpida no barro, por sua mãe Hipólita, Rainha das Amazonas, que em um ato de dor e desespero implorou aos deuses por uma filha. E assim, os deuses (ou apenas Zeus) atenderam seu pedido e concederam a rainha uma filha forte e saudável, que mais tarde se revelaria com alguns poderes sobre humanos.

“Eu sou Diana, a Deusa da Guerra”

Mais tarde, quando o universo da DC Comics foi reconstruído com o arco dos Novos 52, foi então que a história da origem de Diana sofreu importantes alterações. A partir daquele momento, ela se tornou filha direta de Zeus, ou seja, se tornou uma semideusa, criada como uma humana guerreira por Hipólita. Essa versão conta que a amazona foi fruto de uma relação da Rainha das Amazonas com Zeus e ele a deixou no mundo dos humanos. Nasce, então, uma Diana mais forte, mais independente e arrisco em dizer, mais humana.

Sendo uma semideusa, nesse arco, Diana tem uma ligação especial com as histórias dos Deuses e com a própria mitologia grega, algo que fez com que mais tarde, a adaptação para o cinema fosse mais fácil e sua história pudesse ser retratada em cima de mitos já conhecidos pelo público como um todo. Diana não só agrada os amantes de quadrinhos, mas, hoje consegue também atrair a parte dos espectadores que é mais ligada em mitologia.

Hoje conhecemos uma Mulher-Maravilha muito poderosa e com grandes habilidades como força sobre-humana, imortalidade, poder de cura, velocidade e agilidade sobre-humana, e a mais intrigante é o poder de manipular energias divinas. Esse último, Diana herdou graças a seu pai e é emitida através dos famosos braceletes.

Lynda Carter e Gal Gadot: a Mulher-Maravilha invade as telas

“Wonder Woman! Wonder Woman!”

Em 1975, a Mulher-Maravilha sai dos papéis das histórias em quadrinhos e chega na TV através da atuação de Lynda Carter. Durante três temporadas, “A Mulher-Maravilha” levou para meninas e mulheres uma nova percepção sobre força feminina. Em um mundo majoritariamente ocupado por homens, a estreia de uma série protagonizada pela maior super-heroína dos quadrinhos significou um importante passo para uma maior representatividade das mulheres, começando, de alguma forma, a realizar o que William Marston tinha idealizado para sua personagem.

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Desde o final da produção em 1979, a Mulher-Maravilha ficou com uma lacuna na representação do que chamamos hoje de live action. Em 2011 houve uma tentativa de trazer Diana de volta as telas, mas foi completamente frustrada. Por isso, Lynda Carter ficou marcada para sempre como a Mulher-Maravilha da TV e afetou positivamente a vida de muitas meninas que na época tinham apenas ela como representação dos quadrinhos, já que os personagens homens como Batman por exemplo, já tinham ganhado espaço para fora das páginas.

“Não acho que você já tenha conhecido uma mulher como eu”

Depois de 37 anos de finalizada a série da Mulher-Maravilha, em 2016, Diana volta as telas em live action, agora as do cinema. Com a estreia de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” reencontramos Diana Prince através da atuação de Gal Gadot. Misteriosa, a princípio, a Mulher-Maravilha do século XXI se apresenta mais poderosa que nunca em uma luta incansável contra Apocalipse ao lado de Batman e Superman, integrando assim, a já conhecida Trindade da DC Comics.

Com a expansão do Universo Cinematográfico da DC, em 2017, Gal Gadot estrelou o primeiro longa-metragem solo da Mulher-Maravilha. Uma produção que revisita as origens da Amazona e mostra como a personagem têm lidado com o mundo dos homens após sair de Temíscira. Em dezembro de 2020, depois de diversos adiamentos por causa da pandemia, estreou no cinema “Mulher-Maravilha 1984”, o segundo filme da trilogia, que trouxe uma Diana mais focada, justa e paciente. Por outro lado, foi uma narrativa que também mostrou as fraquezas da heroína, porque não é só de bracelete divino que ela vive, não se pode esquecer que ela é metade humana.

Gadot também reprisou o papel de amazona em “Liga da Justiça” e “Liga da Justiça de Zack Snyder”. Sendo assim, a Mulher-Maravilha não só estreou seus filmes solo, como também se uniu a já conhecida Liga da Justiça e é parte integrante do novo Universo Cinematográfico da DC.

Quem tem medo da representatividade bissexual?

Desde que foi criada, Diana já se apaixonou (à primeira vista) por Steve Trevor, um piloto de guerra que cai acidentalmente em Temíscira. Além de já terem sido escritos arcos em que ela se apaixona por Superman e até mesmo pelo Batman, só não existe ainda um arco principal em que a personagem seja explícita com a sua bissexualidade já confirmada, pois a sexualidade para as amazonas funciona de uma forma diferente. Na realidade, o que o mundo dos homens chama de homossexualidade, para elas, é só a relação diária mesmo.

Então, é um pensamento bem heteronormativo imaginar que uma mulher que nasceu e cresceu em uma ilha cercada apenas por mulheres seja heterossexual. Só que é exatamente isso que os arcos dos quadrinhos e o universo cinematográfico nos faz pensar até hoje. Foi preciso um homem, criatura que ela jamais havia visto na vida, caindo do céu para despertar em Diana a paixão e o apetite sexual.

O único arco em que a bissexualidade da personagem é rapidamente explorada é em “DC Bombshells”. Este (arco) é conhecido por ser bem alternativo, onde as histórias individuais e em equipe seguem uma ordem própria sem nenhuma ligação com os quadrinhos regulares, e onde as personagens femininas lidam com a Segunda Guerra Mundial. Ou seja, a única chance em que a verdadeira sexualidade de Diana foi explícita, foi fora do universo regular, mesmo sendo uma personagem com potencial de se tornar uma representatividade ainda maior para tantas meninas e mulheres que a acompanham.

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Yara Flor: o começo de uma Mulher-Maravilha brasileira

Esse ano (2021), a DC Comics lançou uma nova fase chamada “Future State”, que se passa em 2050. Esse arco apresenta ao público uma Mulher-Maravilha de origem brasileira, Yara Flor. Pertencente a uma tribo da Floresta Amazônica, ela é filha de um deus brasileiro e de uma guerreira amazona, e no momento em que Diana está em outras aventuras (não sabemos exatamente onde), Yara assume o papel de maior guerreira. Como as aventuras dessa nova super-heroína se passa no Brasil, ela tem sua história imersa no folclore brasileiro.

Os poderes que conhecemos de Yara é a super força, já conhecida por Diana e já esperada, pois ela também é semideusa. Além de sua capacidade de transitar entre o mundo dos homens e o mundo dos deuses. Yara promete se tornar uma grande heroína e a previsão é de que futuramente ela se encontre com Diana e com outros membros da Liga da Justiça.

Enfim, Mulher-Maravilha ou Diana Prince (ou mais recentemente Yara Flor), como prefere chamá-la não importa muito, porque na verdade, essa personagem se tornou a maior representação feminina no mundo dos super-heróis e 80 anos depois de sua estreia para o mundo nos quadrinhos, a Mulher-Maravilha ainda é símbolo de força e luta feminina.

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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

ANNE+: O Filme e o relacionamento de Anne e Sara em uma nova fase

“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

Pro Mundo (Out!) | Um pouco sobre Ilana Prates de “Um Lugar ao Sol”

Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

Review | Heartstopper – Primeira Temporada

A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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Bombando

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