Connect with us

.

Resenha | Oxe, Baby – um livro de poesias para garotas que amam garotas

Published

on

Ficha Técnica
Livro: Oxe, Baby
Autora: Elayne Baeta
Editora: Galera
Número de Páginas: 224
Ano de Lançamento: 2021


Como poderia eu,

uma menina,

segurar publicamente

a mão de uma menina

e sentir qualquer outra coisa

que não seja orgulho

Estreando seu primeiro livro de poesias, Elayne Baeta, autora de “O amor não é óbvio”, nos convida a conhecer “Oxe, Baby”, seu caderno de poesias: “arraste uma cadeira e, se der, me leia. Estou entre os espaços de uma palavra e outra; se der, me olhe”.

Em “Oxe, Baby”, Elayne Baeta acolhe as próprias experiências e transforma a si mesma em arte poética. Numa reunião de 82 poemas, a autora aborda processos de autodescoberta: “nunca é tarde demais/um dia simplesmente nos damos conta”; fala sobre preconceito; “sei que se estivéssemos todos trancados na mesma cozinha, ninguém encostaria nas minhas colheres”; traumas, primeiro beijo, relações familiares e, claro, amores e paixões, afinal, todo bom poeta se debruça sobre a temática do amor.

Resenha | Valentina – a descoberta do amor na vida adulta

No poema Exílio, Baeta rejeita os “Calvos políticos”, que pregam amor ao próximo, enquanto condenam e destilam ódio ao amor de meninas que amam meninas. Em Nervosismo, nos deparamos com o diálogo poético de um eu-lírico sem interesse na presença de garotos numa festa de aniversário, é para Letícia que ela arruma seu cabelo. Já em Cítrica, poema cujo título é um anagrama da palavra crítica, ela tece um eu-lírico insatisfeito com sua posição de garota conquistadora, que quer ser olhada “com olhos de fome”, que quer ser conquistada e desejada além do estereótipo. 

A estética de “Oxe, Baby” é intrínseca à poética de Baeta. Os elementos que o compõem são propositalmente pensados para deixar o leitor em completo “estado de poesia” – como diria o cantor Chico César. As ilustrações e rabiscos feitos manualmente pela mesma (que já fazem parte da sua identidade visual) dão um charme especial à obra, que possui páginas destacáveis e espaços para interação entre o leitor e o livro.

Cinco webséries que você deve assistir antes do ano terminar

“Oxe, Baby” é um livro de poesias para garotas que amam garotas, nele nos encontramos com poemas que transbordam erotismo, romantismo, críticas e transformações. Uma obra intimista, que se mostra como uma perfeita fonte da “felicidade clandestina” experimentada pela protagonista de Clarice Lispector. O autorretrato poético de Elayne Baeta, que nos ensina o valor de “ter a bravura de ser vulnerável”.

Formada em Letras, pela Universidade Regional do Cariri, apaixonou-se pela História antes mesmo de terminar a primeira graduação, agora brada orgulhosamente a condição de historiadora em formação. Da maneira mais sincera vive de arte. Qualquer minuto de liberdade é um bom momento para ouvir música, ou ler um livro/poesia e, de vez em quando, escrever a si mesma.

Continue Reading
Click to comment

.

LesB Saúde | Competitividade entre mulheres LGBTQIA+

Published

on

Assumir que há competitividade entre as mulheres LGBTQIA+ é perceber que, infelizmente, essa realidade existe entre as mulheres da comunidade, mas enfrentar isso nos dá uma chance de entender e repensar essa atitude, de como estamos lidando com a companhia das outras, por que isso acontece e como afeta nossa saúde mental.

Quando falamos de saúde mental, na maioria das vezes a associamos a processos individuais, mas saúde mental é muito mais do que isso, como estamos trazendo em vários textos aqui na coluna de Saúde Mental do LesB Out!. Pensando na saúde mental de mulheres LGBTQIA+, há temas específicos que surgem diante das nossas vivências e que dificilmente estão em revistas científicas ou são temas de estudos feitos na área acadêmica, mas que estão sendo discutidos e percebidos por quem vive essa realidade.

LesB Saúde | Prevenção de ISTs para mulheres

Quem nunca frequentou um espaço (o famoso rolê) em que estejam outras mulheres da comunidade LGBTQIA+ e em que, mesmo antes de trocarem palavras (e de chegarem a fazer isso, pois, muitas vezes, as conclusões são tiradas por meio de olhares), acaba se criando um espaço de competição? Essa guerra silenciosa que é armada evidencia alguns fatores que resultam no fortalecimento de estereótipos que tanto lutamos para extinguir.

Nessa disputa presencial entram tópicos como: quem está gastando mais dinheiro, quem está acompanhada da mulher mais bonita (e, se for uma mulher — por exemplo, se for um homem acompanhando uma mulher bissexual —, essa mulher pode sofrer até silenciamento por causa disso) e até questões sobre quem está vestindo o melhor look. Então, quando comparações financeiras e físicas são feitas, cria-se uma situação que abre espaço para que pequenas violências sejam cometidas umas contra as outras, mesmo que de forma velada.

LesB Saúde | A solidão de mulheres sáficas

Consequentemente, isso deixa explícito o quanto essa competitividade é um empecilho para o fortalecimento de nós, mulheres LGBTQIA+, tanto de forma coletiva quanto individual. Temos o direito de sentir afeto e acolhimento umas com as outras e, enquanto grupo, politicamente falando. Afastar-nos desse lugar de afeto que merecemos reforça as ações estereotipadas que nos agridem. Desse modo, é importante reforçar a importância de não reproduzir essas atitudes que influenciam nossa saúde mental, para, assim, gerar acolhimento de todas as formas enquanto comunidade.

Continue Reading

.

Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

Published

on

“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

LesB Indica | Badhaai Do – uma salada de casamento de fachada, confusão familiar e amor

No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

ANNE+: O Filme e o relacionamento de Anne e Sara em uma nova fase

“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

Continue Reading

.

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

Published

on

Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

Continue Reading

Bombando