Connect with us

.

Soljiwan (Sol e Ji-wan) – um dos melhores exemplos de Friends to Lovers

Published

on

Como ser a melhor coisa de uma série com apenas cinco minutos de tela por episódio? Não parece algo possível, mas é exatamente isto que aconteceu em “Apesar de Tudo, Amor” (“Nevertheless”), novo k-drama que estreou esse mês aqui no Brasil pela Netflix. Apesar de não serem protagonistas, com o tempo limitado e restrições impostas de um país que ainda é muito conservador, Soljiwan (casal composto por Sol e Ji-wan) conseguiu conquistar o coração de milhares de pessoas ao redor do mundo e ser (de longe) o melhor e mais bem resolvido casal da produção.

LesB Indica | A Cor Púrpura – o considerado melhor filme de 1985 vale seu tempo

Friends to Lovers sempre rende boas histórias. O drama acompanha Yoo Na-bi (Han So-hee), uma universitária que recentemente teve um término ruim e se vê envolvida com um amigo de faculdade que não tem interesse em se comprometer com ninguém. Mas o que importa mesmo é o que está por trás desse casal. Entre os personagens secundários, somos apresentadas a Yoon Sol (Lee Ho-jung) e Seo Ji-wan (Yoon Seo-ah), duas amigas inseparáveis desde o tempo do colégio.

Sol e Ji-wan não poderiam ser mais diferentes. Tratada como uma artista acima da média, Sol é mais introspectiva, sempre com o seu fone de ouvido e focada no trabalho. Ela só consegue se soltar mais ao lado de Ji-wan, que é um verdadeiro raio de sol, sempre alegre e falante, gritando o nome de Sol e correndo para os braços da amiga. Mesmo com o pouco tempo de tela para desenvolvê-las, elas conseguem demonstrar a força da relação entre as duas através de sutilezas, e pequenos diálogos que mostram a importância que uma tem na vida da outra. A sutileza é uma palavra-chave para descrever o casal. São pequenos olhares, toques, tudo é muito criado a partir das reações das personagens.

LesB Saúde | Rede de Apoio – vínculos entre a população LGBTQIA+

Sol é a primeira a dar sinais de que tem um sentimento além da amizade por Ji-wan, mas que não parece correspondido, até porque uma das primeiras cenas de Ji-wan é falando sobre encontros com homens. Assim, temos uma Sol que não quer perder a amizade e que prefere guardar para si o sentimento e manter a amiga por perto. Mas aos poucos vamos conhecendo mais as personagens e o sentimento das duas é mais explorado. Até o momento que Ji-wan começa a demonstrar os primeiros sinais.

Duas cenas são essenciais para a amizade se transformar em um romance: a declaração de Ji-wan; e consequentemente a de Sol. Apesar da confissão de Ji-wan não ser explícita, ela é fundamental para que Sol criasse coragem para assumir que ama a amiga. Sem cobranças, sem esperar nada em troca, mas ela precisava colocar esse sentimento para fora. A partir desse momento vemos uma fragilidade até então não mostrada por Ji-wan. Enquanto uma tem certeza há anos sobre o que sente, para a outra tudo ainda é muito novo. É como se nunca tivesse passado pela cabeça a possibilidade. Não por não sentir o mesmo, mas pela heterossexualidade compulsória que muitas vezes somos submetidas. Mas, para além disso, o maior medo de Ji-wan é o que poderia acontecer se um dia o relacionamento acabasse e ela tivesse que viver sem Sol em sua vida.

Soljiwan é um verdadeiro slow burn, com um desenvolvimento lento que só é resolvido nos momentos finais, feito com detalhes, gestos, pequenos toques, olhares. Não, não temos beijo. Não entre em “Apesar de Tudo, Amor” esperando o que acompanhamos em séries americanas. Se o ocidente ainda luta para conseguir mais representatividade nas produções, na Ásia isso é ainda mais escasso. Claro que existem diversas produções que abordam temáticas LGBTQIA+, mas muitas vezes com pouca visibilidade e/ou independentes. Os populares dramas coreanos, que vem dominando serviços de streaming como a Netflix nos últimos anos, ainda tem uma grande barreira com temáticas envolvendo sexo e sexualidade, e isso não é apenas para casais homoafetivos. Mas pequenas portas já começam a se abrir.

Resenha | O centro de todo o caos – uma narrativa sensível sobre saúde mental

Mas se elas não tiveram espaço para um contato íntimo mais explícito, todas as fichas foram investidas na escrita da história das duas. E isso com pouquíssimo tempo de tela. Sol e Ji-wan são coadjuvantes. Coadjuvantes que precisam se resolver em dez minutos por episódio. Às vezes, até menos. Mas mesmo assim elas conseguem. E mesmo sem serem o foco do k-drama, elas facilmente ganham destaque, principalmente com os graves problemas que a trama de alguns outros personagens tem, incluindo o casal principal.

A entrega das atrizes também deve ser louvada para o sucesso. Impossível não se apaixonar pelas duas juntas. Os breves momentos de troca de carinho, um sorriso apaixonado, tudo é muito bem encaixado para apresentar essa história de amor que dificilmente tem espaço em um país que ainda é muito conservador. E por isso, era difícil de acreditar que o casal realmente fosse acontecer, que existiriam declarações, mas elas existem. E agora precisamos urgentemente de um spin-off de Soljiwan, por favor!

Jornalista nascida no Rio de Janeiro e atualmente morando em Fortaleza. Cresceu assistindo filmes da Sessão da Tarde, Dragon Ball e Xena: A Princesa Guerreira. Constantemente falando coisas aleatórias sobre cinema, televisão e música.

Continue Reading
Click to comment

.

LesB Saúde | Competitividade entre mulheres LGBTQIA+

Published

on

Assumir que há competitividade entre as mulheres LGBTQIA+ é perceber que, infelizmente, essa realidade existe entre as mulheres da comunidade, mas enfrentar isso nos dá uma chance de entender e repensar essa atitude, de como estamos lidando com a companhia das outras, por que isso acontece e como afeta nossa saúde mental.

Quando falamos de saúde mental, na maioria das vezes a associamos a processos individuais, mas saúde mental é muito mais do que isso, como estamos trazendo em vários textos aqui na coluna de Saúde Mental do LesB Out!. Pensando na saúde mental de mulheres LGBTQIA+, há temas específicos que surgem diante das nossas vivências e que dificilmente estão em revistas científicas ou são temas de estudos feitos na área acadêmica, mas que estão sendo discutidos e percebidos por quem vive essa realidade.

LesB Saúde | Prevenção de ISTs para mulheres

Quem nunca frequentou um espaço (o famoso rolê) em que estejam outras mulheres da comunidade LGBTQIA+ e em que, mesmo antes de trocarem palavras (e de chegarem a fazer isso, pois, muitas vezes, as conclusões são tiradas por meio de olhares), acaba se criando um espaço de competição? Essa guerra silenciosa que é armada evidencia alguns fatores que resultam no fortalecimento de estereótipos que tanto lutamos para extinguir.

Nessa disputa presencial entram tópicos como: quem está gastando mais dinheiro, quem está acompanhada da mulher mais bonita (e, se for uma mulher — por exemplo, se for um homem acompanhando uma mulher bissexual —, essa mulher pode sofrer até silenciamento por causa disso) e até questões sobre quem está vestindo o melhor look. Então, quando comparações financeiras e físicas são feitas, cria-se uma situação que abre espaço para que pequenas violências sejam cometidas umas contra as outras, mesmo que de forma velada.

LesB Saúde | A solidão de mulheres sáficas

Consequentemente, isso deixa explícito o quanto essa competitividade é um empecilho para o fortalecimento de nós, mulheres LGBTQIA+, tanto de forma coletiva quanto individual. Temos o direito de sentir afeto e acolhimento umas com as outras e, enquanto grupo, politicamente falando. Afastar-nos desse lugar de afeto que merecemos reforça as ações estereotipadas que nos agridem. Desse modo, é importante reforçar a importância de não reproduzir essas atitudes que influenciam nossa saúde mental, para, assim, gerar acolhimento de todas as formas enquanto comunidade.

Continue Reading

.

Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

Published

on

“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

LesB Indica | Badhaai Do – uma salada de casamento de fachada, confusão familiar e amor

No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

ANNE+: O Filme e o relacionamento de Anne e Sara em uma nova fase

“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

Continue Reading

.

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

Published

on

Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

Continue Reading

Bombando