Review
Review | The Wilds – Segunda Temporada
Published
4 anos agoon
“The Wilds” retornou para sua segunda temporada no Prime Video, produção essa que fez muito sucesso em seu primeiro ano. A história acompanha nove garotas que estavam a caminho de um retiro no Havaí, entretanto, caem no meio de uma ilha e precisam aprender a sobreviver até o resgate chegar.
Review | The Wilds – Primeira Temporada
A queda do avião, que não foi acidental, é parte de um experimento de Gretchen (Rachel Griffiths), que procura mostrar que as mulheres são mais organizadas socialmente que os homens e que são perfeitamente capazes de construir uma sociedade. Desta forma, a narrativa se desenrola revelando como cada garota foi escolhida e o que aconteceu durante o tempo em que ficaram na ilha.
Nesta segunda temporada, “The Wilds” apresenta um novo núcleo de personagens, que também foram vítimas do experimento de Gretchen: o grupo dos meninos. De primeira, eles não são tão cativantes quanto as meninas foram, entretanto, com o caminhar dos episódios, essa perspectiva muda.

Rafael Garcia (Zack Calderon), Kirin O’Conner (Charles Alexander), Josh Herbert (Nicholas Coombe), Ivan Taylor (Miles Gutierrez-Riley), Henry Tanaka (Aidan Laprete), Bo Leonard (Tanner Ray Rook), Scotty Simms (Reed Shannon) e Seth Novak (Alex Fitzalan) são os novos personagens que dividem o protagonismo com o grupo das meninas.
A narrativa utiliza da mesma fórmula da primeira temporada: intercalando o passado (antes da queda do avião), presente (na ilha) e futuro (após o resgate) dos personagens para que o telespectador consiga conhecer um pouco mais desses adolescentes. Primeiramente, Rafael é o que possui maior destaque, em que lembra muito Leah (Sarah Pidgeon), quando, por muitas vezes, os dramas da ilha giram em torno dele e sua relação de dependência emocional com Seth.
Em relação as meninas, infelizmente, este ano foram deixadas um pouco de lado. A única que brilhou em todos os momentos foi Fatin Jadmani (Sophia Ali) que, ao mesmo tempo em que estava tentando desvendar os mistérios sobre Nora (Helena Howard), cuidava das garotas e colocava “ordem na casa”. Leah, que na primeira temporada teve todas as suas cenas difíceis de assistir – no sentido de serem ruins mesmo -, este ano teve sua paranoia mais suavizada e junto com Rachel (Reign Edwards), que estava sofrendo pelo luto da irmã, protagonizaram cenas mais leves e divertidas.

Shelby (Mia Healey), por muitas vezes, foi resumida as cenas de casal, ao lado de Toni (Erana James), que pelo segundo ano consecutivo não teve desenvolvimento, a não ser míseros segundos quando sua melhor amiga Marta (Jenna Clause) estava tendo um colapso e ela precisou ajudá-la. A personagem de Healey, para além de Toni, conseguiu alguns momentos de destaque ao citar a culpa que sente pela morte de sua amiga e não querer sair do “mundo perfeito” que criou na ilha. Infelizmente, Dot (Shannon Berry) não teve trama que valesse comentários.
LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada
No futuro, o núcleo das meninas mais uma vez é deixado de escanteio, quando ao longo de 90% dos episódios só vemos Leah dando voltinhas pelo local que estão presas e conversando com Rafael para descobrir alguns dos mistérios que aconteceu com o grupo dos meninos para que eles tenham se dividido na ilha e não se unido, como foi o caso das meninas. Desta forma, o roteiro dá uma estagnada e decepciona, pois ninguém aguenta mais tanto protagonismo vindo da personagem de Pidgeon, quando outras são mais cativantes e interessantes que ela.

Com o elenco dobrado, “The Wilds” peca na apresentação dos personagens masculinos e o abuso de cenas descartáveis. Diferente do primeiro ano, são poucos os personagens que conhecemos o background, como por exemplo o Kirin, que se destacou em tela, porém não teve um desenvolvimento merecido.
Rafael e Seth são parte do elenco que foram mais explorados, entretanto, não conquistaram o público. E Bo, Ivan e Scotty tem passagens breves pelo passado, mas nada que torne possível construir uma opinião definida sobre eles. Josh teve maior relevância nas passagens ainda na ilha e os traumas que teve por lá, além de ter sido deixado em aberto sobre as consequências do que ele pode estar sofrendo no futuro e o quanto certas ações no experimento podem influenciar na sua vida.
Entretanto, mesmo que não exista uma exploração aceitável no enredo dos meninos, ainda existem paralelos entre os dois núcleos, tais como quem assume a liderança primeiro, alianças e maiores identificações no grupo, e claro, existe o infiltrado, que apesar de existirem dois no núcleo feminino, no masculino só foi revelado um, que diferente de Nora, não conquista o carisma do espectador.

De modo geral, a segunda temporada de “The Wilds” foi satisfatória. A maior preocupação de todos que assistiram e gostaram da série era que o elenco masculino não entregasse tanto quanto as meninas, contudo, eles são carismáticos e conseguiram prender a atenção. O maior problema este ano foi na construção de roteiro, em que Sarah Streicher não soube conduzir adequadamente e muitas cenas das meninas na ilha poderiam ser facilmente descartadas e substituídas pelo desenvolvimento/passado dos garotos que foram deixados em segundo plano.
Harley Quinn – queda, ascensão e liberdade
Ademais, com o tempo restrito de tela para cada personagem, a produção perde um pouco do charme que tanto agradou no seu primeiro ano. Apesar do núcleo masculino possuir carisma e passagens interessantes, muitos personagens foram deixados de escanteio e o equilíbrio entre tantos protagonistas foi feito de forma desordenada, tendo em visto que a narrativa dos garotos deixou muitos furos.

Gretchen e os agentes falsos do FBI foi outro ponto que foi brevemente trabalhado este ano, em que a cientista segue obcecada em provar sua teoria de que as mulheres são mais evoluídas que os homens a qualquer custo. Assim sendo, para a terceira temporada, Gretchen continua com seu experimento e prepara todos para a fase três.
O final da temporada, além de sugerir que agora os dois núcleos vão lutar pela sobrevivência juntos, deixa em aberto sobre outro possível infiltrado entre os adolescentes e, novamente, terminamos sem respostas, e pior ainda, com mais perguntas. Com essas pontas soltas, espera-se que “The Wilds” apresente uma narrativa mais consistente no próximo ano, pois esta fórmula misteriosa e evasiva não vai funcionar para sempre.
A segunda temporada de “The Wilds” conta com oito episódios e está disponível para assistir no Amazon Prime Video.
Ps: ao que tudo indica, Leah é bissexual.
Ps2: existe um rumor das emocionadas que Fatin tem um crush em Leah, será? Acredito ser mais provável que na temporada seguinte desenvolvam um relacionamento entre Rafael e Leah.
Alerta de gatilho: a trama aborda assuntos delicados como transtornos alimentares, pedofilia, assédio sexual e moral, homofobia e suicídio.
LesB Nota
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Roteiro
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Direção
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Personagens
Sinopse
Um grupo de meninas adolescentes de diferentes origens precisa lutar pela sobrevivência depois que um acidente de avião as deixa em uma ilha deserta. As jovens criam laços e conflitos enquanto aprendem mais umas sobre as outras, sobre os segredos que guardam e os traumas que todas enfrentaram. Há apenas uma reviravolta neste drama emocionante… essas meninas não acabaram nesta ilha por acidente.
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Baiana, designer e jornalista. Acredita que vive em seu próprio conto de fadas e se divide entre suas duas obsessões: livros de romance e séries teen.
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Review | Amor da Minha Vida – Segunda Temporada
Published
6 dias agoon
14 de outubro de 2026
Eu não imaginei que Amor da Minha Vida teria uma segunda temporada. Pelo título, parecia que a história de Bia (Bruna Marquezine) e Victor (Sérgio Malheiros) caminharia para aquele encerramento que a gente já conhece: ela encontra o amor da vida dela, os dois superam os obstáculos e vivem felizes para sempre. Só que, se a primeira temporada já mostrou que amar alguém não significa ter uma vida perfeita ao lado dessa pessoa, os novos episódios aprofundam ainda mais essa ideia.
A segunda temporada de Amor da Minha Vida estreou no Disney+ em 9 de outubro de 2026 e retoma a história exatamente de onde a anterior terminou. Victor bate à porta de Bia, decide abrir mão da estabilidade que havia construído com Paula e escolhe tentar mais uma vez com a mulher que acredita ser o amor da sua vida. O reencontro é emocionante, e os dois finalmente têm a oportunidade de viver o relacionamento que tanto parecia fazer falta. Mas, como a série já tinha nos ensinado, recomeçar não significa que todos os problemas ficaram para trás.
Atenção: a partir daqui, o texto contém spoilers importantes da segunda temporada.
Bia e Victor passam alguns meses felizes, até que as diferenças entre suas vidas profissionais começam a interferir na relação. Bia consegue aprovar uma série no novo emprego, mas uma mudança na gestão da empresa faz com que o projeto seja rejeitado. Mais uma vez, ela se vê obrigada a recomeçar justamente quando parecia estar conseguindo avançar. É frustrante acompanhar como, sempre que tenta correr atrás dos próprios sonhos, alguma coisa acontece para colocá-la de volta no ponto de partida. E essa sucessão de frustrações ajuda a entender o estado emocional da personagem, embora não justifique todas as suas atitudes.
É justamente aí que a segunda temporada encontra uma de suas questões mais interessantes: até que ponto o amor é suficiente para sustentar um relacionamento? Bia e Victor se amam, mas isso não significa que estejam preparados para construir uma vida juntos. Existem ambições individuais, inseguranças, ressentimentos e expectativas que nem sempre caminham na mesma direção. Como equilibrar a carreira e a vida amorosa? Como acompanhar o ritmo de alguém que está em outro momento profissional? E o que acontece quando duas pessoas querem ficar juntas, mas não conseguem encontrar uma maneira de fazer isso sem abrir mão de partes importantes de si mesmas?
A série continua apostando no caos que marcou a primeira temporada. Os personagens se metem em situações complicadas, tomam decisões questionáveis e precisam lidar com as consequências, nem sempre da maneira mais madura. A diferença é que, desta vez, existe um aprofundamento maior nas contradições da vida adulta, nos vazios existenciais e na saúde mental. A sensação é de que crescer não significa necessariamente aprender a lidar com tudo, mas começar a perceber que determinados comportamentos têm consequências que vão muito além da gente.

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Bia é o principal exemplo disso. Ela continua sendo uma personagem carismática, espontânea e cheia de contradições, mas também extremamente egocêntrica em muitos momentos. Existe uma resistência constante em reconhecer que algo não vai bem e que talvez seja necessário procurar ajuda. Bia parece acreditar que a sua maneira caótica de viver é parte essencial de quem ela é, como se cuidar da própria saúde mental pudesse apagar a espontaneidade e transformá-la em alguém sem graça, sem vida, sem a magia que a torna diferente.
Essa resistência torna o arco da personagem especialmente interessante, porque a série mostra como a recusa em olhar para si mesma começa a afetar também as pessoas que estão ao seu redor. Quem ama Bia precisa lidar com as consequências das decisões dela, enquanto ela parece ter dificuldade para reconhecer o tamanho do estrago que pode causar. Não é necessário transformar o comportamento da personagem em um diagnóstico para perceber que existe algo preocupante na maneira como ela enfrenta as próprias dificuldades. A questão não é deixar de ser maluquinha, como ela parece temer, mas entender que nem todo sofrimento precisa ser romantizado como parte da personalidade.
Bia também parece ter uma tendência a se envolver em relações que a colocam em situações de sofrimento e humilhação, enquanto encontra dificuldades para sustentar um relacionamento saudável. Isso fica evidente na relação com Victor, seu melhor amigo e o homem que ela considera o amor da sua vida. Quando finalmente estão juntos, com a possibilidade de construir algo estável, ela começa a se sabotar. É como se o caos fosse mais familiar do que a tranquilidade, e como se estar bem com alguém fosse, por algum motivo, mais difícil do que lidar com relações que a machucam.
O passado familiar da personagem ajuda a ampliar essa discussão. Nesta temporada, Bia decide procurar o pai biológico, que teve uma relação péssima com sua mãe, para descobrir mais sobre a própria história. Ao encontrá-lo, descobre que ele tem outras duas filhas e que exerce com elas o papel de um bom pai. A constatação provoca ressentimento e faz Bia questionar por que aquelas meninas receberam uma versão dele que ela não conheceu. Por que ele consegue ser um bom pai para elas, mas não foi para ela? E, principalmente, por que essa diferença parece alimentar a sensação de que existe alguma coisa errada consigo mesma?
É um arco que toca em uma ferida bastante delicada: o quanto das nossas relações com os pais continua existindo na maneira como nos enxergamos e nos relacionamos com outras pessoas? A série não precisa transformar essa descoberta em uma explicação definitiva para todas as atitudes de Bia. O que torna a história interessante é justamente perceber que compreender de onde vêm determinadas inseguranças não significa que elas desapareçam, muito menos que nossas escolhas deixem de ser responsabilidade nossa.
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Enquanto Bia tenta lidar com os próprios conflitos, Victor também precisa rever a imagem que construiu de si mesmo. Durante boa parte da história, ele ocupa o lugar do cara legal, aquele que parece ser a escolha segura diante do caos que acompanha Bia. Depois do término, porém, começa a questionar se realmente é esse homem tão correto que imagina ser. Afinal, ele também machucou pessoas, traiu a confiança de Paula e tomou decisões que tiveram consequências para quem estava ao seu lado.
Essa reflexão ganha ainda mais força com a participação de Clarice Falcão, que interpreta uma mulher que abriu mão do sonho de ser artista, tornou-se dentista e se casou com um homem que a ama. Ao se envolver emocionalmente com Victor, ela também passa a enfrentar as próprias contradições. A personagem traz uma discussão interessante sobre a distância entre quem somos, quem gostaríamos de ser e as escolhas que fazemos ao longo da vida. Até que ponto uma pessoa boa deixa de ser boa quando toma uma decisão que machuca alguém? Será que somos obrigados a caber em uma definição fixa de certo e errado, mesmo quando nossos sentimentos entram em conflito com aquilo que acreditamos?
A temporada acerta ao não tratar Victor como um prêmio que Bia precisa conquistar nem como um homem perfeito que está sempre disposto a salvá-la. Ele tem suas próprias falhas, e o fato de amar Bia não apaga o modo como suas escolhas afetam outras pessoas. Essa construção é importante porque impede que o relacionamento central seja reduzido à ideia de que basta os dois se amarem muito para que todo o resto se resolva.

Paula, por sua vez, tem um dos melhores desenvolvimentos da temporada. A personagem, interpretada por Rayssa Bratillieri, precisa lidar com a decisão de Victor de abandoná-la para ficar com Bia, enquanto os dois continuam ligados profissionalmente como sócios. A situação poderia servir apenas como combustível para os conflitos do casal protagonista, mas Paula ganha espaço para existir para além da posição de mulher deixada para trás. Para mim, ela está simplesmente espetacular, e seu arco é um dos grandes acertos desses novos episódios.
Marcelo, interpretado por Danilo Mesquita, também retorna à história. No começo, é possível perceber uma versão mais evoluída do personagem, que se aproxima de Bia como amigo. No entanto, o desfecho me deixou com a impressão de que ele acaba voltando a um comportamento anterior ao abandonar a esposa para viver um relacionamento aberto com ela. A decisão enfraquece parte da evolução que parecia estar sendo construída e reforça uma das questões recorrentes da série: até que ponto os personagens realmente mudam ou apenas encontram novas maneiras de repetir os mesmos erros?
Os relacionamentos de Bia também se expandem nesta temporada. Ela passa a se envolver com outras duas pessoas: um cantor sertanejo interpretado por Rômulo Estrela, que enfrenta as consequências de uma traição e da exposição pública depois de falar mal da ex-esposa, e uma publicitária e diretora interpretada por Alanis Guillen, que vem de uma família rica e tem contatos que ajudam Bia a conseguir trabalho. Essa segunda personagem demonstra uma disposição genuína para cuidar de Bia e ajudá-la a sair do poço em que se encontra, mas a dinâmica entre as duas me parece bastante desgastante.
Na minha leitura, existe um desequilíbrio nessa relação. Bia parece receber muito mais do que oferece e, em diversos momentos, dá a impressão de usar a disponibilidade da outra pessoa sem considerar suficientemente o que ela também precisa. É uma dinâmica que incomoda justamente porque a personagem de Alanis parece querer ajudá-la a encontrar algum caminho, enquanto Bia continua presa a comportamentos que prejudicam a si mesma e aos outros. Mais uma vez, a série coloca em cena uma personagem que quer ser amada, mas que nem sempre consegue construir relações nas quais o cuidado seja uma via de mão dupla.

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Outro ponto que continua funcionando é a maneira como Amor da Minha Vida retrata os relacionamentos na era da internet. Aplicativos de namoro, novas possibilidades de conhecer pessoas e a sensação de que sempre existe alguém diferente esperando por nós podem dar a impressão de que encontrar um relacionamento se tornou mais fácil. Mas conhecer alguém não é o mesmo que construir um vínculo. Entre ex-amores, novas paixões e relações que não se encaixam em definições tão simples, os personagens continuam tentando descobrir o que querem e o que estão dispostos a oferecer.
A série não precisa transformar cada conflito em uma grande lição de moral, e isso é um dos seus méritos. Seus personagens erram, magoam pessoas, voltam atrás e, às vezes, parecem incapazes de aprender com as próprias experiências. Nem todas as decisões fazem sentido, nem todos os arcos chegam a uma resolução satisfatória e nem todo mundo termina a temporada melhor do que começou. Ainda assim, existe algo reconhecível nessa bagunça: a vida adulta raramente oferece respostas organizadas, e amadurecer não é um processo linear.
O problema é que a insistência no caos também pode se tornar cansativa. Bia já é uma personagem que toma decisões difíceis de defender, e acompanhar a repetição de alguns comportamentos pode dar a impressão de que a narrativa está girando em círculos. Entendo a proposta de mostrar alguém que resiste ao amadurecimento e que não consegue resolver os próprios conflitos de uma hora para outra, mas existe uma diferença entre retratar uma pessoa que não sabe mudar e deixar que a história repita indefinidamente as mesmas dinâmicas sem que elas produzam novas consequências narrativas.

Ainda assim, a segunda temporada amplia o que a primeira já havia construído. Em vez de encerrar a história no reencontro romântico, a série se interessa pelo que vem depois: a convivência, as escolhas profissionais, as expectativas frustradas, os sentimentos contraditórios e a percepção de que o amor não existe separado do restante da vida. Amar alguém significa necessariamente conseguir construir uma vida em comum? Até quando vale insistir em um relacionamento porque existe amor? E o que acontece quando esse amor continua existindo, mas já não parece suficiente para fazer a relação funcionar?
São perguntas que não têm respostas simples, e Amor da Minha Vida acerta ao não fingir que tem. O título pode sugerir a existência de uma pessoa destinada a ocupar esse lugar para sempre, mas os novos episódios colocam essa ideia em perspectiva. Talvez alguém possa ser o amor da sua vida e, ainda assim, não ser a pessoa com quem você consegue construir a vida que deseja naquele momento. Talvez amar também envolva reconhecer limites, assumir responsabilidades e entender que o sentimento, por mais intenso que seja, não substitui o trabalho de construir uma relação.
No fim, vale a pena investir tempo na segunda temporada? Para quem gostou da mistura de humor, caos e conflitos emocionais da primeira, sim. A série mantém a identidade que conquistou seu público e aprofunda discussões sobre saúde mental, família, trabalho e amadurecimento. Paula se destaca, Victor ganha novas camadas e Bia continua sendo uma protagonista difícil, cheia de contradições e capaz de despertar sentimentos bastante diferentes ao longo dos episódios.
Nem tudo funciona com a mesma força, especialmente quando a narrativa insiste em comportamentos que parecem se repetir sem grandes avanços. Mas a temporada tem mérito ao questionar a fantasia de que encontrar o amor resolve todos os problemas. Às vezes, amar não é o mais difícil. O difícil é entender como viver esse amor sem abandonar os próprios sonhos, sem machucar quem está ao redor e sem transformar a outra pessoa em responsável por resolver aquilo que ainda não conseguimos enfrentar em nós mesmos.
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Review | Olympo – Primeira Temporada
Em Olympo, nova série espanhola da Netflix, atletas de elite treinam sob pressão, escândalos de doping e conflitos pessoais intensos. A trama mistura crítica social, representatividade LGBTQIA+ e mistério em um cenário esportivo competitivo e perigoso.
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Published
1 ano agoon
2 de julho de 2025
“Olympo” é uma produção espanhola original da Netflix que estreou em junho no streaming. Criada por Ibai Abad, Laia Foguet e Jan Matheu, a série acompanha atletas da Espanha treinando em um centro esportivo de alto rendimento (CAR). A trama é protagonizada por Amaia Olaberria (Clara Galle), capitã da seleção de nado sincronizado; Zoe Moral (Nira Oshaia), atleta de heptatlo; e Roque Pérez (Agustín Della Corte), melhor jogador de rúgbi da seleção.
Quando Nuria Borges (Maria Romanillos), dupla de Amaia na equipe de nado, ultrapassa a marca das russas e supera a própria Amaia na piscina, a capitã começa a desconfiar de que alguns atletas estão melhorando seu desempenho de forma inexplicável. A partir disso, inicia uma busca para provar que o CAR está sendo tomado pelo doping. Após esse treino, Nuria desaparece de forma misteriosa, e Amaia passa a investigar o que realmente aconteceu com a amiga.

Comparada por muitos à série “Elite”, outra produção da Netflix, “Olympo” aposta em cenas de sexo e nudez, mas vai além ao abordar temáticas relevantes que enriquecem a narrativa: homofobia nos esportes de elite, a pressão por ser insuperável, a falácia da meritocracia e o uso de substâncias ilegais para potencializar o rendimento, levantando questões sobre o verdadeiro fair play (jogar limpo) no esporte.
Review | Sem Resquícios – Primeira Temporada
Zoe é uma personagem que, à primeira vista, causa antipatia, mas com o tempo conquista o público. Ela perdeu sua melhor amiga em um acidente de carro (que, ao que tudo indica, foi causado por ela) e resiste em usar seu talento esportivo enquanto ainda lida com o luto. É também a primeira a entrar em conflito com Amaia, especialmente após a mulher com quem Zoe se relaciona ser expulsa do CAR por uso de doping e por ela receber patrocínio da Olympo.
Outra personagem que merece destaque é Renata (Andy Duato), parceira de Zoe nas corridas. Inicialmente mais fechada (a ponto de ser apelidada de “muda”), ela eventualmente se abre com Zoe e revela que é intersexo. Por conta disso, precisa realizar tratamentos para conter os níveis de testosterona no corpo, o que afeta diretamente seu desempenho no esporte.

Já Roque é um atleta gay que começa a sofrer represálias por ser assumido em um esporte tipicamente heteronormativo e machista, ainda que ele seja o melhor do time. Amaia, por sua vez, sofre constante pressão da mãe para melhorar seu desempenho, o que leva a série a retratar também a carga psicológica e física imposta a atletas de alto rendimento, além da corrupção e manipulação nos bastidores do esporte.
LesB Cast | Temporada 4 Episódio 02 – Nossos pitacos sobre a segunda temporada de “The Last Of Us”
A temporada termina com um gancho instigante: Amaia desmaia após uma apresentação, levantando dúvidas sobre seu futuro e a possibilidade de estar envolvida com doping. Paralelamente, Zoe é vista entregando uma substância azul ao CADE, o que pode indicar uma virada significativa para o rumo de Olympo.
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Uma imigrante ilegal mexicana e uma cigana encontram um cadáver em um país europeu. Quais as chances de acreditarem que elas não são as culpadas pelo assassinato? É deste tema que se trata a série da Amazon Prime, chamada “Sin Huellas”, traduzida como “Sem Resquícios”, dirigida por Paco Caballero, Samantha López Speranza, Koldo Serra e Gemma Ferraté.
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A trama apresenta Desi (Carolina Yuste), uma mulher livre, lésbica e divertida, que sabe aproveitar bem a vida noturna da cidade, e é muito engraçada; ela é aquela amiga louca e descontrolada que sempre está pronta para te apoiar com unhas e dentes. E Cati (Camila Sodi), uma mexicana imigrante, doce e até inocente demais, que chegou na Espanha com o objetivo de ganhar dinheiro e trazer a sua filha e a sua mãe para o país e prover uma vida melhor e um futuro diferente para a filha, além de tentar manter o seu casamento com um encostado.

Essas amigas, extremamente atrapalhadas, dividem um apartamento e trabalham juntas em uma empresa de limpeza. Logo no início da série, elas descobrem que a empresa onde trabalhavam, de forma terceirizada, declarou falência e ambas estavam demitidas.
Na busca de encontrar um trabalho rápido, acabam aceitando uma oportunidade de limpar a casa de uma família milionária. Ao serem contratadas, descobrem que, na verdade, ali foi a cena de um crime, se deparam com um corpo de mulher recém assassinada e para piorar, pegam acidentalmente uma mala cheia de euros e placas de ouro, que seriam destinadas a uma gangue de assassinos russos.

É, neste momento, que elas se dão conta que devem se livrar da culpa de um assassinato que não cometeram e de russos que querem matá-las por terem roubado o dinheiro destinado a eles. Como podem se livrar desta confusão ao qual foram colocadas e ainda saírem vivas? Uma certeza é que “Sem Resquícios” garante boas risadas e surpresas, com uma comédia de muita qualidade, ação e um casal sáfico com uma química extrema.
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Ao sermos introduzidos ao núcleo policial, fica claro que a policial investigadora do caso é a ex-namorada da Desi. Claro que, ao longo dos episódios, surge a necessidade de saber mais sobre a relação de Desi e Irene (Silvia Alonso), a policial que entra na história investigando o crime e acaba se tornando cúmplice na busca de comprovar a inocência das meninas.

Acompanhamos pequenos flashbacks sobre a relação delas, o motivo da separação e o dia a dia dessa construção. A química das atrizes é muito forte e através do olhar expressam os sentimentos. Inclusive, os diálogos são bem elaborados.
Esta produção é uma indicação excelente para o final de semana, contudo, apenas para quem tem estômago “forte”, já que algumas cenas fortes e sangrentas fazem parte desta comédia espanhola.
Com um elenco de rosto conhecidos, por quem consome produções espanholas, um roteiro incrível, uma trilha sonora dançante e aqueles puxões de orelha nos preconceitos e temas tabus, que são abordados de forma inteligente, “Sem Resquícios” é uma produção que vale muito a pena.
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