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Review | The Handmaid’s Tale – Quarta Temporada

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“Nolite Te Bastardes Carborundorum”

“The Handmaid’s Tale”, em sua última temporada, terminou com a execução do plano de June Osborne (Elisabeth Moss) de salvar mais de 80 crianças em um avião para o Canadá. No meio do caminho, houve confronto dos guardas contra as Aias, tiros acertaram algumas delas, levando à morte, Osborne foi uma dessas atingidas, fazendo com que suas amigas fizessem de tudo para tentar salvar sua vida. A quarta temporada veio para mostrar novas perspectivas e que nem tudo é tão simples após Gilead.

(Contêm Spoilers)

A quarta temporada inicia-se do mesmo ponto que parou: June sendo levada por suas amigas, a fim de salvá-la. Neste contexto, elas encontram abrigo em uma fazenda onde elas ficam escondidas por um tempo fingindo serem Martas, para não levantarem suspeitas. A instalação delas ali durou pouco tempo, pois a fazenda foi invadida por guardas, Osborne foi capturada e as outras Aias conseguiram se esconder a tempo. Mesmo nesse período, June não conseguiu ficar em nenhum momento tranquila e aproveitar o curto momento despreocupado que puderam ter.  June foi levada e diretamente mandada a Tia Lydia (Ann Dowd), e torturada de diversas formas, até indicar o local onde as amigas se encontravam. Ao serem transportadas para uma colônia, as meninas conseguiram fugir da van, mas nem todas conseguiram atravessar os trilhos do trem. Alma (Nina Kiri) e Brianna (Bahia Watson) foram atropeladas, outras assassinadas na fuga, somente Janine (Madeline Brewer) e June conseguiram alcançar o outro lado a tempo. As duas embarcam em um container de leite em busca de pessoas do Mayday que estivessem na linha de frente de Chicago. Ao chegar lá, encontram um grupo de pessoas que resistiam no local, mas nada ligado ao que esperavam.

“The Handmaid’s Tale” propôs acompanhar perspectivas além da saga da protagonista, se dividindo em Gilead, Canadá e Chicago. Em relação aos Comandantes, eles discutem o cessar fogo por 24 horas na fronteira como estratégia política que daria a oportunidade para a chegada de ajuda de ONGs voluntárias com mantimentos, no entanto, antes disso iriam bombardear o local; Tia Lydia, na tentativa de recuperar seu poder depois da libertação das crianças, que ficou conhecido como Voo dos Anjos; no Canadá se dividiu em mostrar núcleo de amigos e familiares de June, no que eles estão trabalhando, como está sendo a rotina deles com a Nichole, como está sendo a vida dos recém-chegados de Gilead e suas questões após o impacto do regime; também foi mostrado a prisão luxuosa dos Waterford e suas tentativas incessantes de fugir de uma condenação. Esse contexto da vida de Luke (O. T. Fagbenle) e Moira (Samira Wiley), por exemplo, foram importantes para enfatizar o choque e desconforto de Osborne na chegada ao Canadá mais tarde.

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Na temporada atual, Moira contribuiu de forma importante, a série fez questão de mostrar como ela conseguiu avançar em sua vida pessoal. Ela trabalha envolvida em ONGs que auxiliam os recém-chegados, além disso, conseguiu se permitir a encontrar uma nova parceira, após tudo que lhe foi tirado. Ela está envolvida com Oona (Zawe Ashton), que também trabalha por lá. Moira será importante na fuga de June, já que foi ela que a resgatou dos escombros do bombardeio na fronteira, a levou no navio sem a permissão de sua namorada, que acabou resultando no término das duas, pois essa atitude foi impensada podendo atrapalhar missões futuras. Um pouco mais tarde, elas demonstram que talvez seja possível uma reconciliação, isso seria importante para ter um exemplo positivo de pessoas que estão conseguindo continuar a viver após os traumas, além disso, elas estavam super em sintonia e apaixonadas.

Estar no Canadá, após anos dentro de um regime rigoroso como Gilead, é impactante para June, por isso, sente dificuldade de integrar um grupo de apoio às vítimas do país teocrático, para a protagonista, as mulheres estão lidando com a dor de forma muito tranquila, o oposto do que deseja. Osborne vê em Emily (Alexis Bledel) uma pessoa com sentimentos retraídos, e a impulsiona a falar mais e dizer o que realmente pensa. As duas tem uma trajetória com similaridades, assim como diversas outras pessoas, as opressões vividas anteriormente deixaram marcas profundas que até hoje permanecem. Pelo jeito, Emily ainda sente dificuldade em retornar com sua esposa, entrar em novos relacionamentos e lidar com aquela dor, o contato com seu filho está acontecendo, mas lidar com tudo aquilo que o país tirou dela ainda é extremamente difícil. June encontra nela um apoio, uma pessoa que compartilha de suas angústias e uma confidente que não a julgaria, a união das duas foi o estopim para uma nova versão da protagonista.

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Os Waterford ficaram sabendo que a reputação deles no país não estava das melhores, voltar não seria uma opção. Por isso, o casal resolveu usar aquilo que mais importava neles – as informações sobre o regime – para negociar sua liberdade em troca. De forma tão simples o Canadá aceita a proposta, e, com toda razão, não deixa June e seus aliados confortáveis em saber. June consegue reverter a situação, organizando juntamente com alguns alguns Comandantes a troca de Fred Waterford (Joseph Fiennes) por 22 mulheres presas de Gilead. Nesse caso, o Waterford nunca chegou a pisar no país citado, no meio do caminho encontrou June, com a intenção de que ele sentisse o mesmo medo que ela na floresta com a filha no início da história, que se juntou a Emily e outras mulheres para reproduzir a cena de Salvamento, agora com um ex-comandante como alvo. Após a morte de Fred, elas o penduram no muro e escrevem a velha frase emblemática ao lado: “Nolite Te Bastardes Carborundorum”. 

The Handmaids Tale” deixa no ar quais serão as consequências desse ato, June, por exemplo, já obteve o olhar de reprovação do seu marido ao chegar em casa. Mas executar Waterford será suficiente para dar o sentimento de paz para Osborne e Emily? Também tem a questão de como vai ficar a relação com seus familiares após isso, Moira a compreenderia? De fato, a série quis deixar claro como June não é a mesma, anos em Gilead a transformou de tal forma que as pessoas a sua volta não a reconhecem. Também um ponto ressaltado foi como sair do país não é sinônimo de liberdade por completo, muitos danos serão carregados consigo e serão difíceis de lidar.

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Além disso, a produção perdeu a oportunidade de aprofundar um pouco mais os grupos de resistência da fronteira. Na quarta temporada, as questões da facilidade de contato de Gilead com o mundo exterior, visitas constantes de alguns superiores ao Canadá não foi explicado de que forma aconteceu. Janine e Easther ficaram no país para manter uma visão interna do país, provavelmente porque na sequência será abordado mais de Tia Lydia. Nesse caso seria necessário rostos conhecidos para ter um contexto mais relevante. O que não pode ocorrer  é apresentar repetições de assuntos abordados nas temporadas anteriores. Fora isso, “The Handmaid’s Tale” se mantém em alto nível, provocando avanços importantíssimos para o roteiro, que fez com que a narrativa saísse de aspectos já conhecidos e trouxesse questões interessantes para a história, além das atuações impecáveis do elenco que nunca deixa a desejar. 

A série está confirmada para a quinta temporada, seus episódios estão disponíveis na Paramount+.

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Crítica | Por Trás da Inocência – longa-metragem com potencial não explorado

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“Por Trás da Inocência” é um filme de 2021 que conta a história de Mary Morrison (Kristin Davis), uma famosa escritora de suspense, se preparando para embarcar em uma nova obra, a autora decide contratar uma babá para ajudar nos cuidados com as crianças.

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No entanto, a trama sinistra do livro começa a se misturar com a realidade. Mary seria vítima de uma perigosa intrusa, ou estaria imaginando as ameaças? Conforme o livro da escritora se desenvolve, a vida dos familiares é colocada em risco.

Quando assistimos a candidata a babá Grace (Greer Grammer) entrar pela porta, ela faz uma cara de psicopata à câmera. Clássico. E em uma de suas primeiras frases, a garota comportada até demais afirma: “Eu sou um pouco obsessiva”. E é neste momento que já conseguimos pensar no que vem pela frente.

O que mais incomoda nessa personagem é que ela foi fetichizada desde o início de “Por Trás da Inocência”. Ela parece ser constantemente usada para justificar a “nova” atração de Mary por mulheres, que até então nunca tinha acontecido. É como se Mary tivesse sido privada de todos os seus desejos e somente com a chegada dela tudo emergisse.

Soa familiar para vocês?

LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

A diretora e roteirista Anna Elizabeth James tem a mão leve para a condução das cenas. Talvez ela tema que suas simbologias não sejam claras o bastante, ou duvide da capacidade de compreensão do espectador. De qualquer modo, ressalta suas intenções ao limite do absurdo: o erotismo entre as duas mulheres se confirma por uma sucessão vertiginosa de fusões, sobreposições, câmeras lentas e imagens deslizando por todos os lados, sem saber onde parar.

A escritora bebe uísque e fuma charutos o dia inteiro (é preciso colocar um objeto fálico na boca, claro), enquanto a funcionária mostra os seios, segura facas de maneira sensual e acidentalmente entra no quarto da patroa sem bater na porta. “Por trás da inocência” se torna um herdeiro direto da estética soft porn da televisão aberta por suas simplicidades e exageros. Ou seja, típico filme feito para agradar homens.

Este é o clássico filme sáfico que poderia ser muito bom, mas foi apenas mediano. Infelizmente, o longa só nos mostra mais uma vez o quanto ainda temos um longo caminho pela frente nessa indústria.

ANNE+: O Filme e o relacionamento de Anne e Sara em uma nova fase

“Por trás da inocência” está disponível para assistir na Netflix.

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LesB Cast | Temporada 2 Episódio 02 – The Wilds e teorias para a segunda temporada

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Fala LesBiCats, o LesB Cast está de volta com um novo episódio. Desta vez, vamos conversar sobre a série do Prime Video “The Wilds”, que retorna dia 6 de maio, o desenvolvimento das personagens ao longo da primeira temporada e PRINCIPALMENTE, o que esperamos do segundo ano da produção. Estão preparadas para nossas teorias?

Nesta edição contamos com a presença da nossa apresentadora Grasielly Sousa, nossa editora-chefe Karolen Passos, nossa diretora de arte Bruna Fentanes e nossa colaboradora França Louise. E aí, vamos conversar sobre “The Wilds”?

Se você gostar do nosso podcast, quiser fazer uma pergunta ou sugerir uma pauta, envie-nos uma DM em nossas redes sociais ou um e-mail para podcast@lesbout.com.br 😉

Créditos:

Lembrando que nosso podcast pode ser escutado nas principais plataformas como: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e Google Podcasts.

Espero que gostem. Até a próxima!

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LesB Saúde | A descoberta tardia da sexualidade

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Com a evolução de se ter a cultura sáfica (sáfica aqui carrega o sentido de mulheres que se relacionam com outras mulheres) sendo representada em produções artísticas e na mídia como livros, filmes e séries, se observarmos bem, nesses espaços o tema, na maioria das vezes, vem sendo abordado com a descoberta da sexualidade durante a adolescência. E sim, é importante ter essas produções voltadas para a identificação do público juvenil, entretanto, também se faz importante discutir sobre as possibilidades dessa descoberta em outras fases da vida, esse texto tem a intenção de refletir sobre isso.

Diante das outras possibilidades da descoberta, podemos usar como exemplo o recente casal Gabilana (Gabriela e Ilana) que vem sendo bastante falado; as personagens são interpretadas por Natália Lage e Mariana Lima na novela “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo. Casal esse que conseguiu ficar junto na trama só depois de 20 anos após se conhecerem, depois dos desencontros da vida. Durante o desenvolvimento da história das duas podemos perceber como elas lidaram com a heterossexualidade compulsória, o medo do julgamento e de se permitirem vivenciar quem são de verdade.

Pro Mundo (Out!) | Um pouco sobre Ilana Prates de “Um Lugar ao Sol”

Devemos considerar também que, para além de toda a invisibilidade percebida na mídia, o nosso dia a dia também faz parte desse processo de reconhecimento. Estamos atentas para conhecermos e conversarmos com mulheres que vivem essa realidade depois de certa idade, sendo esta uma idade que a sociedade julga como “errada” para descobrir a sua sexualidade. Portanto, o que essas mulheres sentem depois que percebem que estão nessa situação?

A experiência de mulheres que passam por essa descoberta “tardia” não envolve só a descoberta em si, mas devemos olhar também para outras complexidades que vêm com isso, como o sentimento de invalidação da sua sexualidade, além do possível sofrimento causado depois de anos experienciando o que as impedem de viver plenamente o que sentem.

Review | Heartstopper – Primeira Temporada

A representação da mídia traz aqui um papel importante, já que provavelmente mulheres dessas vivências passam pelo questionamento “não existem pessoas como eu?” e indagações semelhantes. A sensação de reconhecimento, além da troca com outras mulheres que passam pelo mesmo, pode importar e fazer a diferença na vida de quem é atravessada por essas questões.

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Bombando

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