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Literatura

Resenha | Entre as folhas das árvores – uma história curta e adorável

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Ficha Técnica
Livro: Entre as folhas das árvores
Autora: DjiEm
Editora: Independente
Número de Páginas: 56
Ano de Lançamento: 2022


“Era realmente por aquilo que ela estava esperando, era aquele o beijo que sempre sonhou, as sensações que sempre desejou sentir, mesmo as julgando irreais.”

“Entre as folhas das árvores”, escrito por DjiEm, é uma história curta que apresenta a narrativa de duas personagens que trabalham no mesmo local, lançado pela própria autora na plataforma da Amazon Kindle.

Tarsila terminou com sua ex-namorada já faz mais de meio ano e ainda assim tem certa obsessão por ela. Elas trabalham no mesmo local e já faz um tempo que sua ex está dando um gelo nela, então, na tentativa de reconquistá-la decide chamar todos os colegas de trabalho para fazer uma trilha no final de semana.

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Como nem sempre as coisas acontecem como o esperado, no dia do encontro, apenas Sadie aparece e Tarsila vê sua ideia perfeita se desmoronar. Tarsila sempre a enxergou como uma garota mimada, extremamente tediosa e hétero, então, quando a vê já se prepara para desistir da trilha e voltar para casa.

Contudo, Sadie a convence a continuar afirmando que seria uma experiência legal para as duas e caso Tarsila a deixasse ir sozinha, ela poderia encontrar uma notícia no jornal, no dia seguinte, falando que uma garota foi encontrada morta no meio do mato.

Sadie, com seus 22 anos, nunca tinha flertado ou até mesmo demonstrado interesse por alguém. Já tinha tido namorados quando era mais nova, porém sempre foram encontros arranjados pelo seu pai por serem “bons rapazes da igreja”. Ela enxergou na trilha uma oportunidade de admitir para si mesma quem era e até mesmo afirmar quem desejava silenciosamente havia um tempo.

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“Entre as folhas das árvores” apresenta personagens carismáticas e a evolução do relacionamento das duas é agradável de acompanhar, mesmo que a história decorra por apenas dois dias. No início, parece que vai ser uma narrativa de “enemies to lovers”, entretanto, a relação é unilateral e apenas uma das mulheres tem certo receio quanto a presença da outra.

O conto é narrado pela perspectiva das duas personagens, mas a autora aposta em outra forma de divisão das falas, que nessa história funciona muito bem. A transição entre as visões acontece de maneira natural e confortável ao leitor, tornando a leitura agradável e fluída.

Por se tratar de uma narrativa curta, “Entre as folhas das árvores” mostra um romance encantador que até mesmo alguns erros de escrita passam despercebidos. Além disso, é muito interessante a forma com a autora aborda a questão da religião e sua relação com a sexualidade na trama, de modo que possibilita uma reflexão por parte do leitor.

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Em suma, assim como você irá se apaixonar pela Tarsila e Sadie (principalmente a segunda, no meu caso risos), você irá se encantar por cada detalhe da obra, em especial as ilustrações “rabiscadas” ao longo do conto, que torna a experiência com a leitura adorável.


Obs: livro cedido pela autora para resenha.


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LesB Nota
  • História
  • Personagens
4

Sinopse

Chamar todos os colegas de trabalho para fazer uma trilha pareceu a idéia perfeita para Tarsila reconquistar sua ex, que a evitava desde o término, mas como todo plano tem suas brechas, no dia da trilha a unica a aparecer é Sadie, a garota na qual Tarsila nunca prestou muita atenção e a qual julgava ser apenas mais uma patricinha padrão extremamente tediosa, mimada e hetero. Acontece que as aparências enganam e o no final o resultado do plano poderia ser ainda melhor do que o imaginado.

Baiana, designer e jornalista. Acredita que vive em seu próprio conto de fadas e se divide entre suas duas obsessões: livros de romance e séries teen.

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Literatura

Resenha | Florence – obra nacional que você precisa conhecer

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Ficha Técnica
Livro: Florence
Autora: Victória Mendes
Editora: Independente
Número de Páginas: 118
Ano de Lançamento: 2021


Você já se perguntou o que aconteceria se, ao invés de um príncipe, Cinderella encontrasse uma princesa?”. É com essa promessa que a leitora de Florence” se depara logo no prefácio. Promessa que, já adianto, foi cumprida magistralmente. Escrito por Victoria Mendes, o livro é o primeiro da série Filhas de Margery”.

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Florence é uma garota órfã, que vive sob a tutela de sua madrasta, Yvanna, numa pequena província da Europa, junto de suas irmãs postiças. Até então a narrativa pouco se difere da história original. Yvanna e as filhas são extremamente hostis com a nossa Cinderela e a tratam, não como membro da família e verdadeira proprietária da casa que habitam, mas como sua serva, legando à moça todas as obrigações domésticas, bem como idas longas e cansativas à cidade, a pé, ainda que em busca de uma carruagem para as outras.

É numa dessas visitas à cidade que conhecemos Robin, mas só por alto, porque nem a própria Florence sabe muita coisa sobre ela, somente que as duas têm uma amiga em comum, Madame Tine, “uma senhorinha adorável de quase sessenta anos”, que era mãe da cunhada de Robin. Porém, mesmo com poucas informações sobre a garota, a química entre elas é indiscutível.

— Ora, se não é a garota que fala com os pássaros. — A voz de Robin me tranquiliza ao passo que também me deixa irritada. — Seus amigos de penas nunca te disseram que é perigoso para uma jovem andar desacompanhada por essas estradas? 

[…]

— Não, mas em compensação eles me alertaram sobre falar com estranhos.

— Bem, não sou eu quem conversa com corvos aqui, então acho que o adjetivo representa melhor você do que a mim.

— Você sabe que não é desse tipo de “estranho” que estou falando. Além do mais — ergo os olhos para encarar seu rosto pela primeira vez — se eu fosse um corvo, também não conversaria com você”.

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Mas como tudo o que está ruim pode piorar, a vida de Florence se torna ainda mais difícil com a chegada de um pretendente de casamento para Yvanna, que desenvolve uma grave obsessão pela nossa heroína, tornando a convivência na casa intragável. Em meio a tudo isso, temos um baile real no qual o príncipe deve escolher sua futura esposa, uma princesa fujona e uma sociedade só de mulheres, que vivem numa ilha secreta.

Esse é um mundo cruel para mulheres, e sobretudo para as mulheres que amam mulheres”.

Num contexto extremamente patriarcal, a Ilha da Deusa é um refúgio para as mulheres que não querem se sujeitar ao domínio masculino e, de quebra, terem a liberdade de amar como e quem quiser. E embora o aprofundamento da ilha fique para o segundo volume da série, é impossível não pensar em outras sociedades femininas que também já foram refúgios para mulheres da ficção (e objetos de desejos nossos, meras mortais), como Temiscira, de Mulher Maravilha”; Avalon, da obra de Marion Zimmer Bradley; Herland, de “Herland: A Terra das Mulheres”, criada por Charlotte Perkins Gilman e, claro, a Ilha do Nevoeiro, de A Rainha do Ignoto”, a primeira obra brasileira de fantasia e ficção científica, escrita pela cearense Emília Freitas.

A leitura de Florence”, embora fluída, não é leve. No decorrer das páginas, Victoria Mendes aborda temas sensíveis como abuso familiar e assédio. Em algumas passagens a protagonista manifesta um desejo íntimo em acabar com tudo de maneira irreversível, no entanto, nunca levado a cabo em decorrência daquele sentimento conhecido pela sua capacidade de cura e resiliência — “Alguns dias são mais difíceis do que outros. Mentiria se dissesse que nunca pensei em simplesmente desistir, me atirar contra as rochas sob o penhasco e deixar que o oceano abrace o que restar do meu corpo. No entanto, quando esses pensamentos vêm, me lembro  do amor que meu  pai tinha por mim e pela nossa casa, de um sorriso que só ver meu rosto podia evocar”.

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Florence” é uma das muitas obras nacionais (e contemporâneas) que merecem ser espalhadas pelos quatro cantos do país!


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LesB Nota
  • História
  • Personagens
5

Sinopse

Nesta releitura de Cinderela, conhecemos Florence, uma garota órfã, perdida entre sonhos enigmáticos e a realidade terrível sob a tutela de uma madrasta rancorosa. Numa pequena província independente da Europa durante o começo do século 19 – onde mulheres não possuem voz ou direitos civis e humanos – o destino de Flora parece ter sido selado quando um estranho entra na vida de sua família postiça e desenvolve uma obsessão pela garota. Tudo está perdido até que, durante uma aventura noturna proibida, ela conhece uma certa princesa que a faz descobrir que a vida pode ser mais do que páginas repetidas de um mesmo livro, e que não há ninguém como nós mesmos para escrever nossa própria história. Além de romance, este livro nos apresenta tudo que o clássico da Disney não contou sobre amizade, família, medo, descobertas e liberdade.

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HQs

Resenha | Lumberjanes Volume 2: Amizade é Tops!

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Ficha Técnica
Livro: Lumberjanes Volume 2: Amizade é Tops!
Roteiro: ND Stevenson e Grace Ellis
Desenhos: Gus Allen
Tradução: Guilherme Miranda
Editora: Devir
Número de Páginas: 120
Ano de Lançamento: 2018


Neste segundo compilado de “Lumberjanes” temos a conclusão do primeiro grande arco da história das cinco amigas escoteiras. Conforme comentado na resenha do Volume 1, a HQ foi planejada inicialmente para ser uma história limitada, com apenas oito volumes. Com isso, esse segundo compilado, nomeado “Amizade é Tops”, traz a finalização desse primeiro grande arco da história das cinco amigas escoteiras, indo do volume cinco até o oitavo.

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Para isso, temos uma expansão da história. Enquanto no primeiro momento o foco era em apresentar as personagens que compõem o grupo principal, e trabalhar a ambientação e os elementos de mistério da trama, agora a aventura fica focada dentro do próprio acampamento, e com isso somos introduzidas a novas personagens, com destaque para Diane, fundamental para a história.

Utilizando bem o ambiente do acampamento, o roteiro consegue explorar as atividades normais de escoteiros e trazer com a maior naturalidade possível as situações mais fantasiosas e caóticas que podemos imaginar. Em um momento elas estão fazendo pulseiras de amizade, de repente, são atacadas por dinossauros e no dia seguinte brincando de pique-bandeira como se nada tivesse acontecido.

É divertido acompanhar como Jen, a monitora da cabana Roanoke, funciona como um compasso para toda a loucura. A principal função dela nesse primeiro momento é questionar (e surtar com) as surpresas escondidas na floresta, enquanto todas as outras meninas apenas se jogam na situação. E tudo isso com o excelente bom humor apresentado pelo quadrinho.

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Enquanto no primeiro volume algumas histórias pareciam soltas, agora, para a conclusão, as coisas começam a se amarrar. Com novos elementos e mergulhando ainda mais na fantasia, é ótimo acompanhar como as pontas soltas vão se juntando e ajudando a concluir os mistérios deixados abertos. Apesar de uma narrativa simples e muitas vezes com saídas fáceis, a trama flui de forma gostosa de acompanhar. E evitando spoilers do que acontece, pois é uma experiência melhor ler sem saber o que esperar, o rumo que segue é tanto inesperado quanto empolgante.

Mesmo expandindo a história, o centro continua sendo a amizade, o que faz sentido com o título “Amizade é Tops”. Com as personagens já bem estabelecidas, agora temos um pouco mais de desenvolvimento de cada uma, mas, principalmente, de alguns laços, como a amizade entre Jo e April. As duas já possuem uma relação de longa data, muito antes do acampamento, e desta vez conseguimos ver um pouco mais disso. É agradável a forma como a narrativa vai adicionando alguns elementos que reforçam essa ligação mais profunda das duas.

A relação entre Mal e Molly, nosso querido casal, tem certa relevância para a conclusão da trama, entretanto, infelizmente, não temos um avanço no lado do romance. Mesmo assim, como no primeiro compilado, é lindo acompanhar esses momentos das duas, uma relação de carinho, apoio moral e proteção.

Um elemento que é um problema em algumas páginas, tanto desse volume como do anterior, é a coloração em momentos noturnos. Nesse, é possível reparar logo na primeira página, que o fundo perde completamente a perspectiva, parecendo tudo a mesma coisa. Porém, em momentos diurnos, o trabalho da cor é extremamente vivo e traz uma energia extra à aventura. Algumas páginas são uma verdadeira obra de arte, não apenas pelas cores, mas também pelo trabalho de Gus Allen com os desenhos.

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“Amizade é Tops” consegue fazer uma excelente conclusão para essa primeira parte da história de “Lumberjanes”, trazendo novos elementos e tornando a imersão nessa loucura nonsense uma experiência ainda mais agradável. Contudo, apesar da cara de conclusão, é muito bom saber que ainda existem muitos outros momentos para seguir ao lado dessas meninas. A partir daqui, não tem como não estar totalmente apegada a cada uma delas e 100% a bordo dessa jornada.


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LesB Nota
  • Roteiro
  • Ilustração
  • Personagens
4

Sinopse

O segundo volume da HQ infantojuvenil mais popular dos EUA chega ao Brasil! Jo, April, Mal, Molly e Ripley não são as típicas escoteiras e o acampamento da senhorita Qiunzela Thiskwin Penniquiqul Thistle Crumpet para meninas da pesada não é o típico acampamento de verão. Entre os monstros do rio, a magia e a arte dos braceletes da amizade, esse verão está só começando. Junto com as Lumberjanes, você vai enfrentar velociráptors e uma rivalidade mítica entre irmãos. Reúne Lumberjanes #5 à 8.

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Literatura

Resenha | Romance real – obra representativa com potencial para mais

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Ficha Técnica
Livro: Romance real
Autora: Clara Alves
Editora: Seguinte
Número de Páginas: 265
Ano de Lançamento: 2022


“Eu sentia que aquela garota era meu bote salva-vidas em meio à tempestade dentro de mim. E eu me agarraria a ela como se minha vida dependesse disso.”

Clara Alves me conquistou com o seu romance best-seller “Conectadas”, lançado em 2019. Este ano, a autora retornou com mais uma obra, chamada “Romance real”, em que é apresentada como um “conto de fadas moderno sobre perdas e segundas chances”.

O livro conta a história de Dayana, uma adolescente que precisa deixar sua cidade natal (Rio de Janeiro) para morar com seu pai que a abandonou quando ainda era uma criança. Muita apegada aos seus avós e de luto pela perda da mãe, apesar de ter o sonho de conhecer as terras inglesas e ser muito fã do One Direction, se mudar para a Inglaterra não estava em seus planos.

Com a certeza de que está vivendo seu maior pesadelo, Dayana se vê presa a um pai por quem guarda um rancor gigantesco, a uma madrasta com voz irritante de tão alegre e uma irmã postiça (Georgia) por quem não tem apego algum. Entretanto, o que ela não imaginava era que, ao sair para visitar o país, logo nos seus primeiros dias, iria se esbarrar com uma ruiva charmosa fugindo às pressas do Palácio de Buckingham.

A ruiva, na verdade, é uma adolescente chamada Diana. Ela é rebelde, descolada e encantadora; mora com sua mãe e assim como Dayana (para além dos nomes que possuem o mesmo som rs), ambas possuem problemas familiares e Diana nunca conheceu o seu pai.

Resenha | Última parada – um romance que ultrapassa as barreiras do tempo

Diana e Dayana começam a se encontrar e conforme o tempo passa, as duas se aproximam e se ajudam com suas questões emocionais, o que as fazem se apaixonarem uma pela outra. Mas o que torna o relacionamento instável é a certeza que Dayana tem que sua crush está escondendo algo importante da sua vida relacionada à família real.

A narrativa, que se ambienta em um mundo fictício, possui várias referências a nobreza britânica e a cada início de capítulo possui um trecho de uma música da banda favorita da Dayana. Além de que, a autora apresenta uma personagem negra, gorda e bissexual como principal e Diana como pansexual, e Georgia parece não caber nos padrões heterossexuais.

Clara Alves aborda muitos temas relevantes na trama, porém, infelizmente acaba se “afogando” com tanto conteúdo. “Romance real” passa uma mensagem importante ao incentivar o leitor, principalmente juvenil, a procurar ajuda quando necessário e aprender a se abrir mais, contudo, o acúmulo de sentimentos ao longo da história torna a experiência rasa em muitos sentidos.

O luto e o abandono parental são temas que mais têm destaque na narrativa, e este assunto é retratado de forma natural e admirável. Entretanto, a gordofobia, doenças crônicas e saída do armário foram temas deixados em segundo plano, e que poderiam terem sido mais bem explorados ou até mesmo, no caso da doença crônica, ser totalmente descartada. Apesar de ser um tópico extremamente importante, caberia melhor em uma outra história (Georgia, inclusive, merecia um livro só para ela).

Resenha | Sua Alteza Real – uma história clichê para aquecer o coração

“Romance real” está mais para “drama na real”, de tanto que a personagem principal é intragável. Ela é debochada, egoísta e grosseira. Apesar de muitas vezes ser compreensível sua revolta, por outro lado, se torna cansativo as inúmeras vezes em que ela é desnecessária (no sentido de indelicada e grossa mesmo) em algumas situações. Isso torna o livro prolixo, pois a sensação que fica é que não existe evolução da personagem, ao não ser nas últimas páginas da história. É difícil criar empatia com Dayana e seus problemas familiares, pois quando você começa a gostar dela, o livro termina.

Mesmo que a trama tenha problemas, a autora consegue apresentar um livro agradável e de leitura rápida. Diferente de “Conectadas”, que tem uma narrativa mais lenta, em “Romance real”, Clara Alves mostra que sabe escrever histórias que prende o leitor desde o início; e isso, ela faz perfeitamente bem. A narração pela perspectiva da Dayana, contra todas as possibilidades, segura a atenção e as personagens secundárias (Georgia e Diana) conquistam e deixam um gostinho de quero mais.

De modo geral, a obra traz uma representatividade absurda, debates importantíssimos sobre família, abandono parental e luto, porém peca na construção do casal. O romance em si é meia boca, já que a maior parte da história se passa com Dayana tentando resolver seus problemas, então, caso deseje ler o livro, te dou duas dicas: não leia acreditando que vai encontrar um conto de fadas moderno, porque o romance é bem mínimo, e só aposte na leitura caso você ame histórias de drama, principalmente familiares (assim como eu).

Ps: a narrativa se assemelha a histórias como “Vermelho, branco e sangue azul” de Casey McQuiston, e “Sua alteza real” de Rachel Hawkins.


Obs.: livro cedido pelo Grupo Companhia das Letras para resenha.


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LesB Nota
  • História
  • Personagens
3.3

Sinopse

Dayana deixou o Rio de Janeiro para trás e está de mudança para Londres. Há pouco tempo, seu maior sonho era visitar o país da One Direction, sua banda preferida, mas agora ela tem certeza de que está vivendo um pesadelo. Depois de dez anos sem encontrar o pai, ela se vê obrigada a morar com o homem que a abandonou, a mulher dele e sua filha ― a família perfeita que Dayana nunca teve. Tudo isso enquanto tenta lidar com o luto pela morte recente da mãe. O que ela não imaginava era que, logo em seus primeiros dias ali, iria esbarrar em uma ruiva charmosa pulando as grades do Palácio de Buckingham. À medida que se aproximam e se ajudam a enfrentar os conflitos pelos quais estão passando, as duas se apaixonam. Mas Dayana tem certeza de que a garota está escondendo algo sobre sua relação com a família real… Será que Londres conseguirá curar o coração de Dayana e dar a ela um final feliz?

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