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Literatura

Bienal São Paulo | Estivemos no evento e trazemos alguns detalhes

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O LesB Out! marcou presença na 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e já é possível dizer que Livros com temáticas LGBTQIA+ são o hit dessa edição.

As obras como “Heartstopper”, “Espere até me ver de coroa” e “Os sete maridos de Evelyn Hugo” estavam disponíveis e também figuravam nas listas de mais vendidos, além de nos estandes das próprias editoras, também nas grandes livrarias. Para além disso, esta edição contou com vários escritores de livros com esta temática em mesas redondas, sessões de autógrafos e até no Salão de Ideias, falando para um grande público sobre suas produções. 

Foi notado um aumento de editoras focadas em livros LGBTQIA+ como a Editora Euforia, que lança fanfictions para o mundo físico e também a PS Dois Pontos Editorial que, em seu estande, contava com a Se Liga Editorial.

Outra novidade nessa Bienal foi a Prefeitura de São Paulo que disponibilizou uma unidade móvel de Cidadania LGBTI. O propósito desta unidade é dar informações sobre os direitos da população LGBTQIA+ além de auxiliar em questões como casamento e a retificação de nomes. Contudo, apesar disso, foi relatado um caso de transfobia no evento, feito pela autora e youtuber trans Luísa Marilacc, em que informa que ela e sua amiga passaram por situações discriminatórias por parte do público. A organização já respondeu ao relato de Luísa e se colocou à disposição.

Revista LesB Out!

Para aqueles que vão visitar a Bienal (que vai até amanhã (10)), ficam algumas dicas:

  • Vá com roupas e calçados confortáveis, afinal, você vai andar bastante. Leve água e alguns snacks, entretanto, o evento disponibiliza de uma praça de alimentação;
  • Procure ir com uma lista dos livros que deseja comprar e pesquise na internet antes de adquirir diretamente no estande;
  • Muitos estandes oferecem brindes, verifique as condições para os mesmos;
  • Há um transporte gratuito saindo ao lado da estação Portuguesa-Tietê. Geralmente, na saída do metrô há uma pessoa da Bienal indicando o local de saída do transporte;
  • Verifique as programações dos estandes, muitos disponibilizaram em suas redes sociais horários para autógrafos;
  • E aproveite bastante!

A 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo ocorre no Expo Center Norte.

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Literatura

Resenha | Oremos: sete pecados capitais, um romance sáfico e muita hipocrisia religiosa

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Uma adolescente bissexual, um acampamento religioso, sete pecados capitais e a filha do pastor. A premissa de Oremos, de Jenna Voris, mistura elementos que dificilmente passariam despercebidos por quem gosta de histórias LGBTQIA+ que também questionam estruturas sociais. E foi justamente essa combinação que me chamou a atenção para o livro.

Publicado no Brasil pela Plataforma 21, Oremos acompanha Riley Ackerman, uma adolescente bissexual que se afastou da igreja depois de perceber que não havia espaço para ela naquela comunidade. Um ano depois, após agredir uma garota que falou mal de sua irmã, Hannah, Riley recebe uma alternativa à suspensão escolar: passar as férias de primavera em um acampamento religioso e escrever uma redação sobre o que aprendeu por lá.

Só que Riley não está nem um pouco interessada em seguir as regras da igreja. Em vez de praticar as sete virtudes defendidas pela comunidade, ela decide cometer os sete pecados capitais. A ideia é questionar os valores que lhe foram ensinados e mostrar que aquilo que uma instituição considera pecado nem sempre corresponde ao que é certo ou errado na prática.

E é aqui que Oremos começa a ficar interessante.

A proposta da autora é muito boa, principalmente porque não se limita à discussão sobre sexualidade. O livro também aborda trauma religioso, cultura de pureza e os efeitos de uma educação baseada na culpa e no medo. Afinal, o que acontece quando uma comunidade ensina que determinadas partes de quem você é são incompatíveis com a fé? E o que acontece quando as pessoas que deveriam oferecer acolhimento são justamente aquelas que fazem você se sentir inadequada?

A história de Hannah amplia ainda mais essa discussão. Depois de fazer um aborto, ela é afastada da igreja e passa a ser tratada como um exemplo do que os outros não deveriam fazer. Sua experiência evidencia uma contradição importante: uma comunidade que prega determinados valores também pode usar esses mesmos valores para justificar a exclusão, a humilhação e o julgamento de quem não se encaixa em suas expectativas.

É uma das questões que mais gostei de ver exploradas na narrativa. Existe uma diferença enorme entre defender princípios e utilizá-los como justificativa para controlar a vida alheia. E Oremos encontra uma maneira interessante de colocar essa contradição em evidência, especialmente quando acompanhamos adolescentes tentando descobrir quem são enquanto lidam com as expectativas de suas famílias e da comunidade religiosa.

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E o romance sáfico?

No meio de toda essa discussão, temos Riley e Julia, filha do pastor responsável pelo acampamento e melhor amiga de Riley. Julia é lésbica, e a relação entre as duas se desenvolve ao longo da história.

Confesso que esperava um pouco mais desse aspecto. Embora o romance tenha seu espaço, ele não é o foco principal da narrativa. Para mim, funciona muito mais como uma parte da jornada das personagens do que como o centro da trama.

Isso não significa que o relacionamento seja ruim, mas vale alinhar as expectativas: se você procura um romance sáfico com bastante desenvolvimento romântico, momentos de aproximação e a relação ocupando boa parte da história, talvez sinta falta de algo. Eu gostaria que Riley e Julia tivessem recebido um pouco mais de atenção nesse sentido.

Por outro lado, entendo como o romance se encaixa na proposta do livro. A história está muito mais interessada em discutir religião, identidade e as consequências de crescer em um ambiente que tenta determinar quem você pode ser. O relacionamento entre as duas faz parte desse contexto, mas não é a única coisa que movimenta a narrativa.

O pastor Young me irritou muito!

Se tem um personagem que conseguiu despertar sentimentos fortes durante a leitura, foi o pastor Young. A maldade do personagem e, principalmente, algumas de suas falas ameaçadoras me causaram repulsa.

E não é difícil entender o motivo. O pastor representa uma forma de exercer autoridade que utiliza a culpa, o medo e a ameaça de punição para manter as pessoas sob controle. A ideia de que os fiéis precisam obedecer para não serem condenados acaba criando um ambiente em que questionar as regras se torna assustador, especialmente para quem ainda está construindo a própria identidade.

Para as personagens adolescentes, isso ganha um peso ainda maior. Como descobrir quem você é quando as pessoas ao seu redor fazem você acreditar que existe algo de errado em seus sentimentos, desejos ou escolhas? Como construir uma relação saudável com a própria identidade quando a possibilidade de rejeição está sempre presente?

É justamente por isso que as discussões levantadas por Oremos são tão relevantes. O livro mostra como determinadas interpretações religiosas podem afetar a autoestima, os relacionamentos e a maneira como as pessoas enxergam a si mesmas. E faz isso a partir de uma premissa que mistura rebeldia adolescente, conflitos familiares e questionamentos sobre aquilo que uma comunidade considera moralmente aceitável.

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Afinal, vale a pena ler Oremos?

Oremos foi uma leitura de três estrelas para mim. Gostei bastante da premissa, achei interessante a maneira como o livro aborda a hipocrisia religiosa e reconheço o potencial das discussões que Jenna Voris propõe. Ao mesmo tempo, algumas escolhas da narrativa não funcionaram tão bem para mim, principalmente o espaço dedicado ao romance, que poderia ter sido mais desenvolvido.

Acho importante destacar que este não é exatamente um livro para quem procura apenas uma história de amor entre duas garotas. O romance sáfico está presente, mas divide espaço com questões muito maiores, como o preconceito, a exclusão, o trauma religioso e a liberdade de construir a própria identidade.

No fim, Oremos me conquistou mais pela ideia do que pela execução de todos os seus elementos. É uma história que provoca reflexões interessantes, desperta indignação em determinados momentos e abre espaço para discussões importantes sobre fé, acolhimento e respeito.

Se você gosta de livros LGBTQIA+ que vão além do romance e não tem medo de histórias que questionam instituições e comportamentos, pode valer a pena dar uma chance a Oremos. Só não espere encontrar uma trama predominantemente romântica: o coração desta história está no confronto entre aquilo que nos ensinaram a acreditar e aquilo que começamos a descobrir por conta própria.

  • História
  • Personagens
3.5

Sinopse

Após um ano afastada de sua congregação religiosa, Riley está de volta à comunidade. Obrigada a participar do acampamento da igreja onde sua bissexualidade não é aceita, ela decide incendiar as normas do lugar. O plano é simples: colocar em prática os sete pecados capitais, dia após dia.
A jovem está convencida de que um pouco de transgressão pode servir a um bem maior e, para seu imenso alívio, poderá contar com a companhia de sua melhor amiga. Porém, por ironia do destino, Julia é filha do pastor. E, entre risadas e dilemas morais, surge uma inesperada paixão…

Oremos é uma história bem-humorada e provocativa – com um toque delicioso de romance – em que cada ato de rebeldia é um passo em direção à autodescoberta, à aceitação e ao amor.

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Literatura

Resenha | O Diabo Veste Cor-de-Rosa: uma fantasia sáfica que poderia ser muito mais cativante

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Uma diabinha, seis desejos e uma ex-namorada

Em “O Diabo Veste Cor-de-Rosa”, de Alexandria Bellefleur, Samantha Cooper está passando por um daqueles dias em que parece que absolutamente tudo deu errado. Depois de ver o relacionamento chegar ao fim e sentir que sua vida saiu completamente dos trilhos, ela acaba presa em um elevador com Daphne, uma demônia que tem uma proposta difícil de recusar: seis desejos em troca da alma de Sam.

A premissa é, no mínimo, divertida. Sam acredita que precisa de apenas um desejo para recuperar a ex-namorada e reconstruir a vida que imaginava ter. O problema é que Daphne não parece exatamente interessada em facilitar esse plano. E é a partir dessa dinâmica que o livro tenta construir sua comédia romântica sáfica.

A obra foi publicada no Brasil pela Harlequin Books em 2026 e foi traduzida por Alda Lima. A editora apresenta o livro como uma comédia romântica sáfica entre uma demônia e uma mulher de coração partido.

Resenha | Foi Mal, Cara – um romance sobre descobrir que nunca é tarde para mudar a própria história

A premissa é melhor do que a execução

A ideia de uma mulher de coração partido fazendo um acordo com uma demônia para recuperar a ex tem muito potencial. Os desejos abrem espaço para diferentes possibilidades de futuro e permitem brincar com aquilo que Sam acredita que precisa para finalmente ter a vida perfeita.

Também existe uma proposta interessante por trás disso tudo: conforme Sam tenta chegar ao futuro que imagina querer, ela acaba sendo colocada diante de possibilidades que fazem com que enxergue a própria vida de outra maneira. Daphne funciona justamente como essa presença que bagunça os planos de Sam e impede que a história seja simplesmente uma sequência de desejos realizados.

E, para mim, Daphne é facilmente uma das partes mais interessantes do livro.

Ela é debochada, charmosa e tem uma dinâmica muito mais intrigante do que a própria Sam. O problema é que a história é contada pela perspectiva de Sam, então passamos muito mais tempo acompanhando a tentativa dela de recuperar Hannah do que conhecendo melhor Daphne.

E é aí que a leitura começa a perder força.

O problema é que Sam é muito cansativa

Sam é uma personagem bastante fácil de entender. Ela acabou de perder alguém que acreditava ser o amor da sua vida e está desesperada para recuperar aquilo que acredita ter perdido. Só que compreender uma personagem não significa necessariamente gostar de acompanhá-la.

Durante boa parte da leitura, a insistência de Sam em reconquistar Hannah acaba se tornando cansativa. Para mim, esse é o principal problema do livro: a protagonista fica presa demais à ideia de voltar para a ex, e isso faz com que a história demore a engrenar de verdade.

O mais frustrante é perceber o quanto Sam se coloca em segundo plano nessa tentativa de recuperar o relacionamento. Ela quer tanto voltar para Hannah que, muitas vezes, parece não perceber o quanto as duas querem coisas diferentes e o quanto aquela relação a colocava para baixo.

Isso até funciona como parte da proposta da história, porque existe uma discussão interessante sobre relacionamentos que não fazem bem e sobre como estar apaixonada pode dificultar a percepção de que aquela relação talvez não seja aquilo que imaginávamos. Mas, como experiência de leitura, acompanhar esse processo durante tanto tempo torna a narrativa arrastada.

E se a história tivesse dado mais espaço para Daphne?

Aqui está uma das minhas maiores frustrações com o livro: eu queria muito mais de Daphne.

A dinâmica entre ela e Sam tem potencial para ser justamente o coração de uma comédia romântica sáfica. Daphne é uma personagem muito mais intrigante e sua própria história parece ter possibilidades interessantes. Só que a narrativa dedica muito mais atenção à obsessão de Sam pela ex do que à construção dessa nova conexão. Essa escolha faz com que o romance não seja tão cativante quanto poderia ser.

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Vale a pena ler?

Se a ideia de uma comédia romântica sáfica com uma demônia, desejos e uma protagonista tentando lidar com um coração partido parece divertida para você, “O Diabo Veste Cor-de-Rosa” tem uma premissa criativa e alguns elementos bem interessantes. A classificação bibliográfica também coloca a obra como ficção, romance paranormal e romance LGBTQIA+, com demônios entre as temáticas.

Mas, se você está procurando principalmente um romance sáfico muito envolvente, talvez a leitura deixe a desejar. Para mim, a história demora demais para se libertar da insistência de Sam em reconquistar Hannah, enquanto a relação que poderia ser muito mais interessante acaba recebendo menos espaço do que eu gostaria.

A ideia é boa, a proposta tem potencial e Daphne é uma personagem que eu gostaria de ter conhecido muito mais. Só que a protagonista e a condução do romance fizeram com que a leitura fosse mais cansativa do que divertida em vários momentos.

“O Diabo Veste Cor-de-Rosa” é uma história legal, mas, como romance, não conseguiu ser tão cativante quanto a própria premissa prometia.

  • História
  • Personagens
2.5

Sinopse

Samantha Cooper está tendo um dia infernal.

Primeiro, a namorada parte seu coração em um milhão de pedaços. Depois, ela recebe um ultimato para desocupar o apartamento que um dia dividiram. Para completar, se vê presa em um elevador precário com uma loira baixinha que cheira muito bem, se veste exclusivamente de rosa e, por acaso, é um demônio.

Daphne não é o que Sam espera de um ser maligno. A única coisa que denuncia sua verdadeira natureza é a oferta irrecusável que faz: seis desejos em troca de uma coisinha boba ― a alma de Sam.

Sentindo que não tem mais nada a perder depois de o amor de sua vida ter lhe dado um pé na bunda, Sam fecha o negócio, certa de que consegue enganar aquela Barbie demoníaca e manipuladora. Afinal, ela só precisa de um desejo para reconquistar a ex, certo?  Errado.

Porque Sam não é a primeira alma com quem Daphne faz um acordo. Não é nem a noningentésima. A cada novo pedido, Daphne oferece à condenada vislumbres de uma vida perfeita, sem ter a menor intenção de deixar o sonho dela virar realidade.

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Resenha | Foi Mal, Cara – um romance sobre descobrir que nunca é tarde para mudar a própria história

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Ficha Técnica
Livro: Foi Mal, Cara
Autora: Taleen Voskuni
Editora: Astral Cultural
Número de Páginas: 388
Ano de Lançamento: 2024


Existe um momento na vida em que tudo parece estar exatamente onde deveria. Você tem um relacionamento estável, uma carreira consolidada e um futuro praticamente desenhado. Mas e quando, em vez de conforto, esse roteiro começa a provocar dúvidas? É justamente desse sentimento que nasce “Foi Mal, Cara”, de Taleen Voskuni, um romance sáfico que vai muito além da história de amor e entrega uma narrativa sobre identidade, pertencimento e a coragem de recomeçar.

Nareh tem 27 anos e acredita que o próximo passo lógico de um relacionamento de cinco anos seria o casamento. Só que, quando o tão esperado pedido finalmente acontece, a reação dela não é felicidade: é um enorme vazio. Enquanto o namorado viaja a trabalho, os dois decidem dar um tempo, e Nareh aceita o convite da mãe para participar de eventos voltados à comunidade armênia, na esperança de conhecer um “bom rapaz armênio”. O problema, ou talvez a solução, é que quem realmente chama sua atenção é Erebuni, uma ativista apaixonada pela preservação da cultura armênia.

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O romance entre as duas acontece de forma rápida, quase impulsiva, e talvez esse seja um dos poucos pontos que podem incomodar alguns leitores. A conexão entre Nareh e Erebuni se desenvolve em poucas semanas, deixando pouco espaço para um aprofundamento mais gradual da relação. Ainda assim, o foco do livro nunca parece ser apenas o romance.

Na verdade, “Foi Mal, Cara” usa essa paixão como ponto de partida para contar uma história muito maior. Ao longo da narrativa, Nareh não descobre apenas uma nova possibilidade de amar, mas também uma parte de si mesma que passou anos ignorando. Filha de um pai que fazia questão de se afastar das próprias origens armênias e evitava qualquer conversa sobre o genocídio e a história de seu povo, ela cresceu acreditando que manter distância dessa cultura era algo positivo. Depois da morte do pai, esse afastamento ganha um peso ainda maior: aproximar-se das próprias raízes parece, de certa forma, uma traição à memória dele.

É bonito acompanhar esse processo porque ele não acontece de uma hora para outra. Nareh é completamente leiga sobre a própria história, faz perguntas que muitos leitores talvez também fariam e, aos poucos, entende que existir enquanto armênia também é um ato de resistência. A autora transforma esse aprendizado em uma jornada extremamente humana, mostrando que identidade também é algo que se constrói.

Nesse sentido, o livro funciona muito mais como uma história sobre pertencimento do que como uma história romântica. Há muitas conversas sobre memória, preservação cultural, xenofobia e ativismo. Inclusive, conforme Nareh passa a enxergar sua própria cultura com outros olhos, ela também começa a perceber situações de preconceito que antes naturalizava em seu trabalho como repórter de televisão.

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Esse talvez seja o maior mérito da obra: mostrar que descobrir quem você é não acontece isoladamente. A sexualidade de Nareh caminha lado a lado com sua reconexão cultural. Ela nunca havia sentido necessidade de se assumir bissexual porque estava em um relacionamento com um homem, e é somente ao conhecer Erebuni que percebe quantas partes de si mesma permaneceram adormecidas por conveniência, medo ou simples falta de oportunidade.

É fácil olhar para Nareh e enxergá-la como uma protagonista indecisa. Em muitos momentos, ela realmente parece não saber qual caminho seguir. Mas a história deixa claro que essa indecisão nasce de um processo profundamente humano: ela está desmontando uma vida inteira que acreditava ser a certa. Questionar um relacionamento de cinco anos, enfrentar expectativas familiares, revisitar o luto pelo pai e descobrir uma nova identidade aos 27 anos não são mudanças pequenas e o livro trata tudo isso com bastante empatia.

Erebuni, por sua vez, representa justamente esse convite para enxergar outras possibilidades de vida. Ela desafia Nareh, a confronta e amplia sua visão de mundo sem nunca roubar o protagonismo da narrativa. É impossível separar a influência dela da transformação vivida pela protagonista.

Se existe um aviso importante sobre “Foi Mal, Cara”, é que ele talvez não agrade quem procura um romance leve e despretensioso. A história dedica muitas páginas à cultura armênia, ao contexto histórico do povo armênio e às discussões sobre preservação da memória. Para alguns leitores, isso pode tornar a leitura mais lenta. Para outros, é justamente o que faz o livro se destacar entre tantos romances contemporâneos.

No fim das contas, “Foi Mal, Cara” é uma história sobre entender que nunca é tarde para descobrir quem você realmente é. Nunca é tarde para questionar escolhas antigas, revisitar suas origens ou admitir que o caminho que parecia perfeito talvez nunca tenha sido o seu.

  • História
  • Personagens
4

Sinopse

“Um romance caloroso e sagaz, que transborda química.” (DAHLIA ADLER, AUTORA DE COOL FOR THE SUMMER)

UMA MULHER REDESCOBRE SUAS RAÍZES E ACEITA O QUE — OU QUEM — REALMENTE QUER NESTE DELICIOSO ROMANCE QUEER.

Após cinco anos de namoro, algumas coisas são esperadas, como o tão sonhado pedido de casamento. Mas definitivamente não como o que Nareh, uma jovem armênia-americana, recebeu. Quando seu então namorado se ajoelha em um restaurante cheio de gente bêbada para pedi-la em casamento, ela percebe que talvez seja o momento de encontrar uma pessoa que esteja mais alinhada com a ideia que tem de romantismo. É quando a mãe de Nareh entra em cena. Munida de uma planilha cheia de nomes de homens — todos de origem armênia, claro —, ela convence a filha a participar do Explore a Armênia, um evento que enaltece a cultura de seu país de origem. Mas não é o médico ou o engenheiro que chama a atenção de Nareh, e sim Erebuni, uma mulher linda e imersa na preservação da identidade armênia. Erebuni ajuda Nareh a enxergar as belezas da cultura que compartilham e faz com que ela se sinta compreendida de um modo que nunca experimentou antes. Só há uma questão: Nareh ainda não se assumiu bissexual. O tempo está passando e, com o jantar de encerramento do evento se aproximando, ambos os mundos dela — sua família e o sentimento que nutre por Erebuni — inevitavelmente se chocarão. Mas Nareh não está mais disposta a abrir mão da própria felicidade e de quem verdadeiramente é.

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