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Literatura

Resenha | O Diabo Veste Cor-de-Rosa: uma fantasia sáfica que poderia ser muito mais cativante

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Uma diabinha, seis desejos e uma ex-namorada

Em “O Diabo Veste Cor-de-Rosa”, de Alexandria Bellefleur, Samantha Cooper está passando por um daqueles dias em que parece que absolutamente tudo deu errado. Depois de ver o relacionamento chegar ao fim e sentir que sua vida saiu completamente dos trilhos, ela acaba presa em um elevador com Daphne, uma demônia que tem uma proposta difícil de recusar: seis desejos em troca da alma de Sam.

A premissa é, no mínimo, divertida. Sam acredita que precisa de apenas um desejo para recuperar a ex-namorada e reconstruir a vida que imaginava ter. O problema é que Daphne não parece exatamente interessada em facilitar esse plano. E é a partir dessa dinâmica que o livro tenta construir sua comédia romântica sáfica.

A obra foi publicada no Brasil pela Harlequin Books em 2026 e foi traduzida por Alda Lima. A editora apresenta o livro como uma comédia romântica sáfica entre uma demônia e uma mulher de coração partido.

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A premissa é melhor do que a execução

A ideia de uma mulher de coração partido fazendo um acordo com uma demônia para recuperar a ex tem muito potencial. Os desejos abrem espaço para diferentes possibilidades de futuro e permitem brincar com aquilo que Sam acredita que precisa para finalmente ter a vida perfeita.

Também existe uma proposta interessante por trás disso tudo: conforme Sam tenta chegar ao futuro que imagina querer, ela acaba sendo colocada diante de possibilidades que fazem com que enxergue a própria vida de outra maneira. Daphne funciona justamente como essa presença que bagunça os planos de Sam e impede que a história seja simplesmente uma sequência de desejos realizados.

E, para mim, Daphne é facilmente uma das partes mais interessantes do livro.

Ela é debochada, charmosa e tem uma dinâmica muito mais intrigante do que a própria Sam. O problema é que a história é contada pela perspectiva de Sam, então passamos muito mais tempo acompanhando a tentativa dela de recuperar Hannah do que conhecendo melhor Daphne.

E é aí que a leitura começa a perder força.

O problema é que Sam é muito cansativa

Sam é uma personagem bastante fácil de entender. Ela acabou de perder alguém que acreditava ser o amor da sua vida e está desesperada para recuperar aquilo que acredita ter perdido. Só que compreender uma personagem não significa necessariamente gostar de acompanhá-la.

Durante boa parte da leitura, a insistência de Sam em reconquistar Hannah acaba se tornando cansativa. Para mim, esse é o principal problema do livro: a protagonista fica presa demais à ideia de voltar para a ex, e isso faz com que a história demore a engrenar de verdade.

O mais frustrante é perceber o quanto Sam se coloca em segundo plano nessa tentativa de recuperar o relacionamento. Ela quer tanto voltar para Hannah que, muitas vezes, parece não perceber o quanto as duas querem coisas diferentes e o quanto aquela relação a colocava para baixo.

Isso até funciona como parte da proposta da história, porque existe uma discussão interessante sobre relacionamentos que não fazem bem e sobre como estar apaixonada pode dificultar a percepção de que aquela relação talvez não seja aquilo que imaginávamos. Mas, como experiência de leitura, acompanhar esse processo durante tanto tempo torna a narrativa arrastada.

E se a história tivesse dado mais espaço para Daphne?

Aqui está uma das minhas maiores frustrações com o livro: eu queria muito mais de Daphne.

A dinâmica entre ela e Sam tem potencial para ser justamente o coração de uma comédia romântica sáfica. Daphne é uma personagem muito mais intrigante e sua própria história parece ter possibilidades interessantes. Só que a narrativa dedica muito mais atenção à obsessão de Sam pela ex do que à construção dessa nova conexão. Essa escolha faz com que o romance não seja tão cativante quanto poderia ser.

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Vale a pena ler?

Se a ideia de uma comédia romântica sáfica com uma demônia, desejos e uma protagonista tentando lidar com um coração partido parece divertida para você, “O Diabo Veste Cor-de-Rosa” tem uma premissa criativa e alguns elementos bem interessantes. A classificação bibliográfica também coloca a obra como ficção, romance paranormal e romance LGBTQIA+, com demônios entre as temáticas.

Mas, se você está procurando principalmente um romance sáfico muito envolvente, talvez a leitura deixe a desejar. Para mim, a história demora demais para se libertar da insistência de Sam em reconquistar Hannah, enquanto a relação que poderia ser muito mais interessante acaba recebendo menos espaço do que eu gostaria.

A ideia é boa, a proposta tem potencial e Daphne é uma personagem que eu gostaria de ter conhecido muito mais. Só que a protagonista e a condução do romance fizeram com que a leitura fosse mais cansativa do que divertida em vários momentos.

“O Diabo Veste Cor-de-Rosa” é uma história legal, mas, como romance, não conseguiu ser tão cativante quanto a própria premissa prometia.

  • História
  • Personagens
2.5

Sinopse

Samantha Cooper está tendo um dia infernal.

Primeiro, a namorada parte seu coração em um milhão de pedaços. Depois, ela recebe um ultimato para desocupar o apartamento que um dia dividiram. Para completar, se vê presa em um elevador precário com uma loira baixinha que cheira muito bem, se veste exclusivamente de rosa e, por acaso, é um demônio.

Daphne não é o que Sam espera de um ser maligno. A única coisa que denuncia sua verdadeira natureza é a oferta irrecusável que faz: seis desejos em troca de uma coisinha boba ― a alma de Sam.

Sentindo que não tem mais nada a perder depois de o amor de sua vida ter lhe dado um pé na bunda, Sam fecha o negócio, certa de que consegue enganar aquela Barbie demoníaca e manipuladora. Afinal, ela só precisa de um desejo para reconquistar a ex, certo?  Errado.

Porque Sam não é a primeira alma com quem Daphne faz um acordo. Não é nem a noningentésima. A cada novo pedido, Daphne oferece à condenada vislumbres de uma vida perfeita, sem ter a menor intenção de deixar o sonho dela virar realidade.

Baiana, designer e jornalista. Acredita que vive em seu próprio conto de fadas e se divide entre suas duas obsessões: livros de romance e séries teen.

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Literatura

Resenha | Foi Mal, Cara – um romance sobre descobrir que nunca é tarde para mudar a própria história

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Ficha Técnica
Livro: Foi Mal, Cara
Autora: Taleen Voskuni
Editora: Astral Cultural
Número de Páginas: 388
Ano de Lançamento: 2024


Existe um momento na vida em que tudo parece estar exatamente onde deveria. Você tem um relacionamento estável, uma carreira consolidada e um futuro praticamente desenhado. Mas e quando, em vez de conforto, esse roteiro começa a provocar dúvidas? É justamente desse sentimento que nasce “Foi Mal, Cara”, de Taleen Voskuni, um romance sáfico que vai muito além da história de amor e entrega uma narrativa sobre identidade, pertencimento e a coragem de recomeçar.

Nareh tem 27 anos e acredita que o próximo passo lógico de um relacionamento de cinco anos seria o casamento. Só que, quando o tão esperado pedido finalmente acontece, a reação dela não é felicidade: é um enorme vazio. Enquanto o namorado viaja a trabalho, os dois decidem dar um tempo, e Nareh aceita o convite da mãe para participar de eventos voltados à comunidade armênia, na esperança de conhecer um “bom rapaz armênio”. O problema, ou talvez a solução, é que quem realmente chama sua atenção é Erebuni, uma ativista apaixonada pela preservação da cultura armênia.

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O romance entre as duas acontece de forma rápida, quase impulsiva, e talvez esse seja um dos poucos pontos que podem incomodar alguns leitores. A conexão entre Nareh e Erebuni se desenvolve em poucas semanas, deixando pouco espaço para um aprofundamento mais gradual da relação. Ainda assim, o foco do livro nunca parece ser apenas o romance.

Na verdade, “Foi Mal, Cara” usa essa paixão como ponto de partida para contar uma história muito maior. Ao longo da narrativa, Nareh não descobre apenas uma nova possibilidade de amar, mas também uma parte de si mesma que passou anos ignorando. Filha de um pai que fazia questão de se afastar das próprias origens armênias e evitava qualquer conversa sobre o genocídio e a história de seu povo, ela cresceu acreditando que manter distância dessa cultura era algo positivo. Depois da morte do pai, esse afastamento ganha um peso ainda maior: aproximar-se das próprias raízes parece, de certa forma, uma traição à memória dele.

É bonito acompanhar esse processo porque ele não acontece de uma hora para outra. Nareh é completamente leiga sobre a própria história, faz perguntas que muitos leitores talvez também fariam e, aos poucos, entende que existir enquanto armênia também é um ato de resistência. A autora transforma esse aprendizado em uma jornada extremamente humana, mostrando que identidade também é algo que se constrói.

Nesse sentido, o livro funciona muito mais como uma história sobre pertencimento do que como uma história romântica. Há muitas conversas sobre memória, preservação cultural, xenofobia e ativismo. Inclusive, conforme Nareh passa a enxergar sua própria cultura com outros olhos, ela também começa a perceber situações de preconceito que antes naturalizava em seu trabalho como repórter de televisão.

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Esse talvez seja o maior mérito da obra: mostrar que descobrir quem você é não acontece isoladamente. A sexualidade de Nareh caminha lado a lado com sua reconexão cultural. Ela nunca havia sentido necessidade de se assumir bissexual porque estava em um relacionamento com um homem, e é somente ao conhecer Erebuni que percebe quantas partes de si mesma permaneceram adormecidas por conveniência, medo ou simples falta de oportunidade.

É fácil olhar para Nareh e enxergá-la como uma protagonista indecisa. Em muitos momentos, ela realmente parece não saber qual caminho seguir. Mas a história deixa claro que essa indecisão nasce de um processo profundamente humano: ela está desmontando uma vida inteira que acreditava ser a certa. Questionar um relacionamento de cinco anos, enfrentar expectativas familiares, revisitar o luto pelo pai e descobrir uma nova identidade aos 27 anos não são mudanças pequenas e o livro trata tudo isso com bastante empatia.

Erebuni, por sua vez, representa justamente esse convite para enxergar outras possibilidades de vida. Ela desafia Nareh, a confronta e amplia sua visão de mundo sem nunca roubar o protagonismo da narrativa. É impossível separar a influência dela da transformação vivida pela protagonista.

Se existe um aviso importante sobre “Foi Mal, Cara”, é que ele talvez não agrade quem procura um romance leve e despretensioso. A história dedica muitas páginas à cultura armênia, ao contexto histórico do povo armênio e às discussões sobre preservação da memória. Para alguns leitores, isso pode tornar a leitura mais lenta. Para outros, é justamente o que faz o livro se destacar entre tantos romances contemporâneos.

No fim das contas, “Foi Mal, Cara” é uma história sobre entender que nunca é tarde para descobrir quem você realmente é. Nunca é tarde para questionar escolhas antigas, revisitar suas origens ou admitir que o caminho que parecia perfeito talvez nunca tenha sido o seu.

  • História
  • Personagens
4

Sinopse

“Um romance caloroso e sagaz, que transborda química.” (DAHLIA ADLER, AUTORA DE COOL FOR THE SUMMER)

UMA MULHER REDESCOBRE SUAS RAÍZES E ACEITA O QUE — OU QUEM — REALMENTE QUER NESTE DELICIOSO ROMANCE QUEER.

Após cinco anos de namoro, algumas coisas são esperadas, como o tão sonhado pedido de casamento. Mas definitivamente não como o que Nareh, uma jovem armênia-americana, recebeu. Quando seu então namorado se ajoelha em um restaurante cheio de gente bêbada para pedi-la em casamento, ela percebe que talvez seja o momento de encontrar uma pessoa que esteja mais alinhada com a ideia que tem de romantismo. É quando a mãe de Nareh entra em cena. Munida de uma planilha cheia de nomes de homens — todos de origem armênia, claro —, ela convence a filha a participar do Explore a Armênia, um evento que enaltece a cultura de seu país de origem. Mas não é o médico ou o engenheiro que chama a atenção de Nareh, e sim Erebuni, uma mulher linda e imersa na preservação da identidade armênia. Erebuni ajuda Nareh a enxergar as belezas da cultura que compartilham e faz com que ela se sinta compreendida de um modo que nunca experimentou antes. Só há uma questão: Nareh ainda não se assumiu bissexual. O tempo está passando e, com o jantar de encerramento do evento se aproximando, ambos os mundos dela — sua família e o sentimento que nutre por Erebuni — inevitavelmente se chocarão. Mas Nareh não está mais disposta a abrir mão da própria felicidade e de quem verdadeiramente é.

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Resenha | Atmosfera – nem todo amor precisa gritar para ser inesquecível

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Ficha Técnica
Livro: Atmosfera
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de Páginas: 336
Ano de Lançamento: 2025


“Atmosfera” é, de longe, o livro mais contido, e talvez mais ousado emocionalmente, de Taylor Jenkins Reid. Ao contrário de Evelyn Hugo ou Daisy Jones, que envolvem o leitor já nas primeiras páginas com escândalos, fama e intensidade, “Atmosfera” escolhe o caminho do silêncio, da delicadeza, do ritmo lento. E, para alguns leitores, isso pode ser um convite à contemplação… ou um obstáculo à imersão.

Ambientado nos anos 1980, em plena corrida espacial, o romance acompanha Joan Goodwin, uma cientista apaixonada pelo universo e pela própria rotina, até que um anúncio da NASA muda o rumo de tudo. Ela é selecionada para um programa de treinamento que pode levá-la ao espaço e, junto a isso, a novos laços, descobertas e sentimentos que nunca imaginou viver.

O que torna Atmosfera especial não é apenas o pano de fundo científico e histórico, mas a humanidade presente em cada camada da história. Joan é reservada, metódica, e tem uma relação cheia de silêncios com a irmã, mas cheia de amor com a sobrinha Frances (uma das relações mais emocionantes e constantes do livro). Ao lado dela, conhecemos Vanessa Ford, uma engenheira brilhante e misteriosa, com quem Joan vive um romance proibido, maduro e sutil. A relação das duas é construída com tanto cuidado, sensibilidade e realismo, que conquista sem precisar de grandes gestos ou cenas explosivas.

A descoberta da sexualidade de Joan já na vida adulta é tratada com delicadeza e profundidade. É bonito ver uma história onde a orientação sexual não é um “plot twist”, mas uma parte natural da jornada de autoconhecimento: ainda mais em um ambiente como o da NASA dos anos 80, onde ser mulher já era uma batalha, imagine ser uma mulher queer.

Mas apesar de tudo isso, “Atmosfera” não é um livro fácil. A narrativa demora a engatar (e engata mesmo só depois da página 100). O início pode parecer frio, técnico, quase distante e é preciso paciência para alcançar as camadas emocionais que vêm depois. O final, com seu tom aberto e quase abrupto, também pode deixar a sensação de que algo ficou faltando, especialmente sobre o destino das personagens após os acontecimentos da missão espacial.

Ainda assim, é uma história que vale a pena ser apreciada. Porque o livro não quer entregar respostas fáceis. É sobre o que nos move e o que nos prende. Sobre correr atrás dos nossos maiores sonhos e, ao mesmo tempo, lidar com os afetos cotidianos, com as dores da perda, com a responsabilidade de amar, mesmo quando isso significa não escolher o amor em primeiro lugar.

Com representatividade sáfica madura, Atmosfera fala sobre o amor que nasce no silêncio. Sobre mulheres que vivem intensamente, mesmo quando não dizem tudo em voz alta. Pode não ser a história mais imersiva de Taylor Jenkins Reid, mas ainda é profundamente tocante. Se você tiver paciência para ouvir o que não é dito, vai encontrar aqui uma das histórias mais sensíveis da autora.

  • História
  • Personagens
5

Sinopse

Neste romance épico ambientado na Nasa dos anos 1980, Taylor Jenkins Reid ― autora best-seller do New York Times com os aclamados Os sete maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones and the Six ― nos desafia a questionar os limites que estamos dispostos a romper para viver e amar verdadeiramente.

Joan Goodwin é obcecada pelo Universo desde que se entende por gente. Atenciosa e reservada, ela está satisfeita com a vida de professora universitária e como tia de Frances, sua sobrinha precoce. Isso até se deparar com um anúncio da Nasa à procura de mulheres cientistas interessadas em integrar o primeiro projeto do programa Ônibus Espacial. De repente, tudo o que Joan mais quer é ser uma das poucas pessoas a ir para o espaço.

Selecionada entre milhares de candidatas, Joan inicia o treinamento no Centro Espacial Johnson, em Houston, no verão de 1980 junto a um grupo excepcional: o piloto de caças Hank Redmond e o cientista John Griffin; a especialista de missão Lydia Danes, nem sempre a mais agradável; a calorosa Donna Fitzgerald, que navega nos próprios segredos; e Vanessa Ford, a misteriosa e encantadora engenheira aeronáutica capaz de fazer qualquer nave voar.

E então, em dezembro de 1984, durante a missão STS-LR9, tudo muda num piscar de olhos. Enquanto os astronautas aprofundam os laços de amizade e se preparam para os primeiros voos, Joan descobre uma paixão e um amor que nunca imaginou viver. Com um novo mundo diante de si, ela passa a questionar tudo o que sabe sobre seu lugar no universo.

Frenético, apaixonante e inspirador, Atmosfera é Taylor Jenkins Reid em seu melhor: transportando leitores para tempos e lugares inimagináveis, apresentando personagens complexas e reais e contando histórias comoventes sobre o poder do amor ― dessa vez, entre as estrelas.

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Resenha | Cupidos não se apaixonam – o melhor livro da Clara Alves (até agora)

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Livro: Cupidos não se apaixonam
Autora: Clara Alves
Editora: Seguinte
Número de Páginas: 296
Ano de Lançamento: 2025


No novo livro da autora de “Conectadas”, Clara Alves entrega um romance sáfico leve, divertido e cheio de reflexões sobre amadurecimento, identidade e autodescoberta. Inspirado em “As Patricinhas de Beverly Hills” e “Legalmente Loira”, “Cupidos não se apaixonam” traz uma protagonista que mistura carisma, insegurança e muito coração.

Chiara sempre acreditou ter tudo sob controle: o curso certo, o futuro planejado e uma carreira promissora em Direito. Ela é uma personagem complexa: carrega o peso das expectativas familiares, tenta ser perfeita o tempo todo e acaba se anulando para agradar os outros. Se autointitula “cupido”, porque acerta nas relações das amigas, mas nunca na própria vida amorosa. Rainha do gelo da faculdade, vive de beijos vazios e acredita que não foi feita para o amor, apenas para levá-lo aos outros. Assim, assume o papel de cupido da turma e se dedica a unir casais.

Mas, quando resolve juntar a melhor amiga  (ainda abalada por um relacionamento tóxico) com uma nova caloura charmosa do curso, Chiara percebe que o destino pode ter outros planos para o coração dela. E é aí que começa uma jornada deliciosa de confusão, autoconhecimento e, claro, slow burn (dá aquela ansiedade boa de ver tudo se desenvolvendo aos poucos, com muita química entre as duas).

Jess, a personagem que conquista Chiara, é simplesmente encantadora: charmosa, emocionada e apaixonante. Impossível não se encantar com ela e com a forma como foi construída. E quem nunca caiu no clichê de se apaixonar por uma hétero, né? (Supostamente hétero).

“— Ah, eu não me assusto com facilidade, não. — Jess se recosta na cadeira e volta a olhar para mim. —  Uma das minhas melhores qualidades é ser persistente.”

Além do romance, o livro aborda temas importantes, como a descoberta da sexualidade na vida adulta, transtornos alimentares (citados com sensibilidade) e representatividade PCD com naturalidade — com uma personagem cadeirante (Bruna, a melhor amiga de Chiara).

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“Cupidos não se apaixonam” é uma história sobre tentar ajudar os outros enquanto ainda se perde tentando entender a si mesma. Sobre aprender que errar faz parte e que viver é muito mais do que seguir um plano perfeito. Com uma escrita leve e fluida, é uma leitura para todas as idades e, sem dúvidas, o melhor livro da Clara Alves até agora.

 

  • História
  • Personagens
4.5

Sinopse

No novo livro da autora do best-seller Conectadas, acompanhamos um romance lésbico divertido e envolvente, perfeito para fãs de As patricinhas de Beverly Hills.

Chiara sempre teve certeza de tudo. Do curso que escolheu, da carreira que quer construir, do futuro perfeito que tem pela frente. Só uma peça continua faltando: um romance. Depois de várias tentativas que não deram em nada, ela chega à conclusão de que talvez o amor exista, sim — só não seja pra ela. E tudo bem, porque ela acaba de encontrar um novo propósito: assumir o papel de cupido e ajudar os outros a se apaixonarem.

Sua primeira missão? Juntar a melhor amiga, que ainda sofre por causa da ex, com a caloura charmosa que acabou de entrar no curso de direito. O problema é que, quanto mais Chiara tenta unir as duas, mais percebe que seu coração talvez tenha outros planos…

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