Os casos de censura ao conteúdo LGBTQ+ no Brasil de 2019

Não é novidade que conteúdo LGBTQ+ ainda é escasso, mas apesar disto as pessoas que lutam pela causa tentam todos os dias reverter este quadro para que a representatividade em todos os meios cresça cada dia mais. O único problema é que neste ano, apesar de todas as tentativas, os conteúdos artísticos estão precisando lutar mais que o dobro para que possam ser vistos. Isto está acontecendo porque hoje, século XXI, ainda se julga como impróprios conteúdos que contenham alguma relação com a comunidade.

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O ápice desse julgamento foi a tentativa de recolhimento de todos os materiais que pudessem conter qualquer ligação LGBTQ+ da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, é claro que mais uma vez a arte resistiu e conseguiram reverter a situação com uma grande venda desses materiais, além da distribuição gratuita que o Felipe Neto (Youtuber) proporcionou no dia seguinte a tentativa de recolhimento.

No entanto, a situação não parou por aí e continua a assombrar de algumas formas a área das artes e agora começa a atingir o teatro nacional. Recentemente, a peça teatral “Lembro todo dia de você” que iria estrear no Rio de Janeiro, na Caixa Cultural, foi cancelada em cima da data de abertura e causou uma grande suspeita de repressão diante da temática, já que traz um forte conteúdo LGBTQ+ em seu roteiro. Além desta, a peça “Gritos” que traz uma personagem trans em sua trama e que estrearia em Brasília também foi cancelada em cima da hora.

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Atualmente não tem como não se preocupar com essas fortes tentativas de repressão ao conteúdo LGBTQ+ e para além dele, pois outras peças que abordavam assuntos como censura e ditadura foram também canceladas.

Esses acontecimentos precisam ser pensados com seriedade. A arte é a forma fundamental de expressão na nossa sociedade que resiste e já resistiu por muitos momentos de escuridão que vivenciamos e para nós da comunidade LGBTQ+ a arte sempre foi um apoio, onde pudemos encontrar a nossa representatividade e marcar a nossa existência e a nossa resistência também.

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Mesmo com todo silenciamento existente nos períodos de repressão extrema que vivemos no Brasil, ela conseguiu sobreviver e lutar em nome de todas as pessoas que precisavam dela, inclusive os LGBTQ+. E no nosso momento atual não seria diferente, mesmo com as sérias tentativas de silenciamento, o teatro, a música, a literatura, os filmes e as séries resistem tentando quebrar o péssimo estereótipo criado há anos pela sociedade que todo conteúdo LGBTQ+ é impróprio para o mundo.

A arte luta pela comunidade e ao lado dela, artistas LGBTQ+ estão na tentativa incansável de resistir todos os dias em meio ao silenciamento, desta forma trazem uma grande esperança de reversão desse quadro em um futuro bem próximo.

Monica Gabrielly

Monica Gabrielly

Monica Gabrielly é estudante de Pedagogia. Amante das séries de TV e não perde um episódio de Legends Of Tomorrow. Ela vive na Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro.

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