LesB Indica | El Ministerio del Tiempo – uma série sutil sobre viagens no tempo e representatividade feminina

Fazendo parte da “primavera espanhola” no ramo das séries que se espalham por stream, “El Ministerio Del Tiempo” tem suas três temporadas produzidas pela RTVE e disponibilizadas pela Netflix. A série é uma feliz mistura de ficção científica, história, drama, comédia e representatividade feminina.

O Ministério do Tempo é um órgão estatal espanhol responsável por proteger e manter a história da Espanha intacta através das “portas do tempo”, e, para isso, conta com seus agentes: personagens diversos advindos de vários séculos e épocas diferentes, organizados em patrulhar e responsáveis por preservar a história.

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A princípio, temos uma patrulha que guia a construção dos episódios: Julián (Rodolfo Sancho), um socorrista de 2015, Alonso de Entrerríos (Nacho Fresneda), um cavaleiro da Coroa Espanhola do século XVI, e Amelia Folch (Aura Garrido), uma das primeiras mulheres universitárias de 1880.

Amelia é apontada como a líder da patrulha imediatamente por suas qualidades, mas é frequentemente questionada e forçada a se provar, principalmente para os personagens masculinos de outras épocas, num desenho constante de sua luta contra o machismo e em busca de sua liberdade e representação igualitária. Ao lado da personagem dela temos o braço direito do diretor do Ministério, Irene Larra (Cayetana Guillén Cuervo), uma mulher nascida nos anos 1930 e recrutada como agente por volta dos anos 1950.

Irene tem a personalidade forte e a mão firme ao supervisionar as patrulhas, sendo respeitada e admirada. Desde os primeiros minutos da série, ela se apresenta como lésbica e seu arco de personalidade é desenrolado de forma complexa e bem construída ao longo das temporadas seguintes. Seu desenvolvimento é um belíssimo retrato de como personagens sáficas podem ser apresentadas em arcos de personalidade redonda, com densidade psicológica e ações dinâmicas.

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Com episódios que duram entre 60 e 70 minutos, as temporadas são curtas, de no máximo 13 episódios, e é fácil de acompanhar as narrativas de um caso por capítulo que miram em um plot mais bem trabalhado ao final. Conforme as histórias vão sendo apresentadas, as personagens se tornam mais apaixonantes por suas complexidades e suas lutas pessoais. Vale maratonar – ou ir assistindo devagarinho para não acabar logo.

Nah Jereissati

Nah Jereissati

Nah Jereissati é jornalista e fotógrafa cearense, sapatão e feminista. Ariana torta, defende suas causas com unhas e dentes, viciada em qualquer série, filme ou livro que tenha mulheres se amando e sonha em um dia se livrar do relacionamento abusivo que vive com a CW.

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